Dua Lipa cria biblioteca com 100 livros censurados e obra brasileira abre o acervo
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Dua Lipa cria biblioteca com 100 livros censurados e obra brasileira abre o acervo

Cantora reúne obras que já foram alvo de censura em diferentes países para incentivar o pensamento crítico

29/06/2026 - 17h47min

Dua Lipa cria biblioteca com 100 livros censurados e proibidos / Reprodução

Depois de transformar seu clube do livro Service95 em um dos espaços literários mais acompanhados pelos fãs, Dua Lipa deu mais um passo no incentivo à leitura. A cantora inaugurou a Biblioteca Manifesto, uma iniciativa que reúne 100 livros que já foram censurados ou proibidos em diferentes partes do mundo.

O projeto nasceu em parceria com a tradicional Livraria Lello, na cidade do Porto, em Portugal, considerada uma das livrarias mais famosas do mundo e conhecida por sua arquitetura histórica.

O que é a Biblioteca Manifesto?

Inaugurada durante o festival literário BABELL – Cidade dos Livros, a Biblioteca Manifesto foi criada para destacar obras que, em algum momento, sofreram censura ou chegaram a ser proibidas por abordarem temas considerados sensíveis, como política, raça, gênero, sexualidade, identidade, liberdade e direitos humanos.

Segundo os organizadores, o objetivo é provocar reflexões sobre a importância da liberdade de expressão e do acesso à literatura.

A Biblioteca Manifesto surge da convicção de que muito mais do que uma história se perde quando um livro é censurado. Essa proibição restringe o direito de questionar, imaginar e compreender o mundo.

BIBLIOTECA MANIFESTO

Livro de Conceição Evaristo abre o acervo da Biblioteca Manifesto

Entre os cem títulos escolhidos por Dua Lipa para a Biblioteca Manifesto, um livro brasileiro ganhou um lugar de destaque. Olhos d'Água, da escritora Conceição Evaristo, foi a primeira obra a ocupar as estantes do novo espaço na Livraria Lello.

Publicado em 2014, o livro reúne 15 contos que retratam a realidade da população negra brasileira por meio de histórias marcadas por temas como racismo, desigualdade social, violência urbana, maternidade e resistência. Considerada uma das principais vozes da literatura brasileira contemporânea, Conceição Evaristo é reconhecida por transformar experiências individuais em reflexões sobre questões sociais profundas.

A escolha da obra dialoga diretamente com a proposta da Biblioteca Manifesto, que busca reunir livros que desafiaram tentativas de censura e estimulam debates sobre liberdade, identidade e pensamento crítico.

No Brasil, Olhos d'Água também esteve no centro de uma discussão sobre censura. Em 2021, uma professora de História foi afastada de uma turma em Salvador após utilizar a obra em um projeto escolar sobre escritoras brasileiras. Parte dos estudantes e de seus responsáveis questionou o conteúdo dos contos, reacendendo o debate sobre liberdade de ensino e o papel da literatura na formação crítica dos leitores.

Reprodução

Além de Olhos d'Água, entre os 100 títulos escolhidos, também estão obras que marcaram a literatura mundial e que enfrentaram algum tipo de censura ao longo dos anos.

Entre elas estão:

  • O Conto da Aia, de Margaret Atwood;
  • Felon, de Reginald Dwayne Betts;
  • Livros da vencedora do Nobel Olga Tokarczuk;
  • Obras do escritor Salman Rushdie, conhecido por enfrentar décadas de perseguição após a publicação de seus livros.

A lista completa reúne autores de diferentes países e gerações, todos escolhidos por levantarem debates sobre liberdade, memória, democracia e pensamento crítico.

De clube do livro a biblioteca

A Biblioteca Manifesto é mais um desdobramento do Service95, plataforma criada por Dua Lipa em 2023 para compartilhar indicações de leitura, entrevistas com escritores e conteúdos sobre cultura.

Nos últimos anos, o clube do livro da cantora conquistou milhares de leitores ao redor do mundo e passou a ser reconhecido por incentivar obras contemporâneas e autores de diferentes nacionalidades.



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