
A cinebiografia Michael, que conta a história de vida e carreira de Michael Jackson, chegou aos cinemas brasileiros na terça-feira (22), após pré-estreias ao longo da semana.
Protagonizado por Jaafar Jackson, o longa percorre desde os primeiros passos do artista com até momentos marcantes da carreira solo. Mas, como acontece em praticamente toda cinebiografia, nem tudo ali aconteceu exatamente daquele jeito.
O que o filme acerta na história de Michael Jackson
Um dos aspectos mais próximos da realidade é a relação de Michael com o pai, Joe Jackson.
O longa mostra um ambiente rígido e controlador dentro de casa, algo que o próprio cantor confirmou diversas vezes ao longo da vida, relatando episódios de agressão durante a infância. Ainda assim, o filme evita aprofundar os momentos mais extremos, optando por uma abordagem menos pesada.
Outro ponto bem retratado é a importância da Motown Records na carreira do artista e o papel fundamental de Suzanne de Passe no desenvolvimento do Jackson 5, mesmo que o encontro com o grupo tenha sido adaptado para a narrativa.
A produção também acerta ao mostrar elementos que ajudaram a construir a imagem pública de Michael, como a mudança de idade para parecer mais jovem e o impacto cultural de músicas como Billie Jean, que ajudaram a ampliar a presença de artistas negros na MTV.
O que foi adaptado ou alterado para o cinema
É nas escolhas narrativas que o filme mais se distancia da realidade.
A ascensão do Jackson 5, por exemplo, aparece de forma mais rápida e direta do que foi na prática. O processo real envolveu mais etapas e negociações até o sucesso.
Outro ponto importante é a primeira cirurgia plástica do cantor. No filme, ela surge como uma decisão estética, enquanto Michael afirmou que a rinoplastia aconteceu após um acidente durante um ensaio.
Cenas ligadas à criação de músicas, como Beat It, também são apresentadas com um toque mais dramático, condensando processos criativos que, na vida real, foram mais complexos.
Até momentos de confronto, como o rompimento com o pai como empresário, aparecem com mais intensidade emocional do que os relatos indicam.
Mesmo com adaptações, o longa preserva aspectos mais íntimos da vida do artista.
A relação com Bill Bray, chefe de segurança que se tornou amigo próximo e confidente, é retratada de forma fiel ao vínculo que existiu por décadas.
O filme também mostra o lado mais pessoal de Michael, incluindo o carinho por animais, como o chimpanzé Bubbles, e a construção de uma imagem que ia além da música.
O acidente com a Pepsi
Um dos momentos mais marcantes incluídos na narrativa é o acidente durante a gravação de um comercial da Pepsi, em 1984, quando Michael sofreu queimaduras graves.
O episódio é retratado no filme junto com a doação da indenização, embora não aprofunde todas as consequências que o acidente teve na vida do artista.
Dirigido por Antoine Fuqua e com roteiro de John Logan, “Michael” segue uma linha já conhecida: respeita os grandes acontecimentos, mas reorganiza detalhes para construir uma narrativa mais fluida e emocional.

