
O rock morreu? Esse papo aparece de tempos em tempos. Falaram isso nos anos 60, repetiram nos 80, nos 90 e seguem repetindo até hoje. Mas quem passou pelo Araújo Vianna na última sexta-feira (24) provavelmente saiu de lá pensando exatamente o contrário.
O show da Cachorro Grande, que celebrou os 25 anos do primeiro disco da banda, foi daqueles que fazem a gente lembrar por que algumas bandas continuam atravessando gerações. O que começou como a comemoração de um álbum clássico acabou virando também a confirmação de um retorno que muita gente esperava.
A abertura já deu o tom da noite. Cida Pimentel, produtora que acompanha a Cachorro Grande desde os primeiros passos da banda, subiu ao palco para apresentar o espetáculo e relembrar parte dessa história. Depois disso, foi só deixar as guitarras falarem.
"Lunático", "Sexperienced", "Debaixo do Chapéu", "Lili", "Pedro Balão", "Fantasmas"... ouvir o disco de estreia na íntegra já seria motivo suficiente para sair feliz. Ainda teve participação de Duda Calvin em "Cleptomaníaca de Corações" e, no segundo ato, duas músicas inéditas(sim, inéditas!!!): "Harmonia Natural" e "O Vagabundo Iluminado (Kerouac's Blues)".
E acho que foi justamente aí que ficou claro que o show não era só sobre nostalgia. Ela estava presente, claro. Tinha muita gente lembrando dos anos 2000, das primeiras vezes ouvindo Cachorro Grande e de uma época em que o rock dominava festivais, rádios e playlists. Mas as inéditas mostraram que a banda voltou pensando no que ainda tem para fazer.
O início da história da Cachorro Grande
Não é pouca coisa. Fundada em Porto Alegre, em 1999, a Cachorro Grande ajudou a escrever um capítulo importante do rock brasileiro dos anos 2000 ao misturar influências do rock britânico com uma identidade muito própria. O primeiro disco, lançado dois anos depois, apresentou músicas como "Lunático", "Sexperienced" e "Debaixo do Chapéu", que seguem fazendo parte do repertório afetivo de muita gente.
De lá para cá, vieram oito álbuns de estúdio, um disco ao vivo, um Acústico MTV, um filme e apresentações ao lado de nomes como Rolling Stones, Oasis e Primal Scream. Ver o Araújo Vianna cheio de gente 25 anos depois daquele primeiro disco já diz bastante sobre a trajetória da banda. Mas ver o público receber duas músicas inéditas com o mesmo entusiasmo dos clássicos talvez diga ainda mais, o rock nunca vai morrer.
Beto Bruno resumiu isso em uma frase:
O rock and roll é uma coisa que se passa de pai pra filho, nunca vai morrer. Não importa o lugar do Brasil, vai ter uma galera que gosta de rock and roll.
BETO BRUNO
Vocalista da Cachorro Grande
Depois de uma noite como essa, fica difícil discordar. O show celebrou uma história construída ao longo de 25 anos, mas também deixou claro que a Cachorro Grande não voltou apenas para revisitar o passado. Ela voltou para escrever novos capítulos.

