Hoje o torcedor reclama do árbitro de vídeo. Ontem, reclamava da falta dele.
Muito antes da tecnologia chegar ao futebol, os árbitros precisavam decidir tudo em questão de segundos. Em alguns casos, essas decisões ficaram marcadas para sempre na história das Copas do Mundo.
Entre gols que entraram e não valeram, bolas que não entraram e valeram, impedimentos ignorados e até uma mão que o mundo inteiro viu, os Mundiais colecionam lances que seguem rendendo discussão décadas depois.

O gol fantasma
A final da Copa do Mundo de 1966, ocorrida na Inglaterra, já era histórica quando ganhou um capítulo que seria debatido por gerações.
Na prorrogação, com o placar empatado em 2 a 2, o atacante inglês Geoff Hurst chutou, a bola bateu no travessão, quicou próximo à linha e voltou para o campo.
O árbitro suíço Gottfried Dienst consultou seu assistente de campo e validou o gol.
Até hoje existe debate sobre se a bola cruzou completamente a linha. O lance ficou conhecido como "Gol Fantasma" e ajudou a Inglaterra a conquistar o único título mundial de sua história, justamente em casa.
A mão que entrou para a história
Poucos lances são tão famosos quanto a "Mão de Deus".
Nas quartas de final da Copa de 1986, no México, Diego Maradona disputou uma bola pelo alto com o goleiro inglês Peter Shilton e utilizou a mão para marcar um dos gols da vitória argentina por 2 a 1.
Nem o árbitro nem os assistentes perceberam a infração.
Após a partida, Maradona eternizou o lance ao dizer que o gol havia sido marcado "um pouco com a cabeça de Maradona e um pouco com a mão de Deus". Poético, né?
Quando a bola entrou, mas não valeu
Se em 1966 a discussão era se a bola entrou ou não, em 2010 não havia dúvida alguma.
Nas oitavas de final entre Alemanha e Inglaterra, o craque inglês Frank Lampard acertou um chute que encobriu o goleiro alemão Manuel Neuer. A bola bateu no travessão e ultrapassou claramente a linha do gol antes de voltar ao campo.
O lance aconteceu diante dos olhos do trio de arbitragem, mas o gol não foi validado. As imagens mostraram depois que a bola entrou cerca de meio metro.
A Inglaterra acabou derrotada por 4 a 1, e o episódio aumentou a pressão para que a FIFA adotasse tecnologias capazes de auxiliar a arbitragem. Pouco tempo depois, surgiu a tecnologia da linha do gol.
E hoje, o VAR resolveu tudo?
Nem de longe. É claro que a tecnologia reduziu erros gritantes e ajudou a corrigir diversos lances decisivos, mas não eliminou as discussões.
Pênaltis interpretativos, cartões vermelhos e impedimentos milimétricos continuam dividindo opiniões em qualquer rodada de Copa do Mundo.
O que mudou foi a forma da reclamação. Antes, o torcedor culpava apenas o árbitro.
Agora, culpa o árbitro, o VAR, as linhas traçadas na tela e, às vezes, até a câmera.
Porque se existe uma tradição tão antiga quanto a própria Copa do Mundo, é discutir arbitragem depois do apito final.
A cobertura de Copa em Atlântida tem patrocínio de FATAL MODEL | HS CONSÓRCIOS | SNICKERS e apoio de FRANGOS NAT | KEEP COOLER.

