A morte de Eric Dane aos 53 anos reacendeu o debate sobre a esclerose lateral amiotrófica (ELA), doença neurodegenerativa progressiva e ainda sem cura. O ator, conhecido por viver o Dr. Mark Sloan em Grey’s Anatomy e por seu papel em Euphoria, morreu na quinta-feira (19), cerca de dez meses após tornar público o diagnóstico.
Em comunicado divulgado à imprensa, a família informou que Dane enfrentou a doença de forma “corajosa”, cercado pela esposa e pelas filhas, Billie e Georgia. Desde que revelou a condição, em abril de 2025, o ator passou a usar sua visibilidade para defender a ampliação de investimentos em pesquisa e tratamento da ELA.
O que é a ELA?
A esclerose lateral amiotrófica é uma doença neurodegenerativa que atinge os neurônios motores, células responsáveis por transmitir os comandos do cérebro aos músculos. Com a progressão do quadro, esses neurônios se desgastam e morrem, interrompendo a comunicação com o corpo e levando à perda gradual dos movimentos.
O próprio nome descreve a condição:
- Esclerose: endurecimento;
- Lateral: região da medula espinhal afetada;
- Amiotrófica: atrofia muscular decorrente da perda de estímulos nervosos.
Também conhecida como doença de Lou Gehrig ou doença de Charcot, a ELA compromete funções básicas como andar, falar, engolir e, em estágios mais avançados, respirar.
Quais são os sintomas?
Os primeiros sinais costumam ser sutis e variam de pessoa para pessoa. Entre os sintomas mais comuns estão:
- Fraqueza muscular, geralmente em um lado do corpo;
- Cãibras e espasmos musculares;
- Dificuldade para segurar objetos ou realizar tarefas simples;
- Fala arrastada ou rouquidão;
- Engasgos frequentes;
- Perda de peso;
- Dificuldade para respirar.
Apesar do avanço físico da doença, as funções cognitivas e os sentidos geralmente permanecem preservados.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é considerado complexo e pode levar meses. Não existe um exame único capaz de confirmar a ELA. O processo envolve:
- Avaliação clínica detalhada e histórico médico;
- Exame neurológico;
- Eletroneuromiografia (ENMG);
- Exames laboratoriais para descartar outras doenças;
- Ressonância magnética;
- Avaliação com neurologista especializado.
Em média, a sobrevida após o diagnóstico varia entre três e cinco anos, embora existam exceções. Um dos casos mais conhecidos mundialmente foi o do físico Stephen Hawking, que conviveu com a doença por mais de cinco décadas.
Existe cura?
Não. A ELA ainda não tem cura. Os tratamentos disponíveis buscam retardar a progressão dos sintomas e oferecer qualidade de vida, com apoio multidisciplinar que inclui medicamentos, fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e suporte respiratório.
Cerca de 10% dos casos têm origem genética. A doença é mais comum entre pessoas de 55 a 75 anos, e suas causas exatas ainda não são totalmente compreendidas.
A trajetória de Eric Dane, que seguiu trabalhando mesmo após o diagnóstico e passou a defender mais recursos para pesquisa, transformou sua batalha pessoal em um chamado público por mais informação, investimento científico e apoio aos pacientes que enfrentam a mesma condição.

