Quiet luxury: o que é a tendência e por que ela domina a moda e a cultura
logo atlântida

AO VIVO

Comportamento

TENDÊNCIA

Quiet luxury: o que é a tendência e por que ela domina a moda e a cultura

Tendência prioriza qualidade, discrição e peças atemporais sem logotipos visíveis.

04/03/2026 - 13h11min

Quiet luxury: o que é a tendência e por que ela domina a moda e a cultura / Reprodução

O luxo já foi expressado por grandes logotipos, estampas memoráveis e peças que comunicavam status à distância. Hoje, as coisas mudaram. O que define sofisticação é justamente o contrário: discrição, qualidade e ausência de ostentação. Esse movimento é conhecido como quiet luxury, ou luxo silencioso, em português.

A tendência valoriza peças atemporais, cortes discretos e tecidos nobres, mas sem marcas visíveis. A ideia não está em “mostrar quanto custa”, e sim em demonstrar repertório, conhecimento e pertencimento a um universo onde o reconhecimento é sutil: é o luxo que não precisa se explicar.

De onde vem o quiet luxury?

Embora o termo tenha ganhado força recentemente, o conceito não é novo. Ele tem raízes no minimalismo dos anos 1990, quando estilistas como Calvin Klein consolidaram uma estética baseada em linhas limpas, cores neutras e sofisticação discreta.

Marcas tradicionais do alto luxo sempre seguiram essa lógica. A italiana Loro Piana construiu sua reputação com matérias-primas raras e acabamentos impecáveis, enquanto Brunello Cucinelli transformou o cashmere em símbolo de elegância silenciosa. O valor nunca esteve no logotipo, mas na excelência do produto.

Brunello Cucinelli | Milão | Inverno 2025 / Reprodução

O termo “quiet luxury”, no entanto, explodiu culturalmente após a popularização da estética da série Succession. Os personagens bilionários vestem peças aparentemente simples, suéteres neutros, alfaiataria precisa, paletas sóbrias, que custam milhares de dólares, mas não carregam marcas evidentes. 

Apesar da estética minimalista e aparentemente “simples”, o quiet luxury está longe de ser acessível. Suas principais representantes são casas de alto luxo como Loro Piana, Hermès, Max Mara, The Row e Bottega Veneta, cujas peças podem alcançar valores inacessíveis para a maior parte da população. A tendência também transita pelas passarelas de grifes como Miu Miu e Prada, além de aparecer com frequência nos tapetes vermelhos, reforçando que o luxo silencioso pode até parecer despretensioso.

Por que virou tendência agora?

O crescimento do quiet luxury está diretamente ligado ao contexto contemporâneo. Após a pandemia, o consumo passou por uma transformação. A busca por durabilidade e peças atemporais ganhou espaço diante do excesso e da obsolescência rápida.

Ao mesmo tempo, as redes sociais intensificaram um ciclo de tendências acelerado e muitas vezes saturado. Depois de anos marcados por logomania e ostentação digital, surgiu uma fadiga estética. O luxo silencioso aparece como reação ao exagero, menos exibição e mais refinamento.

Há também um fator simbólico importante. O quiet luxury dialoga com o imaginário do old money”, a ideia de riqueza consolidada, herdada, que não precisa provar poder financeiro. Diferente do consumo performático, ele opera por códigos internos. É uma linguagem de reconhecimento entre pares.

Qual o impacto cultural do luxo silencioso?

O impacto vai além do guarda-roupa. O quiet luxury influencia campanhas publicitárias, posicionamento de marca e comportamento de consumo. A comunicação fica mais minimalista. A narrativa migra do preço para o processo, da ostentação para a história, da tendência para a atemporalidade.

Culturalmente, o movimento também levanta questionamentos. Trata-se de um avanço rumo ao consumo consciente e à valorização da qualidade? Ou é apenas uma nova forma de sinalizar status, agora de maneira mais sofisticada e menos explícita?

Oferecimento: Unilasalle. Seu lugar de viver o sonho da graduação.