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Clubes de leitura presenciais: O novo "barzinho" para fazer amizades aos 20 e poucos anos

Grupos de discussão literária ganham força como espaços de socialização e construção de comunidade fora do ambiente digital

05/02/2026 - 14h30min

Reprodução/Pexels
Clubes de leitura presenciais: O novo "barzinho" para fazer amizades aos 20 e poucos anos.

A transição para a vida adulta após os estudos costuma trazer o desafio de encontrar novos círculos sociais fora do ambiente de trabalho ou da faculdade. Nesse cenário, os clubes de leitura presenciais surgem como uma alternativa ao modelo tradicional de saídas noturnas, oferecendo um espaço de conexão real.

A popularidade desses grupos cresceu impulsionada por tendências digitais como o "BookTok" (a bolha de leitores no TikTok), que resgatou o prazer da leitura entre os jovens. O que antes era visto como uma atividade solitária tornou-se um evento social dinâmico, ocupando cafés, parques e livrarias.

Mais do que apenas debater livros, esses encontros ajudam a estruturar o tempo livre e combatem a solidão comum no início da carreira. 

Entenda como a prática pode ajudar quem busca por conexões reais.

O resgate dos "terceiros lugares"

Os clubes de leitura funcionam como "terceiros lugares", espaços que não são nem a casa nem o trabalho, fundamentais para o equilíbrio emocional. Ao ocupar bibliotecas e centros culturais, esses grupos fortalecem o senso de pertencimento à comunidade local.

Muitos jovens buscam nesses encontros uma forma de fugir do isolamento provocado pelo excesso de telas e redes sociais. A interação presencial permite trocas de olhares e conversas mais profundas, algo que o ambiente digital nem sempre consegue suprir.

Além disso, a diversidade desses grupos favorece o contato com pessoas de diferentes origens e idades. Isso ajuda a quebrar "bolhas" sociais, expondo o leitor a novos pontos de vista e realidades distintas da sua.

Benefícios para a saúde mental e social

Participar de um clube de leitura tem se mostrado uma atividade terapêutica, com 98% dos praticantes relatando melhoras na saúde mental. O hábito de ler e discutir em grupo estimula o cérebro, cria novas conexões e pode até retardar o envelhecimento.

Para quem está na casa dos 20 anos, o clube oferece uma "responsabilidade suave", ajudando a manter metas de leitura através da cobrança amigável do grupo. Esse compromisso social motiva o indivíduo a trocar o uso passivo do celular por uma atividade intelectualmente desafiadora.

Vale considerar também o aspecto afetivo: quase 25% dos membros de clubes de leitura já vivenciaram "meet-cutes" ou encontros românticos nesses grupos. Para muitos, encontrar um parceiro com interesses literários comuns é preferível ao uso de aplicativos de relacionamento.

Formatos e acessibilidade no Brasil

No Brasil, o fenômeno se ramifica em modelos gratuitos, pagos e por assinatura, com milhares de participantes. Existem grupos focados em nichos específicos, como autoria feminina, literatura indígena ou clássicos universais.

A estrutura desses encontros costuma ser horizontal, onde o mediador apenas guia a conversa, permitindo que todos opinem livremente. Essa dinâmica reduz a pressão por "acertos" intelectuais e foca na experiência compartilhada e no prazer da descoberta.

Por outro lado, o custo de vida e a rotina exaustiva podem ser barreiras para a participação presencial constante. Nesse caso, surgem modelos híbridos ou clubes de leitura silenciosa, onde o foco é apenas ler em companhia, sem a obrigação de debater.


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