Conceição Evaristo acaba de conquistar mais um reconhecimento internacional. A escritora mineira passou a integrar a Biblioteca Manifesto, projeto inaugurado por Dua Lipa em parceria com a histórica Livraria Lello, em Porto, Portugal. O espaço reúne obras que, segundo a cantora, ajudam a questionar o poder, a censura e as narrativas dominantes. Entre os cem títulos selecionados está Olhos d'Água, um dos livros mais importantes da autora brasileira.
A presença de Conceição Evaristo na iniciativa reforça o alcance internacional de uma obra que há décadas emociona leitores ao abordar temas como memória, identidade, racismo, ancestralidade e desigualdade social.
Se você ainda não leu a autora — ou quer revisitar seus principais trabalhos —, esta é uma ótima oportunidade.

1. Olhos d'Água
Se existe um livro ideal para começar a ler Conceição Evaristo, provavelmente é este.
Publicado em 2014 e vencedor do Prêmio Jabuti, Olhos d'Água reúne quinze contos protagonizados, em sua maioria, por mulheres negras que enfrentam diferentes formas de violência, pobreza, preconceito e resistência.
Com uma escrita delicada e ao mesmo tempo contundente, a autora transforma histórias cotidianas em narrativas profundamente humanas. Não por acaso, foi essa obra escolhida para integrar a biblioteca criada por Dua Lipa.

2. Ponciá Vicêncio
Primeiro romance de Conceição Evaristo, Ponciá Vicêncio acompanha a trajetória de uma jovem negra que deixa o interior em busca de uma vida melhor na cidade.
Ao longo da narrativa, a autora discute pertencimento, herança familiar, racismo estrutural e os impactos da escravidão nas gerações seguintes.
É uma leitura sensível e considerada uma das portas de entrada para o universo literário da escritora.

3. Becos da Memória
Escrito na década de 1980, mas publicado apenas em 2006, Becos da Memória nasceu das lembranças da própria autora sobre a infância em uma favela de Belo Horizonte.
O romance acompanha os moradores de uma comunidade ameaçada pela remoção e mostra como memória, afeto e resistência caminham lado a lado.
É também uma das obras que melhor apresenta o conceito de escrevivência, termo criado por Conceição Evaristo para definir uma escrita construída a partir das experiências vividas.

4. Canção para Ninar Menino Grande
Neste romance, Conceição Evaristo desloca o olhar para um protagonista masculino.
A narrativa acompanha Fio Jasmim, personagem que atravessa diferentes relações afetivas e familiares, enquanto a autora propõe reflexões sobre masculinidade, afeto, abandono e responsabilidade.
É um livro que mostra a versatilidade da escritora sem abrir mão das questões sociais que marcam sua produção.

5. Insubmissas Lágrimas de Mulheres
Nesta coletânea de contos, Conceição Evaristo apresenta mulheres de diferentes origens que compartilham experiências de dor, violência, amor, maternidade e superação.
As histórias dialogam entre si e reforçam uma das principais marcas da autora: colocar mulheres negras como protagonistas de suas próprias narrativas, revelando vivências muitas vezes invisibilizadas na literatura brasileira.

A relevância da obra Conceição Evaristo na atualidade
Ao longo de sua carreira, Conceição Evaristo construiu uma literatura profundamente ligada à memória, à oralidade e às experiências da população negra brasileira.
Seu conceito de escrevivência — a escrita que nasce das vivências — tornou-se uma referência na literatura contemporânea e influenciou uma nova geração de autores.
Hoje, suas obras estão presentes em vestibulares, universidades, clubes de leitura e, agora, também em um projeto internacional idealizado por Dua Lipa, ampliando ainda mais o alcance da literatura brasileira no mundo.

