
O início do ano costuma trazer uma preocupação comum a muitos brasileiros: o acúmulo de contas e a fatura do cartão de crédito após as festas. Quem já precisou pagar apenas o valor mínimo sabe como essa dívida podia crescer descontroladamente no passado, mas desde janeiro de 2024, novas regras estão em vigor para tentar conter esse problema.
Apesar da legislação ter completado dois anos, muitas pessoas ainda têm dúvidas se a medida realmente estancou o endividamento ou se os juros continuam pesando no bolso. O cenário econômico de 2026, com a taxa Selic elevada, traz novos desafios para quem depende do crédito rotativo para fechar o mês. É isso que nós vamos explicar ao longo deste texto.
O fim da "bola de neve" e o teto de 100%
A principal mudança trazida pela regulamentação foi o estabelecimento de um limite para o crescimento da dívida. Antes, se uma pessoa deixasse de pagar a fatura, os juros acumulados podiam ultrapassar 400% ao ano, multiplicando o valor devido várias vezes.
Agora, a regra define que o valor total da dívida, somando juros e encargos, não pode exceder 100% do valor original. Na prática, isso significa que se você contrair uma dívida de R$ 100 no cartão, o banco não pode cobrar mais de R$ 200 no final, independentemente do tempo que passar. Essa medida foi desenhada para impedir que os débitos se tornem impagáveis e eternos.
A persistência dos custos elevados em 2026
Embora o teto limite o valor final da dívida, ele não eliminou a cobrança de juros mensais, que continuam altos no Brasil. Dados recentes mostram que, em operações de crédito para pessoas físicas, as taxas do rotativo voltaram a subir, registrando aumento no final de 2025.
Isso ocorre porque a taxa básica de juros da economia, a Selic, encontra-se em um patamar elevado, na casa dos 15% ao ano, o que encarece o custo do dinheiro para os bancos e, consequentemente, para o consumidor. Portanto, mesmo com a proteção do teto, o crédito rotativo continua sendo uma das modalidades mais caras do mercado, exigindo cautela.
Endividamento e transparência na fatura
Além do limite de juros, as regras trouxeram a obrigação de maior transparência nas faturas e a possibilidade de portabilidade da dívida, permitindo a transferência do saldo devedor para instituições que ofereçam melhores condições. No entanto, o nível de endividamento das famílias permanece significativo, atingindo cerca de 49,3% da renda acumulada.
Nesse cenário, é fundamental que o consumidor fique atento se os bancos estão cumprindo a regra do teto de 100%, especialmente em dívidas contraídas a partir de 2024. Caso a instituição financeira desrespeite esse limite, é recomendado que o cliente procure o SAC do banco, solicite o cálculo por escrito e, se necessário, acione o Procon.
A nova lei do cartão de crédito trouxe, sem dúvida, um freio importante para evitar o superendividamento absoluto, impedindo que uma dívida triplique ou quadruplique. Contudo, ela não resolve sozinha o problema do orçamento apertado, já que os juros mensais continuam impactando quem não consegue quitar a fatura integralmente.
