
Em diferentes épocas e contextos culturais, estilistas e empresárias transformaram a indústria da moda com ideias ousadas. Muitas vezes abrindo caminho em um mercado que nem sempre esteve disposto a reconhecer seu talento.
Algumas revolucionaram silhuetas, outras transformaram roupas em manifestações artísticas ou políticas. Há ainda aquelas que construíram impérios globais e redefiniram a relação entre moda, poder e cultura pop.
Para celebrar o Dia Internacional da Mulher, vale relembrar algumas das mulheres que ajudaram a construir a moda como conhecemos hoje.
1. Coco Chanel

Poucas figuras mudaram tanto a moda quanto Coco Chanel. No início do século XX, Gabrielle Chanel (1883–1971) libertou as mulheres dos espartilhos e ajudou a transformar o guarda-roupa feminino em algo mais prático, confortável e moderno.
Chanel começou a carreira desenhando chapéus e ganhou notoriedade quando a atriz teatral Gabrielle Dorziat apareceu usando uma de suas criações em cena. A partir daí, sua estética minimalista e elegante conquistou a elite europeia e redefiniu padrões da moda feminina.
Principais contribuições:
- O icônico “pretinho básico”
- O tailleur de tweed
- A bolsa matelassê com corrente
- O perfume Chanel Nº 5
2. Ann Lowe

Nascida em 1898, Ann Lowe enfrentou barreiras raciais em uma época de forte segregação nos Estados Unidos, mas conquistou espaço na história da moda graças à sua técnica impecável de costura à mão.
Ela se tornou a primeira estilista negra a ganhar reconhecimento na alta-costura americana, criando vestidos elaborados e sofisticados para a alta sociedade.
Entre suas criações mais famosas está o vestido de casamento de Jacqueline Kennedy Onassis. Durante décadas, no entanto, seu trabalho não recebeu o devido crédito, algo que só começou a ser reconhecido mais recentemente.
3. Elsa Schiaparelli

A estilista italiana Elsa Schiaparelli foi a grande rival criativa de Coco Chanel e uma das primeiras designers a tratar a moda como forma de arte. Entre suas criações mais emblemáticas estão peças desenvolvidas em parceria com o artista surrealista Salvador Dalí, que ajudaram a aproximar definitivamente moda e arte.
Inspirada pelo surrealismo, ela levou para as passarelas peças provocativas, inesperadas e cheias de humor. Décadas antes da moda conceitual se tornar tendência, Schiaparelli já experimentava com ideias que misturavam arte, escultura e vestuário.
4. Zuzu Angel

Zuzu Angel foi uma das estilistas brasileiras mais importantes da história. Ela levou referências culturais do Brasil para o exterior e ajudou a consolidar uma identidade própria na moda nacional.
Durante a ditadura militar, Zuzu transformou suas coleções em manifestações políticas, denunciando a repressão do regime. Suas roupas passaram a trazer símbolos de resistência, algo extremamente raro na indústria da moda na época.
Sua coragem e criatividade abriram caminho para que estilistas brasileiras usassem a moda também como ferramenta de posicionamento político.
5. Mary Quant

Mary Quant ajudou a definir o espírito da década de 1960 ao popularizar a minissaia e capturar a energia da juventude da chamada Swinging London.
Para ela, a moda deveria ser divertida, moderna e acessível, não restrita apenas à elite. Suas criações refletiam a liberdade cultural e comportamental que marcava aquela geração.
Com isso, a moda deixou de ser um universo exclusivo da alta sociedade e passou a dialogar diretamente com a cultura pop e com os jovens.
6. Estée Lauder

Mais do que estilista, Estée Lauder foi uma visionária do mercado de beleza. Ela revolucionou a forma como cosméticos eram vendidos e ajudou a transformar o setor em uma indústria global.
Em uma época em que poucas mulheres lideravam grandes empresas, Lauder construiu um império internacional e profissionalizou estratégias de marketing que hoje são padrão na indústria de beleza.
Sua trajetória ajudou a redefinir o papel das mulheres no mundo dos negócios.
7. Zelda Wynn Valdes

Zelda Wynn Valdes foi uma estilista afro-americana que vestiu grandes estrelas da música e do entretenimento, como Ella Fitzgerald e Josephine Baker. Mas não apenas isso: ela fundou a primeira loja de moda de luxo voltada para mulheres negras nos Estados Unidos, enfrentando diretamente o racismo e as barreiras sociais da época.
Seus vestidos valorizavam as curvas femininas e celebravam a sensualidade com elegância, tornando-a uma pioneira no mercado de moda de luxo.
8. Vivienne Westwood

Vivienne Westwood ficou conhecida por transformar rebeldia em moda. Foi ela quem levou a estética punk para o universo da moda de luxo.
Misturando alfaiataria britânica tradicional com elementos provocativos, como couro, correntes e spikes, suas criações desafiavam o conservadorismo e questionavam padrões sociais. Mais do que roupas, suas peças funcionavam como verdadeiros manifestos culturais.
9. Miuccia Prada

Miuccia Prada assumiu a marca familiar de bolsas e a transformou em uma das grifes mais influentes do mundo.
Conhecida por seu olhar intelectual sobre a moda, ela apostou em tecidos inesperados, como o náilon, e combinou referências culturais, minimalismo e inovação. Nas décadas de 1990 e 2000, consolidou-se como uma das designers mais respeitadas da indústria global.
10. Donatella Versace
Após a morte de seu irmão Gianni Versace, Donatella assumiu a direção criativa da marca e conseguiu preservar a identidade ousada da grife italiana.
Com uma estética marcada por glamour, sensualidade e referências pop, ela se destacou como uma das poucas mulheres a liderar uma grande casa de moda internacional.
Hoje, Donatella Versace é vista como símbolo de poder feminino dentro da indústria, mostrando que é possível ocupar o topo da moda com personalidade e autenticidade.
Ao longo da história, essas mulheres provaram que a moda vai muito além de tendências ou estética. Suas criações ajudaram a refletir mudanças sociais, desafiaram padrões de comportamento e abriram caminhos para novas gerações de profissionais dentro da indústria.

