
Você começa a estudar, abre uma aba para pesquisar um conceito e, quando percebe, está assistindo a um vídeo curto no TikTok, respondendo mensagens no WhatsApp e checando uma notificação do Instagram que nem era urgente. Cenas como são cada vez mais comuns (e isso não é um bom sinal).
A distração digital se tornou um dos grandes desafios da era hiperconectada. Em um mundo dominado por notificações, feeds infinitos e estímulos visuais constantes, manter o foco virou quase um ato de resistência. Mas quais são os impactos reais desse excesso de estímulos no aprendizado? E o que a ciência já sabe sobre isso?
De 2016 a 2025: o que os estudos revelaram sobre o impacto das telas no aprendizado
Nos últimos dez anos, diferentes estudos sobre o uso excessivo de telas e estímulos rápidos vêm confirmando os riscos da hiperconectividade e da distração digital.
Em 2016, estudos publicados em revistas de Psicologia Educacional já indicavam que o uso de celular durante atividades acadêmicas estava associado a pior desempenho em avaliações e menor retenção de conteúdo. E, mesmo checagens rápidas de mensagens, eram suficientes para comprometer a compreensão do material estudado.
No ano seguinte, pesquisadores da Universidade do Texas em Austin aprofundaram o debate ao mostrar que a simples presença do smartphone (ainda que desligado) já reduz a capacidade cognitiva disponível para tarefas complexas. O fenômeno foi batizado de brain drain (drenagem cognitiva). A pesquisa também revelou que participantes que deixaram o celular fora do ambiente tiveram melhor desempenho em testes de memória e raciocínio.
Com a pandemia e o aumento expressivo do tempo de tela, o tema ganhou ainda mais urgência. Estudos publicados em 2020 na revista Computers in Human Behavior identificaram associação entre uso intenso de smartphone, maior dificuldade de autorregulação e impactos em concentração e foco sustentado entre jovens adultos.
E, mais recentemente, em 2025, pesquisas apresentadas em conferências internacionais de neurociência educacional reforçaram o padrão observado ao longo da década: ambientes marcados por múltiplos estímulos digitais dificultam a consolidação da memória e prejudicam o aprendizado significativo.
Tecnologia é vilã? Não exatamente.
O problema identificado nos estudos recentes está na interrupção constante e no consumo fragmentado, que impedem o cérebro de atingir estados de concentração profunda, fundamentais para memória de longo prazo e raciocínio complexo.
No entanto, as pesquisas não apontam a tecnologia como inimiga do aprendizado. Pelo contrário: ambientes digitais ampliam acesso à informação e personalizam experiências educacionais.
Mas, para dar certo, é preciso ter cautela.
O que fazer para mudar este cenário?
Especialistas sugerem estratégias práticas reduzir a distração digital:
- Estudar com o celular fora do alcance físico
- Desativar notificações não essenciais
- Criar blocos de foco estruturados
- Alternar consumo rápido com períodos de leitura profunda
No fim das contas, a discussão não é sobre abandonar a tecnologia, até porque isso seria irreal, mas sobre aprender a usá-la com consciência. Se as telas ampliam acesso, conectam pessoas e democratizam informação, também exigem maturidade no uso.
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