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O "lado B" do teu look de festival: 3 documentários que vão te fazer pensar sobre o impacto ambiental da fast fashion

Produções revelam o impacto ambiental da fast fashion por trás dos looks mais icônicos de festival.

30/03/2026 - 18h30min

Reprodução
Pilhas de roupas no Atacama.

O Lollapalooza Brasil 2026 passou, a playlist que tu criou pré-festival já se tornou pós e misteriosamente ainda tá saindo glitter do teu corpo no banho. Eu sei que a gente merece brilhar e é maravilhosa a sensação de montar o look perfeito para um festival. São tantas as opções, né? Tem  paetês, tules, couro fake… chega a dar borboletas no estômago. - Eu me sinto total assim.

Só que tem algo que me gera tamanho desconforto, - e eu sinto que tu também passa por isso - que preciso compartilhar: Já parou pra pensar que a gente tá vestindo, literalmente, plástico (tecido derivado de petróleo) que vai levar até 200 anos para sumir do mapa?

Tipo? Hello? A gente nem vai mais estar aqui e aquele top frente única de lantejoulas (incrível de lindo, por sinal) ainda vai estar soltando microplásticos por aí. É o tipo de herança que ninguém quer deixar, né?

Como hoje, 30 de março, é o Dia Internacional do Lixo Zero, o papo não poderia ser outro. E quando trazemos o assunto pro mundo da moda, o "lixo zero" ainda parece um sonho distante. - E oh, eu não tô aqui pra julgar, tá? Eu também tenho peças sintéticas. - A ideia aqui é aproveitá-las ao máximo, seja reformando, doando, transformando… fazendo o look circular.

O ideal seria nem eu e nem tu usarmos? Com certeza! Mas a gente sabe que existe todo um contexto social envolvido. - que não é o foco de hoje, mas eu sei que tu já sacou a ideia. 

Pra tu entender melhor esse rolê e como podemos mudar isso, eu separei três documentários em níveis de consciência, pra tu escolher o que mais encaixa com o teu momento e dar o play.

Nível 1: Pra quem quer vestir o futuro

The Next Black (YouTube)

Esquece aquele lance de que a gente tem que parar de montar looks icônicos. Esse doc foca em quem está inventando a moda do futuro. Lembra do vestido que soltava bolhas de sabão, que a Lady Gaga usou no iTunes Festival de 2013, em Londres?

Reprodução
Lady Gaga

Pois é, este é um exemplo de como usar a tecnologia para criar um efeito visual memorável e reduzir o uso de matéria-prima. Outra coisa que eu acho sensacional, que o filme apresenta, é a Bio-Couture, uma tecnologia capaz de produzir roupas com matéria orgânica que, depois, podem ir direto pra terra ou pra tua composteira. - Incrível, né?

Nível 2: Pra quem quer entender como o sistema funciona

RiverBlue (Prime Video / Apple TV)

Se tu acha que o problema era só o pano acumulado, esse doc vai te mostrar o rastro químico que deixamos na água. Ele mostra os rios mais poluídos do mundo por causa dos tingimentos de jeans e processos industriais.

A moda é a segunda indústria que mais consome água no planeta. Não sabia? Pois agora tá sabendo, mona. O filme prova que o custo de um look vai muito além do preço que pagamos por ele; ele está nos rios mais poluídos do mundo por tingimentos de jeans e processos industriais. Tudo isso só para a gente vestir aquela cor da estação. - Tu já tinha refletido sobre isso?

Nível 3: Pra quem precisa de um choque de realidade

Brandy Hellville e o culto do Fast Fashion (HBO Max)

Pra assistir este aqui tem que estar com o estômago preparado, porque mostra que a fast fashion é um sistema doente em todas as camadas. O filme vai te provar que marcas que ignoram o planeta geralmente também ignoram os direitos humanos. 

E entender que o teu look do festival pode ter financiado um sistema abusivo (racismo, gordofobia e abuso sexual) é um divisor de águas na decisão da compra.

Sabe para onde vai o excesso dessa produção desenfreada que o documentário mostra? Pro Deserto do Atacama, no Chile. Lá existe uma montanha de aproximadamente 59 mil toneladas de roupas descartadas - muitas ainda com etiqueta! -  que é visível do espaço.

Reprodução/G1
Roupas descartadas no Atacama.

Foi nesse cenário apocalíptico que, no ano passado, a ONG Desierto Vestido e o Fashion Revolution criaram um dos protestos mais relevantes da história da moda: o Atacama Fashion Week. Em vez das passarelas glamurosas de Paris ou Milão, modelos desfilaram entre dunas de roupas velhas. 

É claro que os looks foram feitos a partir do próprio lixo têxtil retirado do local. E o objetivo foi mostrar ao mundo que o Atacama não pode ser o "tapete" onde as marcas e os consumidores escondem a sujeira da fast fashion. - Arrasaram muito!

No Dia do Lixo Zero, o meu convite é pra gente olhar pro armário como quem olha pro line-up do festival, sabe? Com aquela atenção e cuidado, valorizando o que tu tem, descobrindo novas formas de usar aquela peça esquecida ou até mesmo a doando para outra pessoa. Já que o guarda-roupa é o nosso manifesto, que ele seja feito com consciência, não é mesmo?


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