
Hayley Williams, que a gente já conhece como a voz do Paramore (ou seria ex?), começou sua turnê 100% solo no último fim de semana.
A Ego Death at a Bachelorette Party Tour não tem espaço para nostalgia. Esquece Paramore, pelo menos por enquanto. No palco, é só a Hayley, o disco novo e uma vontade bem clara de colocar tudo para fora.
Quem acompanhou os últimos meses sabe que isso não veio do nada. O terceiro álbum solo, Ego Death at a Bachelorette Party, já apontava uma Hayley mais exposta, mais direta, mais vulnerável. As letras atravessam esse processo de perda e luto que ela viveu, principalmente depois do fim do relacionamento com Taylor York, guitarrista do Paramore.
E isso muda tudo na forma de assistir ao show. Não parece só uma turnê nova, tem muito cara de recomeço.
Setlist inesperada? Sem espaço para o Paramore
A setlist é totalmente focada no álbum novo. Ela canta todas as faixas, muitas ao vivo pela primeira vez. Não tem espaço para os discos solo anteriores, nem para os hits do Paramore.
Visualmente, também é bem diferente de tudo que ela já fez com a banda. Os instrumentos ficam cobertos por cortinas brancas, o palco é mais limpo, mais contido, mas ainda assim muito bonito. Quando entram as projeções, tudo muda de clima. A luz acompanha muito as músicas, com momentos mais íntimos que deixam ela completamente no centro. Tem partes em que parece que o palco encolhe e fica só ela e o microfone, e aí pega de verdade.
Tem também um detalhe curioso. A banda que acompanha a Hayley é formada por músicos que já tocam como apoio do Paramore há anos. O fandom chama de “Parafour”. E isso dá um conforto meio estranho, porque ao mesmo tempo que não é o Paramore, são pessoas que cresceram junto com a banda. Então existe uma conexão ali que ainda é muito viva.
Momentos icônicos da Hayley Williams
Mas indo para os momentos que mais pegaram dessa setlist (icônica!!!):
Em “Parachute”, talvez a música mais aguardada, ela canta batendo a mão no peito, segurando a emoção. Ao vivo, a música ganha outro peso. Cada vídeo que aparece parece carregar um sentimento diferente. Eu, sinceramente, não sairia inteira depois de ouvir isso ao vivo.
Em “Zissou”, ela solta um “vem cá, me dá sua língua” em português do Brasil, e isso foi o suficiente para o fandom brasileiro surtar.
Já em “Ice In My OJ”, ela manda um “fuck ICE” no meio da música, numa referência direta ao serviço de imigração dos EUA. É um posicionamento que ela nunca escondeu. Muito a cara dela.
Tem também um detalhe que os fãs mais atentos pegaram. Durante “Blood Bros”, a Hayley toca outra no piano com as mesmas notas finais de “Friends or Lovers”, o que deixou o momento ainda mais especial para quem acompanha tudo de perto.
Também rola um cover de “Don’t Let Me Be Misunderstood”, eternizada na voz da Nina Simone, que encaixa muito com o clima do show.
Confere a setlist completa do show solo da Hayley Williams
- Mirtazapine
- Showbiz
- Disappearing Man
- Zissou
- Ice In My OJ
- Hard
- Kill Me
- Blood Bros
- Ego Death At A Bachelorette Party
- Whim
- Glum
- Negative Self Talk
- True Believer
- Don’t Let Me Be Misunderstood
- Brotherly Hate
- Love Me Different
- Dream Girl in Shibuya
- Good Ol’ Days
Encore:
- Discovery Channel
- I Won’t Quit On You
- Parachute
E o que isso diz sobre o Paramore?
Oficialmente, nada. Mas ao mesmo tempo… muita coisa.
A banda tá em hiato. Só que quanto mais essa fase solo cresce, mais fica a dúvida sobre o que vem depois. Com letras tão atravessadas pelo término com o Taylor, é difícil não se perguntar como seria uma volta nesse contexto.
A turnê segue pelos Estados Unidos até junho e depois vai pra Europa.
E aí vem o pensamento inevitável: será que chega no Brasil?
Com o Primavera Sound sempre no radar e o carinho que ela já mostrou pelo público daqui, não parece tão impossível assim… #vemhayley.
E aí, tu acha que o Paramore ainda tem volta ou a Hayley entrou de vez na era solo?

