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Pearl Jam celebra 30 anos de 'No Code': veja 7 curiosidades sobre o álbum

Disco marcou uma nova fase do Pearl Jam, que passou a apostar ainda mais na experimentação e a se afastar das expectativas criadas pelo sucesso de Ten, Vs. e Vitalogy

27/08/2026 - 12h05min

Reprodução/Internet
Pearl Jam durante a era 'No Code', em 1996.

Quando o Pearl Jam chegou a 1996, a banda já havia passado por uma transformação enorme. O grupo explodiu com Ten (1991), consolidou o sucesso com Vs. (1993) e ampliou sua experimentação em Vitalogy (1994).

Ao mesmo tempo, Eddie Vedder e os demais integrantes passaram a rejeitar cada vez mais a lógica da indústria musical e a transformação do Pearl Jam em um fenômeno de massa. O grupo também queria fugir da expectativa de repetir a fórmula dos primeiros discos.

Foi nesse cenário que nasceu No Code, quarto álbum de estúdio da banda, lançado em 27 de agosto de 1996. O trabalho completa três décadas nesta quinta-feira (27) e representa um dos momentos mais experimentais da trajetória do Pearl Jam. Para marcar a data, relembre sete curiosidades sobre o disco.

1. O álbum foi feito para quebrar expectativas

As gravações de No Code começaram em 1995 e avançaram até 1996, em diferentes estúdios, com produção de Brendan O'Brien e do próprio Pearl Jam. O processo foi diferente dos trabalhos anteriores e acompanhou o desejo da banda de experimentar novas formas de composição e gravação.

O resultado foi um disco que transitava por diferentes caminhos. Há momentos próximos do rock tradicional do grupo, como "Hail, Hail", mas também músicas acústicas, passagens experimentais e influências de folk e de diferentes tradições musicais. "Who You Are", por exemplo, apresenta uma sonoridade distante do que o público esperava da banda, enquanto "Off He Goes" aposta em uma atmosfera mais intimista.

2. Jack Irons estreou oficialmente no álbum

No Code também marcou uma mudança importante na formação do Pearl Jam. Jack Irons assumiu a bateria depois da saída de Dave Abbruzzese e fez sua estreia em um álbum de estúdio da banda. O músico já tinha uma história relevante no rock alternativo: foi um dos fundadores do Red Hot Chili Peppers e também integrou o Eleven.

A chegada de Irons ajudou a modificar a dinâmica do grupo. Sua abordagem mais percussiva combinou com a proposta experimental do disco e pode ser percebida especialmente em faixas como "Who You Are" e "In My Tree".

3. "Who You Are" foi o primeiro sinal da mudança

O primeiro single de No Code foi "Who You Are", uma escolha que já deixava claro que aquele não seria outro Vs. ou Vitalogy. A faixa apresenta um ritmo hipnótico e uma estrutura pouco convencional para um grande single de rock.

Apesar da mudança de direção, a música teve bom desempenho comercial e chegou ao primeiro lugar da parada Mainstream Rock da Billboard. O lançamento funcionou, portanto, como uma espécie de apresentação da nova fase do Pearl Jam: diferente, mas ainda capaz de alcançar o público.

4. A capa também fazia parte da proposta

Reprodução/Internet
Capa do álbum 'No Code', do Pearl Jam.

A identidade visual de No Code acompanhava a ideia de desconstrução presente nas músicas. A arte foi criada a partir de uma coleção de Polaroids produzidas por integrantes da banda e pessoas próximas ao grupo. A edição original foi dividida em quatro conjuntos diferentes de imagens, que também apareciam nas embalagens e nos materiais que acompanhavam o álbum.

O resultado era uma capa fragmentada, distante da apresentação tradicional de uma banda de rock. Entre as imagens estava uma fotografia do olho do jogador de basquete Dennis Rodman, amigo do grupo, além de registros feitos pelos próprios integrantes. A proposta visual reforçava a sensação de que No Code não pretendia oferecer ao público uma única imagem do Pearl Jam.

5. A recepção foi dividida

Quando chegou às lojas, No Code estreou no topo da Billboard 200, mostrando que o interesse pelo Pearl Jam continuava enorme. A reação de parte dos fãs, porém, foi mais dividida do que nos trabalhos anteriores.

O público que esperava outro disco de rock pesado encontrou um álbum cheio de mudanças de direção, com faixas acústicas, experimentais e estruturas menos convencionais. A própria proposta do trabalho era se afastar das expectativas criadas pelo sucesso da banda.

Com o passar dos anos, essa característica ajudou a transformar No Code em uma peça importante para entender a evolução artística do Pearl Jam. O álbum representa um momento em que o grupo passou a priorizar ainda mais a liberdade criativa, mesmo que isso significasse contrariar parte da própria audiência.

6. No Code quase fez Jeff Ament deixar o Pearl Jam

As gravações de No Code começaram em meio a tensões internas. Jeff Ament sequer sabia que a banda havia iniciado as sessões até três dias depois do começo dos trabalhos. O baixista estava envolvido com outras atividades musicais e afirmou posteriormente que não esteve muito presente no processo daquele álbum.

A situação estava relacionada também a uma mudança na dinâmica criativa do Pearl Jam. Eddie Vedder vinha assumindo um papel cada vez mais central na composição e, em determinado momento, Ament deixou as sessões e chegou a considerar abandonar a banda. O próprio guitarrista Mike McCready reconheceu que o grupo estava passando por um período de tensão e que a separação durante o processo de gravação era uma tentativa de evitar novos conflitos.

Apesar dos problemas, Ament permaneceu no Pearl Jam. Curiosamente, parte da tensão estava ligada justamente ao processo criativo que ajudaria a definir No Code: Vedder levava músicas mais completas para as sessões, enquanto outros integrantes trabalhavam de maneiras diferentes. O resultado foi um álbum que refletia não apenas uma mudança sonora, mas também um período de reorganização interna da banda.

7. O álbum nasceu depois de uma das maiores batalhas do Pearl Jam contra a indústria

No Code foi concebido depois de um dos períodos mais turbulentos da história do Pearl Jam: a disputa contra a Ticketmaster. Em 1994, a banda acusou a empresa de exercer práticas monopolistas no mercado de ingressos e chegou a testemunhar no Congresso americano. A disputa também levou o grupo a cancelar sua turnê de 1994.

No ano seguinte, o Pearl Jam tentou realizar uma turnê pelos Estados Unidos sem depender da Ticketmaster. O plano, porém, se mostrou extremamente difícil. A banda teve problemas para encontrar grandes locais que não possuíssem contratos exclusivos com a empresa e precisou montar apresentações em espaços alternativos. Em junho de 1995, a tentativa acabou sendo abandonada depois de uma série de dificuldades, enquanto o Departamento de Justiça encerraria sua investigação antitruste contra a Ticketmaster no mês seguinte.

O episódio deixou marcas na banda. Além da pressão causada pela disputa, os integrantes enfrentaram o desgaste de organizar apresentações praticamente do zero. A própria turnê de 1995 foi interrompida depois de diversos problemas, incluindo o episódio em que Eddie Vedder passou mal antes de um show em San Francisco e conseguiu se apresentar apenas durante parte da apresentação.

Por isso, No Code não pode ser separado do momento vivido pelo Pearl Jam naquele período. Depois de anos lidando com o enorme sucesso de Ten, com a pressão da indústria e com conflitos internos, a banda entrou em estúdio para fazer justamente o que o título do álbum sugeria: abandonar um código estabelecido.

Três décadas depois, No Code continua relevante

Trinta anos após seu lançamento, No Code permanece como um dos discos mais particulares da discografia do Pearl Jam. Em vez de tentar repetir o sucesso dos primeiros trabalhos, a banda utilizou o momento para experimentar novas possibilidades e questionar a própria identidade.

A recepção inicialmente dividida acabou dando lugar a uma valorização maior do álbum dentro da trajetória do grupo. Hoje, No Code funciona como um registro de uma banda que, no auge da popularidade, escolheu seguir por um caminho menos previsível.

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