
Se você rolou o feed das redes sociais nos últimos dias, provavelmente se deparou com fotos da jaqueta que foi enterrada com Dinho, vocalista do Mamonas Assassinas. A imagem da peça, praticamente preservada após três décadas, despertou curiosidade, surpresa e até teorias sobre o que teria permitido que ela resistisse tanto tempo.
Em 1996, uma notícia parou o Brasil: um acidente aéreo interrompeu tragicamente a vida dos cinco integrantes da banda, Dinho, Bento Hinoto, Samuel Reoli, Sérgio Reoli e Júlio Rasec. No auge do sucesso, o grupo havia conquistado o país com seu humor irreverente e músicas que rapidamente viraram fenômeno popular.
Na época do enterro, os integrantes foram sepultados com objetos de valor sentimental. Agora, cerca de 30 anos depois, a exumação realizada para a construção do memorial em homenagem à banda revelou um detalhe inesperado: a jaqueta azul que acompanhava Dinho foi encontrada praticamente intacta.
A única mudança perceptível foi na cor, a peça perdeu parte da pigmentação original e hoje apresenta um tom rosado.
Seria um milagre? Na verdade, a explicação é bem mais científica: o material da jaqueta é nylon, uma fibra sintética derivada do petróleo que pode levar mais de 200 anos para se decompor completamente.
O que é nylon?
O nylon é uma fibra sintética produzida a partir de derivados do petróleo. Diferentemente de tecidos naturais, como algodão ou lã, que são biodegradáveis e tendem a se decompor com mais rapidez, o nylon pertence à família dos plásticos. Por isso, trata-se de um material extremamente resistente e estável, capaz de permanecer preservado por muitos anos, mesmo quando armazenado em condições consideradas adversas.
No caso da jaqueta, o cenário era ainda mais favorável para a conservação. Como estava enterrada, sem exposição direta à luz solar e em um ambiente relativamente isolado, a peça acabou protegida de alguns dos principais fatores que aceleram a degradação de tecidos e materiais sintéticos, como radiação ultravioleta, variações climáticas e contato constante com o ar.
Ou seja, apesar da aparência impressionante, a preservação da jaqueta não tem nada de sobrenatural. O que parece um mistério nas redes sociais é, na verdade, resultado das características do próprio material e das condições em que a peça permaneceu ao longo de três décadas, um detalhe curioso que acabou reacendendo a memória de uma das bandas mais marcantes da música brasileira.

