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Entenda se cursar Medicina na Argentina ou Paraguai ainda compensa financeiramente em 2026

A busca por mensalidades acessíveis e ingresso sem vestibular impulsiona a migração de estudantes brasileiros para países vizinhos, exigindo planejamento financeiro e acadêmico

05/02/2026 - 15h15min

Reprodução/Pexels
Entenda se cursar Medicina na Argentina ou Paraguai ainda compensa financeiramente em 2026.

Cursar Medicina é um sonho para muitos, mas os altos custos no Brasil, que já superam R$ 10 mil mensais em média, tornam essa meta inviável para grande parte da população. A alta concorrência nos vestibulares das universidades públicas também funciona como uma barreira significativa, frustrando vocações.

Diante desse cenário excludente, países vizinhos como Paraguai e Argentina surgem como rotas de fuga atraentes, oferecendo mensalidades até 88% mais baratas e métodos de ingresso facilitados. Essa alternativa atrai milhares de jovens, mas também impõe desafios de adaptação e incertezas sobre o futuro profissional.

Neste texto, nós vamos analisar os principais pontos que envolvem esse tema.

A migração impulsionada pelo custo

No Brasil, a mensalidade média nas faculdades particulares girou em torno de R$ 10.500 em 2025, podendo chegar a R$ 13 mil em instituições de ponta. Esse valor elevado, somado à dificuldade de financiamento, faz com que o investimento total no curso possa ultrapassar R$ 1 milhão.

Em contrapartida, o Paraguai apresenta custos mensais entre R$ 1.200 e R$ 1.500, atraindo uma comunidade de cerca de 30 mil estudantes de medicina, sendo 90% brasileiros. A economia na mensalidade é o principal motor dessa escolha, permitindo que famílias de classe média financiem o sonho de seus filhos.

A Bolívia também aparece como uma opção econômica na região, mas o Paraguai tem se destacado recentemente pela maior estabilidade econômica e pela proximidade geográfica e cultural com o Brasil.

A crise argentina e a mudança de rota

A Argentina, historicamente um destino favorito devido à gratuidade da Universidade de Buenos Aires (UBA), vive uma crise inflacionária que encareceu drasticamente o custo de vida para estrangeiros. Com a inflação anual beirando 290%, itens básicos como aluguel e alimentação sofreram reajustes que pesam no bolso dos estudantes.

A perda do poder de compra e a instabilidade cambial fizeram com que o real deixasse de ser tão competitivo frente ao peso argentino, tornando insustentável a permanência de muitos. Relatos apontam que aluguéis chegaram a subir 280%, forçando brasileiros a abandonarem o curso ou migrarem para outros países.

Nesse contexto, observa-se um movimento de transferência de estudantes da Argentina para o Paraguai, em busca de previsibilidade financeira. Cidades como Ciudad del Este, na fronteira, tornaram-se refúgios para quem não consegue mais arcar com os custos de vida em Buenos Aires.

Acesso acadêmico e desafios futuros

O modelo de ingresso nos países vizinhos difere radicalmente do brasileiro, pois elimina a barreira do vestibular eliminatório, facilitando o acesso imediato ao ensino superior. Na Argentina, o ingresso é irrestrito, mas exige aprovação no Ciclo Básico Comum (CBC), enquanto no Paraguai a matrícula em faculdades privadas é direta e sem provas.

Essa facilidade de entrada, contudo, esbarra no desafio final do Revalida, exame obrigatório e rigoroso para quem deseja atuar como médico no Brasil após a formatura. A qualidade do ensino varia entre as instituições, exigindo q.ue o aluno pesquise a infraestrutura e o reconhecimento do curso antes de se matricular.

Além das questões acadêmicas, a adaptação a um novo idioma e a distância da rede de apoio familiar são barreiras emocionais que exigem maturidade. A vivência internacional enriquece o currículo, mas cobra seu preço em termos de saudade e desafios culturais diários ao longo dos seis anos de curso


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