
Desde que estreou na Netflix, Mensagens para Isabelle (Voicemails for Isabelle) conquistou o público e rapidamente entrou para a lista dos filmes mais assistidos da plataforma. Com romance, humor e uma história emocionante sobre luto, o longa estrelado por Zoey Deutch e Nick Robinson tem despertado uma dúvida entre os espectadores: afinal, a história aconteceu de verdade?
A resposta é não. Os acontecimentos vividos por Jill e Wes são fictícios. No entanto, a diretora e roteirista Leah McKendrick revelou que a ideia nasceu de experiências pessoais, principalmente da relação que tem com a própria irmã e de um episódio marcante que presenciou durante uma apresentação de stand-up.
A história de Mensagens para Isabelle
No filme, Jill é uma confeiteira que tenta seguir em frente após a morte da irmã mais nova, Isabelle. Como forma de lidar com o luto, ela continua ligando para o antigo número de telefone da irmã e deixa longas mensagens de voz contando sobre seus dias, suas frustrações e seus sentimentos.
O que Jill não sabe é que o número foi transferido para outra pessoa. Quem passa a receber todos os áudios é Wes, um corretor de imóveis que, aos poucos, se encanta pela personalidade da desconhecida antes mesmo de conhecê-la pessoalmente.
A partir desse encontro improvável, o longa constrói uma história sobre amor, perda, recomeços e as conexões inesperadas que podem surgir nos momentos mais difíceis da vida.
A inspiração surgiu durante um show de comédia
Em entrevista à revista People, Leah McKendrick contou que a ideia do filme surgiu de maneira completamente inesperada.
Ela assistia a uma apresentação de stand-up quando uma humorista brincou sobre os áudios enormes que recebia do pai, contando histórias completamente banais do dia a dia.
Logo depois, outra comediante entrou no palco e respondeu:
Que bom que seu pai te liga. O meu não me liga há três anos.
LEAH MCKENDRICK
Segundo Leah, o público ficou completamente em silêncio.
Então veio a continuação da piada:
Ele morreu.
LEAH MCKENDRICK
"Eu fui a única pessoa que riu", relembrou a diretora à People. "Foi naquele momento que comecei a pensar nessa ideia."
A cena ficou na cabeça da cineasta por dias. Ela começou a imaginar como diferentes pessoas lidam com a ausência de alguém querido.
A relação com a irmã foi fundamental para criar a história
Foi então que Leah percebeu que, se perdesse sua irmã mais nova, provavelmente não ficaria esperando uma ligação dela. Em vez disso, faria exatamente o contrário: continuaria ligando para ela.
"Percebi que, se minha irmã morresse, eu seria a pessoa que continuaria ligando para o telefone dela", contou.
Na vida real, a diretora sempre teve uma relação muito próxima da irmã. Quando ela se mudou para Nova York para estudar, Leah costumava enviar mensagens de voz enormes contando sobre sua rotina, seus relacionamentos, suas frustrações e as dificuldades de construir uma carreira em Hollywood.
Esses áudios espontâneos acabaram servindo de inspiração para a personalidade de Jill.
Um romance construído a partir da vulnerabilidade
Além da relação entre as irmãs, outro elemento do filme nasceu das próprias experiências da diretora.
Leah explicou que gostava da ideia de alguém conhecer outra pessoa primeiro por meio de suas vulnerabilidades.
Eu pensava: como seria se alguém ouvisse todos os meus piores desabafos? Todas as minhas mensagens mais bagunçadas e sinceras?
LEAH MCKENDRICK
Para ela, se uma pessoa fosse capaz de se apaixonar justamente por essa versão imperfeita e sem filtros, esse sentimento seria genuíno.
Foi essa ideia que deu origem ao romance entre Jill e Wes.
"Se você conhece o amor verdadeiro..."
Outro aspecto importante do filme é a relação entre as irmãs, construída a partir da própria vivência de Leah McKendrick.
Durante a entrevista, ela afirmou que ter crescido experimentando um amor tão forte dentro da família mudou completamente a forma como enxerga os relacionamentos.
Acho que, quando você conhece o amor verdadeiro dentro da sua família, não se contenta com pouco quando procura esse amor em um relacionamento romântico.
LEAH MCKENDRICK
Ela completou:
Algumas pessoas nunca sabem como é sentir esse amor verdadeiro. Eu tive esse privilégio desde que minha irmã nasceu, quando eu tinha quatro anos. Desde que ela chegou em casa, eu sei exatamente como é amar alguém dessa forma.
LEAH MCKENDRICK
Uma história fictícia que emociona justamente por parecer real
Embora Mensagens para Isabelle não conte uma história real, o filme é construído sobre emoções e experiências genuínas da própria diretora. O luto, a saudade, a necessidade de manter vivo o vínculo com quem partiu e a busca por um amor que aceite nossas imperfeições fazem parte da essência da obra.

