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O FIM DE UMA ERA EM UM DISCO

“Let It Be”: 5 curiosidades sobre o álbum que marcou o fim dos Beatles

Último disco lançado pela banda britânica reúne bastidores turbulentos, mudanças criativas e um dos momentos mais icônicos da história do rock

24/05/2026 - 15h00min

Reprodução
Entre conflitos internos e momentos históricos, 'Let It Be' marcou oficialmente o fim dos Beatles.

Poucos álbuns carregam um peso histórico tão grande quanto Let It Be. Lançado em maio de 1970, o disco ficou marcado como o último trabalho oficial dos The Beatles antes do fim definitivo da banda.

Mais do que um simples lançamento, o projeto acabou se transformando em um retrato do desgaste interno vivido por John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr no fim da década de 1960.

Entre conflitos criativos, gravações interrompidas e mudanças radicais na produção, Let It Be se tornou um dos discos mais comentados da história do rock. O álbum também eternizou momentos importantes da trajetória do grupo, incluindo a última apresentação pública dos Beatles juntos.

Confira cinco curiosidades que ajudam a explicar por que o disco segue tão importante décadas após seu lançamento.

1. Let It Be foi o último álbum lançado, mas não o último gravado

Embora tenha chegado às lojas em maio de 1970, Let It Be não foi o último álbum gravado pelos Beatles. As sessões do projeto aconteceram antes das gravações de Abbey Road, mas o material acabou ficando engavetado durante meses por causa das tensões internas e das dificuldades enfrentadas durante o processo criativo.

Na prática, Abbey Road foi gravado depois de Let It Be, mas lançado antes. Isso faz com que muitos fãs considerem o primeiro como o verdadeiro “último capítulo” artístico da banda, mesmo que Let It Be tenha encerrado oficialmente a discografia do grupo.

2. O projeto originalmente se chamava Get Back

A proposta inicial do álbum era bastante diferente do resultado final que acabou chegando ao público. Depois da fase experimental e psicodélica de discos como Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band e The Beatles, a ideia era retornar às origens do grupo.

O projeto recebeu inicialmente o nome “Get Back” justamente porque pretendia recuperar a simplicidade do rock dos primeiros anos da banda. As gravações deveriam acontecer ao vivo, com poucos efeitos de estúdio e os integrantes tocando juntos novamente, quase como nos tempos de início da carreira em Liverpool.

3. George Harrison abandonou temporariamente a banda durante as gravações

O clima durante as sessões de Let It Be estava longe de ser harmonioso. Em janeiro de 1969, George Harrison decidiu deixar temporariamente os Beatles após discussões com Paul McCartney e o desgaste acumulado entre os integrantes.

A saída durou poucos dias, mas deixou evidente que a relação dentro da banda já estava bastante fragilizada. Harrison acabou retornando às gravações, mas o episódio se tornou um dos símbolos do momento turbulento vivido pelos Beatles nos meses que antecederam o fim oficial do grupo.

4. O famoso show no telhado fazia parte do projeto

Um dos momentos mais icônicos da história do rock nasceu justamente durante as filmagens de Let It Be. Em 30 de janeiro de 1969, os Beatles realizaram um show surpresa no topo da sede da Apple Corps, em Londres.

A apresentação entrou para a história como a última performance pública da banda. Durante o concerto, a polícia chegou a interromper o evento após reclamações sobre o barulho vindo da região. Mesmo assim, o show acabou se transformando em uma das imagens mais emblemáticas da cultura pop do século XX.

5. Phil Spector alterou profundamente o som do disco

Depois de meses parado, o projeto foi entregue ao produtor Phil Spector, conhecido pelo chamado “Wall of Sound”. Ele adicionou orquestras, corais e overdubs pesados em diversas faixas do álbum, alterando significativamente a proposta original das gravações.

As mudanças desagradaram especialmente Paul McCartney, que criticou publicamente o tratamento dado à música The Long and Winding Road

Décadas depois, McCartney participou do lançamento de Let It Be... Naked, versão que remove grande parte das intervenções de Spector e tenta recuperar a ideia inicial do projeto “Get Back”.

Let It Be continua sendo um dos álbuns mais simbólicos da história do rock. Ao mesmo tempo em que registra o desgaste interno que levou ao fim dos Beatles, o disco também preserva momentos fundamentais da trajetória da banda e algumas das músicas mais conhecidas do grupo.

Entre conflitos, mudanças criativas e apresentações históricas, o álbum acabou se transformando em um retrato definitivo do encerramento de uma das maiores bandas de todos os tempos.


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