ESG no Palco: Quando o show gera mais energia do que consome | Atlântida
logo atlântida

AO VIVO

Futuro do Mundo

SUSTENTABILIDADE EM ALTA

ESG no Palco: Quando o show gera mais energia do que consome

Das pulseiras biodegradáveis do Coldplay ao impacto social do Planeta Atlântida, entenda por que a logística reversa, o engajamento social e a governança ética viraram o setlist obrigatório para quem quer brilhar nos palcos em 2026.

09/04/2026 - 18h20min

Reprodução
Banda Coldplay é destaque em sustentabilidade.

Tu já parou para pensar no trampo que dá fazer um festival funcionar por alguns dias? Entre geradores a diesel, toneladas de resíduos e o deslocamento de milhares de pessoas, o impacto ambiental de um show pode ser um verdadeiro pesadelo.

Pra resolver isso, o ESG subiu ao palco. Criada em 2004 pela ONU, a sigla é um novo manual de instruções para avaliar se um evento é realmente parceiro da sociedade e do planeta. 

Mas o que significa cada letra? O E (Environmental) olha para o rastro que a gente deixa na natureza; o S (Social) garante que todo mundo, da equipe de limpeza ao fã na grade, seja incluído e respeitado; e o G (Governance) é a prova real de que a produção tá entregando transparência e ética nos bastidores.

Coldplay é o headliner da sustentabilidade

Se tu já viu algum vídeo da turnê Music Of The Spheres do Coldplay, com certeza tu ficou hipnotizado pelo espetáculo visual das pulseiras de LED que são distribuídas ao público. Essas pulseiras são o exemplo perfeito de logística reversa: tu usa, brilha, e devolve no final para elas serem higienizadas e usadas no próximo destino. E tem mais, desde 2022 elas são feitas com materiais biodegradáveis e compostáveis.

“Tá, Lari. Mas biodegradáveis e compostáveis não são a mesma coisa?”

Na verdade, não. Biodegradável significa que foi utilizado material vegetal na fabricação, mas que ainda podem levar anos para sumir e até deixar algum resíduo. Compostável, significa que o material pode retornar para a indústria (compostagem industrial) e ser transformado em adubo ou fertilizantes, em questão de dias.

Considero o Coldplay um case de ESG em eventos musicais, porque eles chegaram a reduzir as emissões de carbono em até 59% se comparado à turnê anterior, transformando o fã em parte da solução:

  • Pistas Cinéticas: Sabe aquele pulo sincronizado no refrão? O chão capta a energia do movimento e a transforma em eletricidade para carregar as baterias do show.
  • Bicicletas Elétricas: Fãs pedalando antes da música começar para ajudar a alimentar os geradores.

Billie Eilish e Jack Johnson: como eles engajam a comunidade

Reprodução
Billie Eilish promoveu o projeto Eco-Villages na turnê 'Hit Me Hard and Soft'.

Se o Coldplay cuida da energia, a Billie Eilish cuida da consciência. Com o projeto Eco-Villages, ela leva ONGs para dentro das apresentações da turnê Hit Me Hard and Soft, que formam centros de ativismo interagindo com o público de diversas maneiras, como convidando-os para se voluntariar em projetos locais ou ensinando de forma lúdica o real impacto do consumo da carne. 

Eilish também baniu o uso de plástico descartável nos bastidores e exige um catering focado em plantas. E o que mais me impressiona é o que ela criou um evento dentro do evento. Ela traz o Overheated com painéis sobre moda sustentável e culinária vegana, colocando o “S” do ESG em prática na forma de educação e debate.

Já o veterano Jack Johnson pode ser considerado o mestre do “G” da sigla. Porque ele exige em contrato que os festivais comprem energia renovável e implementem sistemas reais de reciclagem. 

Reprodução
Jack Johnson exige em contrato que os festivais comprem energia renovável e implementem sistemas reais de reciclagem.

Mas talvez o ponto mais importante seja a alimentação, isso porque ele impõe que a comida servida para a equipe e ofertada ao público venha de produtores orgânicos locais. Essa iniciativa fortalece o pequeno produtor e a economia da região ao invés de contratar uma multinacional de catering.

Festivais que já estão no futuro

Na Europa, a régua está cada vez mais alta. O Glastonbury da Inglaterra não apenas baniu as garrafas PET em 2019, como investiu pesado em infraestrutura, instalando centenas de quiosques de água gratuita em parceria com a WaterAid para substituir mais de 1 milhão de garrafas plásticas por edição.

Já o DGTL de Amsterdã é o primeiro festival 100% circular do mundo. Eles operam com o conceito de Food Court Circular, onde nada é desperdiçado: restos de comida e embalagens biodegradáveis são transformados em adubo orgânico em menos de 24 horas por uma máquina de compostagem industrial no próprio local. Além disso, o festival é totalmente vegetariano, focando na redução da pegada de carbono da pecuária.

No Brasil, o nosso querido Planeta Atlântida não fica pra trás, porque ele traz iniciativas que olham para o meio ambiente e para as pessoas. Transformando o Ingresso Solidário em um motor de arrecadação para a Rede de Bancos de Alimentos do RS e mantendo uma parceria com cooperativas locais como a COOPERLAV para garantir que o lixo do festival vire renda e matéria-prima. 

Assim como nos grandes festivais da Europa, nas edições mais recentes do Planeta, o olhar para as pessoas foi aprimorado. Eles não apenas possuem um espaço PCD, mas eles colocaram cardápios em braile, intérpretes de libras nos dois palcos e kits sensoriais para pessoas neurodivergentes. 

Dá um orgulho ver o nosso estado provando que dá pra fazer o maior festival do sul do país com responsabilidade e transparência.

No fim das contas, o ESG de um festival está em cada detalhe: da rampa de acessibilidade ao descarte correto do teu copo. 

E aí, tu já pedalou pra carregar as luzes de um show ou devolveu tua pulseira de LED com orgulho? Me conta qual dessas práticas tu achas que deveria ser obrigatória em todo festival.


MAIS SOBRE