
Nesta semana, enquanto todo mundo para pra ver quem leva a estatueta dourada do Oscar, tem um personagem roubando a cena nos bastidores: o Green Filming. Se tu acha que sustentabilidade no cinema é só canudinho de papel no set, tu achou errado. Em 2026, produzir de forma consciente virou o novo luxo em Hollywood.
Pelo terceiro ano, o relatório Climate Reality Check aplicou o teste de realidade nos indicados. E os números desse ano são históricos: 31% dos filmes reconheceram a crise climática na tela. Mas a verdadeira revolução acontece quando o diretor grita "corta!". É aí que entram os conceitos que estão mudando o jogo na indústria.
Peraí, “Green” o quê? Calma que eu te explico
O Green Filming é a sustentabilidade aplicada na prática, do "ação" ao "corta". Imagina um set de filmagem: tem caminhão, gerador a diesel ligado 24h, centenas de pessoas comendo e gerando lixo. O Green Filming entra pra trocar o diesel por baterias solares, eliminar o plástico descartável e garantir que o cenário não vire entulho no final, mas sim material doado ou reciclado. É o "como" o filme é feito.
E antes de irmos para os indicados, tu precisa entender mais um conceito: o GreenerLight. Criado pela Universal Pictures, ele vai um passo além, porque o foco não é só o lixo do set, mas o planejamento. Eles avaliam o filme desde o roteiro: "Dá pra trocar esse carro a combustão por um elétrico em cena?", "Podemos mostrar o protagonista usando uma ecobag?". É o marketing e a produção trabalhando juntos pra que o filme inspire quem assiste e, ao mesmo tempo, reduza os custos ambientais de transporte e energia. O filme Hamnet, que tu vai ouvir falar muito neste Oscar, é a grande aposta desse programa para 2026.
E por que eu me empolgo com isso?
Como atriz, eu sei que o figurino é a nossa segunda pele no set. No Green Filming, esse figurino muitas vezes é de segunda mão ou feito de fibras que não poluem. E como fotógrafa, o uso da luz natural (que o GreenerLight incentiva) não é só economia de energia, é uma escolha estética que deixa a imagem muito mais real.
5 destaques que tu não pode perder
Hamnet
A diretora Chloé Zhao já é conhecida por amar a luz natural (lembra de Nomadland?), mas em Hamnet ela elevou o nível. O filme utilizou as diretrizes do programa GreenerLight, eliminando o uso de plástico descartável, implementando um sistema de lixo zero no set, priorizando veículos elétricos no transporte da equipe e utilizando energia alimentada por geradores a diesel renovável e baterias de alta performance.
Bugonia
Em Bugonia, o diretor Yorgos Lanthimos provou que dá pra fazer um thriller de ficção científica sem torrar energia. Ao filmar com luz natural e película Kodak (que é reciclável e tem um processo de revelação mais limpo hoje em dia), ele evitou o uso de milhares de refletores potentes. O resultado é uma imagem com texturas orgânicas que o digital demora muito pra copiar, economizando horas de processamento de imagem nos computadores (que consomem muita luz).
Arco

Indicado a Melhor Animação, o filme é um manifesto de protopia, que é a ideia de que o futuro pode ser melhor se a gente começar a consertar as coisas agora, usando a tecnologia como aliada do planeta.
Diferente das animações 3D, que exigem fazendas de renderização funcionando 24h e precisam de ar-condicionado pesado pra não derreterem. O diretor Ugo Bienvenu utilizou técnicas de 2D e softwares franceses que demandam menos processamento digital, provando que a arte de alta qualidade pode ser energeticamente eficiente.
Avatar: Fogo e Cinzas
James Cameron já é conhecido por ser o diretor da infraestrutura verde. E no novo longa de Avatar, ele transformou os estúdios da Nova Zelândia em uma mini usina solar.
O filme recebeu o selo EMA Gold Seal por sua produção. (Pra tu ter uma ideia, esse é o reconhecimento máximo de sustentabilidade em Hollywood, garantindo que o filme seguiu padrões rígidos de baixo impacto ambiental, do início ao fim das gravações). O segredo?
Além dos sets 100% solares, ele implementou um catering vegano, reduzindo a pegada de carbono pela metade. Usou materiais biodegradáveis para criar os efeitos práticos de cena. Utilizou transporte mais ecológico para os deslocamentos da equipe e garantiu destino final de cada figurino.
O Agente Secreto

E não dá pra falar de Oscar 2026 sem o nosso baita orgulho nacional: O Agente Secreto.
O filme do Kleber Mendonça Filho com o Wagner Moura é uma aula de como o cinema pode ser sustentável sem frescura. Em vez de construir cidades cenográficas imensas (que consomem madeira, plástico e geram entulho), o Kleber usou o Recife real. A grande sacada foi unir o uso de prédios históricos com a "limpeza digital": em vez de montar estruturas físicas gigantes para recriar os anos 70, a equipe usou efeitos visuais para apagar fiações e prédios modernos.
Hollywood está mudando?
Como atriz e fotógrafa, eu vejo que o brilho de Hollywood tá mudando. O luxo agora é a transparência. Se tu parar pra pensar, a magia do cinema é criar mundos, né? Mas não faz sentido nenhum criar um mundo incrível na tela se o rastro que a produção deixa aqui fora é de destruição.
O que esses filmes estão nos mostrando é que a limitação gera criatividade. Usar o que já existe, como as ruas do Recife, ou apostar na luz natural, não serve só pra salvar o planeta, é o que dá pro filme aquela alma e aquela verdade que a gente sente quando assiste.
Pra mim, o grande vencedor deste domingo já tá escolhido: é o cinema que entende que, por mais que a história na tela seja ficção, o rastro que a produção deixa no mundo é real e tem que ser positivo.

