
Os videogames são uma forma popular de entretenimento, oferecendo estímulo mental, relaxamento e conexão social para milhões de pessoas ao redor do mundo. No entanto, para uma parcela dos usuários, o que começa como um passatempo divertido pode evoluir para um comportamento compulsivo.
Nesse cenário, a classificação do distúrbio de jogos como uma condição de saúde mental pela OMS trouxe à tona a necessidade de debatermos os limites do uso saudável. É fundamental compreender que a maioria dos jogadores mantém uma relação equilibrada com os games, mas estar atento aos sinais de excesso é crucial para a prevenção. É isso que nós vamos explicar ao longo deste texto.
O reconhecimento oficial e os sinais de alerta
Desde 2022, a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu o distúrbio de games na Classificação Internacional de Doenças (CID-11), validando a preocupação de especialistas da área. Essa mudança não visa demonizar os jogos, mas sim facilitar o diagnóstico e o acesso a tratamento para quem realmente precisa, padronizando os protocolos de saúde.
O principal sinal de alerta, segundo os critérios estabelecidos, é a perda de controle sobre o tempo e a frequência das sessões de jogo. O indivíduo passa a priorizar o game em detrimento de outras atividades vitais e interesses que antes eram valorizados em sua rotina diária.
Além disso, um indicativo claro do transtorno é a continuidade ou a intensificação do hábito de jogar, mesmo diante da ocorrência de consequências negativas evidentes. Isso pode se manifestar, por exemplo, quando a pessoa percebe prejuízos nos estudos, no trabalho ou nas relações familiares, mas se sente incapaz de parar.
Fatores físicos e emocionais envolvidos
Ao analisarmos as causas, percebemos que o vício em jogos muitas vezes funciona como uma válvula de escape para problemas mais profundos, como ansiedade, depressão ou dificuldades sociais. O ambiente virtual oferece um sistema de recompensas rápidas, liberando dopamina e gerando uma sensação de prazer que o cérebro passa a buscar incessantemente.
Por outro lado, o impacto físico dessa dependência não deve ser ignorado, manifestando-se através de distúrbios do sono, fadiga e até descuido com a higiene pessoal. O sedentarismo prolongado e a má postura durante as partidas podem levar a lesões por esforço repetitivo e dores crônicas nas articulações.
Também observamos alterações comportamentais significativas, como irritabilidade intensa ou agressividade quando o acesso aos jogos é interrompido ou limitado. A negação do problema é frequente, levando o indivíduo a mentir para amigos e familiares sobre a quantidade real de tempo gasto jogando.
A importância do equilíbrio e da prevenção
Vale considerar que jogar videogame pode trazer benefícios cognitivos, como melhora na memória e no foco, quando praticado de forma moderada. O problema reside na exclusividade dessa atividade, portanto, a prevenção passa pelo incentivo à diversificação das fontes de prazer e lazer.
Para crianças e adolescentes, o controle do tempo de tela é uma medida necessária, mas deve vir acompanhado da oferta de outras atividades prazerosas que exercitem o corpo e a mente. O diálogo aberto e o exemplo dos pais são ferramentas mais eficazes do que a simples proibição, que pode gerar afastamento.
Nós entendemos que a gamificação pode até ser usada de forma positiva na educação, desde que haja um objetivo claro e não apenas o entretenimento pelo entretenimento. O objetivo é integrar os jogos à vida de forma harmônica, sem que eles substituam as interações reais e o desenvolvimento pessoal.
Caminhos para o tratamento e recuperação
Quando a linha do lazer é cruzada e a dependência se instala, o primeiro passo para a recuperação é o reconhecimento da existência do problema, o que muitas vezes é a parte mais difícil. A superação do vício exige, frequentemente, suporte profissional especializado para lidar tanto com a compulsão quanto com as questões emocionais subjacentes.
O tratamento pode envolver psicoterapia, que auxilia na reestruturação da rotina e na identificação dos gatilhos que levam ao uso excessivo dos jogos. Em alguns casos, a intervenção familiar estruturada e amorosa é necessária para romper a barreira da negação e motivar a busca por ajuda.
Além disso, a reintegração social e a retomada de hábitos saudáveis são pilares fundamentais para evitar recaídas e garantir uma melhora sustentável. O apoio contínuo de pessoas próximas cria um ambiente seguro para que o indivíduo reaprenda a viver com equilíbrio.
