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Quem é Marina Sena? Da cidade mineira aos palcos virais, a trajetória da cantora de ‘Coisas Naturais’

Do interior de Minas Gerais à consolidação como um dos nomes mais comentados da música brasileira, trajetória da cantora mistura identidade forte, reinvenção e sucesso.

28/05/2026 - 16h30min

Eduardo Martins/Reprodução
Marina Sena na Virada Cultural, em São Paulo (2026).

Marina Sena é uma cantora e compositora mineira nascida e criada no interior de Minas Gerais. Desde a infância, a música já ocupava um espaço central em sua vida, faltava apenas que o mundo a conhecesse.

Nos últimos anos, esse reconhecimento ganhou novas proporções. Embalada pelo sucesso de Coisas Naturais (2025) e pela repercussão de apresentações que viralizaram nas redes sociais, Marina vive uma das fases mais comentadas de sua carreira.

Entre performances marcadas pela teatralidade e uma presença de palco magnética, a artista ampliou seu público e despertou também a curiosidade sobre quem é a mulher por trás dos hits. Afinal, antes dos palcos lotados e dos vídeos que dominam a internet, existe uma trajetória construída entre o interior mineiro, bandas independentes e uma identidade artística que se desenvolveu muito antes da fama.

Quem é Marina Sena?

Marina de Oliveira Sena nasceu em 29 de setembro de 1996, em Taiobeiras, no norte de Minas Gerais. Foi criada em uma cidade pequena, com aproximadamente 30 mil habitantes na época.

Filha de Zezão Sena e Bete Serra, essa que comprava CDs de Adriana Calcanhoto, Cássia Eller, Djavan, Gal Costa, entre muitos outros, para Marina e sua irmã mais velha. Aos seis ou sete anos, ela se fechava no quarto com o som e os encartes dos álbuns e aprendia a letra de cada uma das músicas. 

Assim desenvolveu uma forte conexão com a música. A habilidade era notável, surpreendendo a mãe ao cantar músicas consideradas difíceis para uma criança.

Mas, enquanto crescia, Marina percebia que era diferente das demais pessoais que a rodeavam. Começou a compor música aos 15 anos e, aos 17, participou de seletiva para o programa The Voice Brasil, mas não chegou a ser concorrente do programa.

Segura de sua arte, aos 18 anos decidiu seguir o rumo que muitos jovens faziam de ir para Montes Claros (MG). Porém, o seu plano não era estudar, mas sim montar a sua banda.

De Taboeiras para Montes Carlos

Ao chegar na nova cidade, ela pegava o violão e ia para as rodas de pessoas na Praça da Matriz. “Em toda rodinha o pessoal ficava ‘velho, de onde ela saiu?’”, contou no podcast de Erika Hilton. Ela continuou:

Acho que eles esperavam menos entrega e eu fazia um show. E de graça! E eu aproveitava para falar para todo mundo que eu queria formar uma banda que se chamaria A Outra Banda da Lua. Eu já tinha o nome e queria ser vocalista. Então, uma menina da praça que andava de slackline me apresentou para o tio músico. E então eu conheci os meninos. Foram cinco anos de banda

MARINA SENA

A trajetória entre A Outra Banda da Lua e Rosa Neon

No fim de 2015, Marina, Matheus Bragança e Victor Manga fundaram A Outra Banda da Lua. Com influências da música regional norte-mineira, da congada, do tropicalismo, da Nova Vanguarda Paulista e do manguebeat, o grupo rapidamente ganhou destaque pelas apresentações ao vivo e passou a lotar shows em Montes Claros.

O reconhecimento também veio em forma de prêmio: a banda conquistou o 1º lugar no Prêmio de Música das Minas Gerais por dois anos consecutivos, em 2017 e 2018, com as canções “Cavalaria” e “Na Roça”.

Em julho de 2018, ainda como vocalista d’A Outra Banda da Lua, Marina conheceu Marcelo Tofani, Luiz Gabriel Lopes e Mariana Cavanellas. Meses depois, em novembro, o grupo lançou oito singles e embarcou em uma turnê por Portugal e Alemanha.

O álbum de estreia homônimo, lançado em 2019, contou com a participação do rapper Djonga na faixa “Vai Devagar”. Já o primeiro disco d’A Outra Banda da Lua, produzido por Rafael Carneiro, chegou às plataformas em 7 de abril de 2020.

No mesmo período, Marina conciliava sua atuação em diferentes projetos musicais. Em setembro de 2020, Rosa Neon foi indicada ao Prêmio Multishow na categoria Revelação do Ano.

Mas a pandemia de Covid-19 também foi um divisor de águas na carreira de Marina. Com a impossibilidade de encontrar com os demais integrantes de suas bandas e de se apresentar, ela decidiu lançar sua carreira solo.

A artista se despediu d’A Outra Banda da Lua com o EP Catapoeira e encerrou sua trajetória no Rosa Neon com o videoclipe “A Gente é Demais”.

De “Me Toca” ao fenômeno “Por Supuesto”

A carreira solo de Marina Sena começou oficialmente em janeiro de 2021, com o lançamento do single “Me Toca”. A faixa apresentou ao público uma artista mais autoral e sensual, combinando pop, reggae, MPB e referências eletrônicas. 

O clipe e a estética visual chamaram atenção por exibirem uma identidade forte e bem definida. Embora o alcance inicial ainda estivesse mais ligado ao circuito independente, o single funcionou como porta de entrada para o que viria a seguir.

Foi com De Primeira, seu álbum de estreia, que Marina consolidou o início de sua ascensão nacional. O disco atraiu uma base crescente de fãs, mas também trouxe críticas direcionadas à sua aparência e, principalmente, à sua voz.

Em entrevista à Elle, a artista comentou a repercussão: “A minha voz é a minha personalidade. Não enxergo uma coisa separada da outra. Então, claro, a gente fica mexida. Mas eu vou continuar trabalhando, e é o que eu estou fazendo.

Ainda assim, foi a faixa “Por Supuesto” que transformou Marina em um fenômeno nacional. A música viralizou no TikTok e nas plataformas de streaming durante o segundo semestre de 2021 e o sucesso levou a canção para playlists de destaque e rádios brasileiras, ampliando o alcance da artista em todo o país.

Curiosamente, a explosão do hit aconteceu sem planejamento direto da cantora. Marina revelou, em entrevistas, que nem utilizava o TikTok na época e que ficou surpresa ao descobrir a dimensão que a música havia alcançado.

A viralização de “Por Supuesto” consolidou Marina Sena como um dos primeiros grandes nomes brasileiros de uma geração impulsionada pela conexão entre streaming, redes sociais e uma identidade visual marcante.

Em 2023, ela aprofundou na sua estética com mais sofisticação e sensualidade, lançando o seu segundo álbum de estúdio Vício Inerente. As letras sobre desejo, autonomia e relações afetivas, em conjunto com as performances, aumentaram a conexão com o seu público. 

Os hits “Lua Cheia”, “Tudo Pra Amar Você” e “Que Tal” aumentaram a notoriedade da artista na cultura pop brasileira.

A fase de Coisas Naturais e a Marina que domina os palcos

Lançado em 2025, Coisas Naturais marcou uma nova etapa na trajetória de Marina Sena. Terceiro álbum de estúdio da cantora, o projeto apresentou uma artista em fase mais madura e orgânica, expandindo suas referências sonoras sem abrir mão da identidade construída desde De Primeira.

Com 13 faixas autorais, o disco transita entre MPB, reggae, bachata, pop latino e elementos eletrônicos. Além de aprofundar a assinatura musical da mineira e reforçar sua versatilidade criativa.

Mas foi nos palcos que essa era ganhou outra dimensão. A turnê Coisas Naturais, iniciada em 2025 e ampliada em 2026, transformou as músicas do álbum em uma experiência visual e performática que rapidamente viralizou nas redes sociais.

E isso não aconteceu por acaso. Marina já contou em entrevistas que encara o palco como um espaço de interpretação, quase como uma atriz incorporando um personagem. A percepção aparece na construção dos shows, elogiados pela direção cênica, teatralidade e forte identidade visual.

Entre figurinos, coreografias e uma presença de palco magnética, a artista consolidou uma fase em que música e performance caminham juntas. E o sucesso reforça não apenas o sucesso de Coisas Naturais, mas também a curiosidade do público em conhecer quem é Marina Sena para além dos hits e vídeos virais.



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