Roupa feita de abacaxi? Entenda o hype que resgata a sabedoria ancestral para transformar lixo em moda
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Roupa feita de abacaxi? Entenda o hype que resgata a sabedoria ancestral para transformar lixo em moda 

Conheça a tecnologia que transforma a xepa da feira em biomateriais. É zero sofrimento animal, poupa meses do seu consumo de água e conquistou marcas como Calvin Klein e Hugo Boss

11/06/2026 - 12h09min

Atualizada em: 11/06/2026 - 12h11min

Só de ter uma ecobag no seu lookinho ou comprar em brechó, você já tá no caminho certo. Agora, se você quer ser a queen da moda sustentável, precisa conhecer uma tecnologia que, literalmente, é capaz de produzir roupas com a xepa (os restos) da feira.

Reprodução/Ananas Anam
Tecnologia capaz de produzir roupas a partir do Abacaxi.

A gente tá falando de ancestralidade

Lá no século XVII, durante o período colonial espanhol nas Filipinas, povos indígenas já transformavam a natureza em alta costura, produzindo um tecido fino como a seda, a partir da extração da fibra da folha do abacaxi.

E eu não tô falando da coroa do abacaxi, mas das folhas que nascem junto, ao redor da fruta mesmo. Sabe o traje nacional filipino, o Barong Tagalog? Ele é feito exatamente desse tipo de fio até hoje.

Inspirada nessa técnica ancestral e chocada com o impacto ambiental e as péssimas condições de trabalho da produção de couro animal, a pesquisadora espanhola Dra. Carmen Hijosa criou o primeiro “couro” bio, o  Piñatex®, e aprimorou a tecnologia do fio usado no Barong, para transformar essa sabedoria em escala industrial com o Piñayarn®.

Grandes marcas como Hugo Boss, H&M e a brasileira Insecta Shoes sacaram que não dá mais pra vestir a gente com plástico, e aderiram a Piñayarn na produção de algumas coleções. Um exemplo disso é o tênis Sustainable Knit Trainer, lançado em 2023 pela Calvin Klein. O cabedal dele é feito com 30% dessa fibra.

Reprodução/Calvin Klein
Tênis Sustainable Knit Trainer, lançado em 2023 pela Calvin Klein.

Por que isso é tão importante quanto comprar de brechó?

Além de reaproveitar o que a lavoura via como “lixo”, essa ação ainda:

  • Evita que toneladas de folhas sejam incineradas, o que liberaria cerca de 6 kg de CO2 na atmosfera para cada 1 kg de resíduo queimado.
  • Tem pegada hídrica zero na lavoura, porque as folhas já foram regadas para gerar o abacaxi que comemos.
  • Utiliza um processo de fiação a seco, que economiza  milhares de litros de água e, de quebra, também damos tchau para o uso de produtos químicos pesados como o cromo, usado nas lavagens de couro animal.
  • Mais uma economia de água que podemos contar é a da produção do boi. Segundo a Embrapa, para produzir 1kg de carne bovina, é preciso de cerca de 15 mil litros de água.
  • Também é zero sofrimento animal.

Pra ter uma dimensão do impacto, 1 kg de carne bovina equivale a cerca de 15 mil litros de água. É muita coisa! E nem sou eu que tô falando, é a Embrapa.

O brasileiro gasta em média 154 litros de água por dia, contando o que usa para beber, lavar louça, tomar banho, preparar comida... Nesse ritmo, 15 mil litros de água equivalem a pouco mais de 3 meses de vida de apenas um ser humaninho.

Agora, se cada um de nós, seres humanos, seguirmos a recomendação de uso racional da Sabesp, de que 100 litros de água por dia são suficientes para todas as necessidades básicas em casa, economizar 1 kg de couro animal é a mesma coisa que economizar 5 meses do meu e do seu consumo de água. Você tem noção do tamanho disso?

O que acontece quando a blusinha ou sapato de abacaxi ficam velhos?

Como eles são feitos de base de celulose de planta podem passar por uma reciclagem industrial têxtil, onde serão desfiados e transformados em novos fios para novas roupas.

Ou, se a peça for 100% de base biológica, misturada com algodão orgânico, por exemplo, ela pode até ir direto para a composteira e virar adubo para as suas plantinhas.

Tá impressionada? Porque eu fiquei a ponto de ter um alerta mental para a próxima vez que for escolher uma peça, lembrar do tamanho do impacto que tá na etiqueta. Fez sentido por aí?


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