
Quando se fala em Michael Jackson, é comum lembrar dos recordes de vendas, das coreografias revolucionárias e de sucessos como "Billie Jean", "Thriller" e "Beat It". Mas uma das decisões mais importantes da carreira do Rei do Pop aconteceu longe dos estúdios e dos palcos.
Em 1985, Jackson surpreendeu o mercado ao investir US$ 47,5 milhões na compra da ATV Music, uma das maiores editoras musicais do mundo na época. O negócio foi recebido com desconfiança por parte da indústria, mas acabaria se transformando em um dos investimentos mais lucrativos da história da música.
Ao longo dos anos, Michael expandiu seu portfólio e passou a controlar ou participar dos direitos de milhares de canções gravadas por alguns dos maiores artistas de todos os tempos. O resultado foi a construção de um verdadeiro império musical que, décadas depois, ainda é considerado um dos maiores ativos já acumulados por um artista.
Confira abaixo cinco catálogos comprados por Michael Jackson ao longo dos anos.
1. The Beatles

A aquisição mais famosa de Michael Jackson aconteceu em 1985, quando ele comprou a ATV Music.
O negócio incluía os direitos de publicação de mais de 250 composições assinadas por John Lennon e Paul McCartney, entre elas alguns dos maiores clássicos dos Beatles, como "Hey Jude", "Let It Be" e "Yesterday".
Além do catálogo dos Beatles, a ATV também possuía músicas de diversos outros artistas e compositores britânicos.
A compra gerou repercussão mundial porque Paul McCartney havia alertado Michael sobre a importância de investir em direitos autorais anos antes. Quando o catálogo foi colocado à venda, os dois acabaram competindo indiretamente pelo ativo, e Jackson saiu vencedor.
Com o passar do tempo, a valorização dessas músicas transformou a aquisição em uma das decisões financeiras mais inteligentes já tomadas por um artista.
2. Eminem

Em 2007, Jackson ampliou ainda mais seu patrimônio musical ao adquirir a Famous Music por aproximadamente US$ 370 milhões. O catálogo reunia milhares de composições e incluía parte dos direitos editoriais de artistas que dominavam as paradas no início dos anos 2000.
Entre os destaques estavam músicas de Eminem, incluindo sucessos como "Without Me", "Just Lose It", "Mockingbird", "The Real Slim Shady" e "Lose Yourself", uma das canções mais premiadas da carreira do rapper.
3. Shakira

A compra da Famous Music também colocou sob o guarda-chuva empresarial de Michael Jackson parte do catálogo editorial de Shakira.
Naquele período, a cantora colombiana já havia se consolidado como uma das maiores estrelas da música latina internacional graças a sucessos como "Whenever, Wherever", "Hips Don't Lie" e "La Tortura".
O catálogo representava um ativo estratégico porque permitia participação nos rendimentos gerados pela execução pública, sincronização em filmes, publicidade, televisão e plataformas de streaming.
4. Elvis Presley

Por meio de sua editora Mijac Music e das operações posteriores envolvendo a Sony/ATV, Michael passou a deter participação em obras ligadas a grandes nomes da história da música, incluindo Elvis Presley.
Entre as composições associadas a esse universo estão clássicos como "Jailhouse Rock", "Love Me Tender" e "Can't Help Falling in Love".
5. Acuff-Rose
Menos conhecida pelo grande público, a participação na Acuff-Rose Music foi outra peça importante da estratégia de investimentos de Michael.
Fundada em Nashville, a editora é considerada uma das instituições mais importantes da história da música country.
O catálogo incluía obras de artistas lendários como Hank Williams, Roy Orbison, além da dupla The Everly Brothers, conhecida por músicas como "All I Have to Do Is Dream", "Wake Up Little Susie" e "Bye Bye Love".
Quanto valia o império musical de Michael Jackson?
Quando Michael Jackson morreu, em 2009, sua participação na Sony/ATV já era considerada um dos ativos mais valiosos de toda a indústria musical.
Analistas estimavam que a sua parte do catálogo valia centenas de milhões de dólares. Além de continuar se valorizando ano após ano graças ao crescimento do mercado digital e ao licenciamento constante das músicas.
Em 2016, o espólio do cantor vendeu sua participação restante na Sony/ATV para a Sony por aproximadamente US$ 750 milhões, em uma das maiores negociações da história do mercado editorial musical.
O acordo consolidou o legado do cantor não apenas como um dos artistas mais importantes de todos os tempos, mas também como um dos investidores mais visionários que a indústria da música já conheceu.

