Poucos escritores transformaram a língua portuguesa como João Guimarães Rosa. Dono de uma escrita única, repleta de invenções, regionalismos e reflexões sobre a condição humana, o mineiro nasceu em 27 de junho de 1908 e deixou uma das obras mais importantes da literatura brasileira.
Mais de cinco décadas após sua morte, seus livros seguem despertando novas leituras e conquistando diferentes gerações. Alguns exigem calma, outros parecem conversar diretamente com o leitor desde a primeira página, mas todos carregam a marca de um autor que enxergava o sertão como um retrato do mundo inteiro.
Seja para conhecer sua obra pela primeira vez ou para voltar a um clássico, estes cinco livros são um ótimo ponto de partida.

1. Grande Sertão: Veredas
Se existe um livro que resume a genialidade de Guimarães Rosa, é este.
Publicado em 1956, o romance acompanha Riobaldo, um ex-jagunço que relembra sua trajetória pelo sertão mineiro enquanto tenta responder uma pergunta que atravessa toda a narrativa: afinal, o diabo existe?
Ao longo da viagem, amizade, guerra, amor, destino e filosofia se misturam em uma história que mudou para sempre a literatura brasileira.
Para quem é: leitores que gostam de grandes romances e querem mergulhar em uma experiência literária intensa.

2. Sagarana
Antes de Grande Sertão, veio Sagarana.
O livro reúne nove contos ambientados no interior de Minas Gerais e já apresenta muitas das características que tornariam Guimarães Rosa um dos maiores escritores do país: personagens inesquecíveis, linguagem inventiva e histórias profundamente humanas.
É considerado por muitos a melhor porta de entrada para conhecer o autor.
Para quem é: quem quer começar por textos mais curtos antes de encarar os romances.

3. Primeiras Estórias
Nem sempre é preciso um romance de centenas de páginas para provocar grandes reflexões.
Em Primeiras Estórias, Guimarães Rosa apresenta 21 contos que transitam entre a infância, a religiosidade, a solidão e o cotidiano do sertão.
Entre eles está A Terceira Margem do Rio, um dos contos mais conhecidos da literatura brasileira.
Para quem é: leitores que gostam de narrativas breves, mas carregadas de simbolismo.

4. Manuelzão e Miguilim
Publicado em 1964, o livro reúne duas novelas bastante diferentes entre si.
Enquanto Miguilim apresenta o mundo pelos olhos de uma criança, Manuelzão acompanha um homem já maduro refletindo sobre a própria vida.
As duas histórias mostram como Guimarães Rosa conseguia transformar experiências aparentemente simples em narrativas profundamente emocionantes.
Para quem é: quem procura livros sensíveis sobre amadurecimento, família e memória.

5. Tutameia – Terceiras Estórias
Talvez seja o livro mais desafiador desta lista.
Tutameia reúne dezenas de narrativas curtas em que Guimarães Rosa leva sua experimentação com a linguagem ao limite.
É uma obra para ser lida sem pressa, saboreando cada frase e cada invenção linguística.
Para quem é: leitores que já conhecem o autor e querem explorar sua faceta mais experimental.

Guimarães Rosa na atualidade
Mesmo ambientadas no sertão brasileiro, as histórias de Guimarães Rosa falam sobre questões universais: medo, amor, fé, amizade, escolhas, perdas e o eterno conflito entre bem e mal.
Sua escrita continua inspirando escritores, pesquisadores e leitores justamente porque ultrapassa o tempo em que foi produzida.
Mais do que contar histórias, Rosa reinventou a maneira de escrevê-las.
No dia em que celebramos seu aniversário, revisitar sua obra é também lembrar que alguns livros não envelhecem. Eles apenas encontram novos leitores.

