
Atualmente, é comum sentirmos uma necessidade quase incontrolável de checar notificações ou buscar recompensas imediatas em telas e/ou alimentos. Essa intensidade de estímulos muitas vezes nos deixa cansados, ansiosos e com dificuldade de concentração.
Nesse cenário, o termo "jejum de dopamina" ganhou popularidade, uma tendência que nasceu no Vale do Silício com a promessa de reequilibrar nossa relação com o prazer. A prática propõe desconectar-se temporariamente de hábitos viciantes para recuperar a produtividade.
Neste contexto, hoje nós vamos analisar os principais pontos que envolvem esse tema.
A proposta do "jejum de dopamina"
Diferente do que o nome sugere, o chamado “jejum de dopamina” não tem como objetivo diminuir, de forma química, os níveis de dopamina no cérebro. Além de inviável, tentar “zerar” esse neurotransmissor seria perigoso: ele é essencial para funções motoras, para a sensação de recompensa e para a motivação básica que sustenta nossas ações cotidianas.
A proposta real, criada pelo psiquiatra Cameron Sepah, baseia-se na Terapia Cognitivo-Comportamental para o controle de estímulos. O objetivo é restringir comportamentos impulsivos e "vícios" comportamentais, e não a substância orgânica em si.
Ou seja, o termo funciona mais como uma metáfora chamativa para descrever uma pausa. Em resumo, a ideia é reduzir a exposição a recompensas rápidas que viciam o cérebro em ciclos de satisfação imediata.
Como funciona na prática
Na rotina, o método consiste em separar períodos específicos para se abster de atividades de recompensa fácil. Isso inclui evitar redes sociais, jogos eletrônicos, compras compulsivas e alimentos ultraprocessados por um determinado tempo.
Durante esse intervalo, que pode variar de algumas horas no fim do dia até um fim de semana inteiro, a recomendação é buscar atividades de baixo estímulo. Ler um livro, caminhar ou interagir presencialmente são formas de reconectar-se com o tédio de maneira saudável.
Ou seja, não é necessário se isolar totalmente, mas sim criar barreiras conscientes contra as distrações digitais que dominam o cotidiano.
Benefícios e pontos de atenção
Ao reduzir o excesso de ruído digital, muitos praticantes relatam melhora na clareza mental e na capacidade de foco. O afastamento temporário ajuda a "recalibrar" o sistema de recompensa, fazendo com que atividades simples e que exigem esforço voltem a ser satisfatórias.
Por outro lado, é importante ter cautela com interpretações extremas que circulam na internet. Restrições severas, como evitar contato visual ou conversas com amigos, não são necessárias e podem transformar a técnica em uma fonte de estresse ou isolamento social.
Além disso, essa prática não substitui tratamentos médicos. Embora ajude na organização da rotina, o jejum de dopamina não deve ser encarado como cura para transtornos como depressão ou ansiedade clínica.
