“Chorão: Só os Loucos Sabem” : tudo o que você precisa saber sobre a cinebiografia estrelada por José Loreto
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“Chorão: Só os Loucos Sabem” : tudo o que você precisa saber sobre a cinebiografia estrelada por José Loreto

O longa estrelado por José Loreto foi exibido no Festival de Cinema de Gramado e chega aos cinemas em março de 2027

20/08/2026 - 11h03min

Atualizada em: 20/08/2026 - 11h04min

A espera parece longa, mas o momento de assistir Chorão: Só Os Loucos Sabem está cada vez mais perto. Estrelado por José Loreto como Alexandre Magno Abraão, o Chorão o e Fernanda Marques como Graziela Gonçavels, o filme tem previsão de lançamento em março de 2024 e teve sua primeira exibição no Festival de Cinema de Gramado. Ironia do destino ou não, no mesmo estado do Planeta Atlântida, o festival de música que a banda mais se apresentou.

Foi nessa oportunidade que a Rede Atlântida assistiu o filme e vai te contar detalhes sobre essa obra cinematográfica. 

Reprodução/Instagram
Elenco do filme 'Chorão: Só Os Loucos Sabem', no Festival de Cinema de Gramado.

Confira 8 detalhes importantes sobre o longa 'Chorão: Só Os Loucos Sabem'

1. Direção

O filme foi dirigido por Hugo Prata, conhecido pelo seu trabalho em Elis (2016), e Felipe Novaes, que além de diretor, é produtor e roteirista. Os dois trablharam juntos no aclamado documentário Chorão: Marginal Alado (2019), disponível na Netflix, e o longa marca esse retorno para o universo de Charlie Brown Jr.

2. Roteiro

Baseado na obra de Graziela Gonçalves, “Se não eu quem vai fazer você feliz? Minha história de amor com chorão”, a assinatura do roteiro é de Duda Almeida, que já trabalhou com Hugo Prata em Angela (2023). Além disso, é roteirista de Sintonia, a primeira série brasileira da Netflix a atingir o top 1 global.

3. Enredo

O filme abre com um questionamento sobre quem salva um artista que salva e inspira todo mundo, numa proposta de narração na qual a Grazi conta a história pelo ponto de vista dela. 

Por mais que isso se perca em alguns momentos do filme, as percepções pessoais de Grazi acerca da vida de Chorão se tornam um fio condutor para a história que inicia quando o cantor se muda para Santos. A partir daí, o filme retrata as amizades, o skate e a banda, mas não revela detalhes e nem contexto que são importantes para entendimento da cronologia, sem necessariamente ter conhecimento prévio.

Os integrantes da banda são pouco retratados, com exceção do Champignon, que mostra a sua relação boa e depois conturbada com Chorão. 

Outra ponta que fica solta é o primeiro casamento dele com Thais de Lima, em 1990, quando teve o Alexandre  o seu único filho. A morte de dois amigos e a do pai aparecem e mostram como o cantor ficou depois desses acontecimentos significativos.

Reprodução/TV Gramado

4. Nanda e José ou Grazi e Chorão?

A conexão dos dois, que desde as gravações do filme também são um casal, deixam as cenas cheias de química. Um ponto positivo do filme foi mostrar a Grazi como a musa inspiradora que ele mesmo dizia que ela era. Chorão parecia considerar a Grazi como a religião dele, uma pessoa que ele sempre escutaria. Esse sentimento foi explorado.

5. Imagens de shows

Faz um ano que as primeiras imagens de José Loreto caracterizado de Chorão saíram na mídia. Querendo ou não, essas aparições geraram expectativas em como as apresentações da Charlie Brown Jr. seriam retratadas.

No filme, são poucas imagens de shows que aparecem e todas aparentam ser no mesmo lugar, o que dá uma sensação de repetição, ainda mais pra quem conhece a história da banda.

6. Conexão com Planet Hemp

Um show do Planet Hemp em Santos foi o divisor de águas pra banda. Até esse momento, a banda apresentava músicas em inglês porque, segundo o Chorão, que era o compositor, não tinha como escrever rock pesado em português. 

Suas influências, assim como de Marcelo D2 e BNEGÃO, eram Suicidal Tendencies e Pantera e foi nessa noite, em meados dos anos 1990, que eles se conheceram, puderam conversar e Charlie Brown Jr. fez a abertura do show do Planet. Quem apresentou a banda pro cantor foi a Grazi, que conta no livro que foi a assessora da banda e realizou esse encontro. Ela conta que depois dessa oportunidade Alexandre assimilou as informações do jeito dele e passou a escrever em português, usando referências skate punk, reggae e hip hop também. 

No filme, isso é retratado em uma cena curta, levando em consideração a história real, e a abertura do show não aparece.

7. Virada de chave

A grande virada de chave pra banda foi o contrato com o Rick Bonadio, em 1996. As negociações e compromissos que eles firmaram para o contrato existir são retratados no filme. Um deles é a disponibilidade de quase vinte e quatro horas dos artistas, ensaiando in loco no estúdio. A partir daí o filme faz um paralelo com ensaios e momentos da vida do cantor, mostrando como os seus “demônios internos” , termo citado no livro, falavam cada vez mais alto com ele depois de tantas situações traumáticas. Músicas como “Senhor do Tempo” e “Aquela Paz” ajudam a contar a história do Chorão com as apresentações em estúdio, ficando evidente a piora na saúde mental de Alexandre.

8. José Loreto como Chorão

José Loreto é o ponto alto do filme. Durante o longa, ele vai se transformando aos poucos no Chorão, com trejeitos e comportamentos extremamente parecidos com o que o público está acostumado ao lembrar do cantor. 

Em entrevista o GSHOW, no tapete vermelho durante a Premiere do filme em Gramado, Loreto falou que é o filme da vida dele.

Reprodução
José Loreto como Chorão, em 'Chorão: Só Os Loucos Sabem'.

Uma percepção, mas não necessariamente uma crítica

A principal ponta aberta é a falta de informações sobre o que fez Chorão ser o Chorão. O filme deixa de mostrar a genialidade dele, tão citada no livro. O processo criativo da construção das letras, as inspirações para as músicas, a cronologia dos álbuns e construção deles também, são tópicos que não foram abordados no longa. 

Por ser uma biografia, Chorão ser compositor e, inevitavelmente, o líder da banda, faltou mostrar a sua essência e como a música era a ponte para entender a sua interpretação de mundo. 

As letras de Charlie Brown Jr são atemporais e muitas falam sobre a fé que ele construiu ao longo do tempo. Existe uma história contada no livro onde a Grazi conta como isso se desenvolveu:

“Toda essa revolta me assustava um pouco, afinal, havia tanto amor dentro daquele cara, como ele podia pensar assim? Eu sabia que o Alê dificilmente leria por vontade própria livros que tratavam da questão da espiritualidade, e então decidi começar a fazer isso para ele. Nos fins de semana, eu já levava um livro de casa na bolsa, e antes de a gente dormir lia em voz alta até pegarmos no sono. Era muito legal ver aquelas histórias sendo absorvidas com avidez, que os ensinamentos que o Alê escutava estavam conseguindo dar um sentido diferente para muitas coisas que pensava e foram como sementes para o conceito pessoal de fé que ele desenvolveu ao longo da vida”.

O filme será lançado nos cinemas no dia 4 de março de 2027.

Sobre Chorão

Alexandre nasceu em Tremembé, mas se mudou pra Santos aos 17 anos. Junto com a Charlie Brown Jr., vendeu mais de 5 milhões de discos e deixou um legado para o rock nacional. O músico morreu aos 42 anos, em 2013, após uma overdose de cocaína, deixando o seu filho, Alexandre.


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