
A era clubber ficou para trás. A cantora britânica Charli XCX iniciou oficialmente sua nova fase musical com o anúncio de seu oitavo álbum de estúdio, Rock Music. Deixando de lado a estética de Brat (2024), que definiu uma das eras mais comentadas da cultura pop recente.
Agora, a artista mergulha em uma proposta mais rockeira, marcada por guitarras evidentes, vocais crus e uma identidade visual mais sombria.
Mais do que apenas uma mudança sonora, a nova etapa da artista também vem acompanhada de um projeto paralelo. O perfil “b.sides” é um espaço onde Charli publica músicas inéditas, reflexões pessoais e os chamados “lados B” dessa nova era.
Do neon de Brat ao rock de Rock Music
A transformação de Charli começou ainda durante sessões secretas realizadas em Paris, durante a Semana de Moda de 2025, e finalizadas posteriormente em Londres. O novo disco conta novamente com a colaboração de seus parceiros de longa data, A.G. Cook e Finn Keane.
Em entrevista à British Vogue, a cantora comentou a decisão de mudar radicalmente de direção artística. “Para mim, é divertido inverter os padrões. Sabemos que haverá pessoas que se incomodarão com isso, mas tudo bem”, afirmou.
Charli também explicou que repetir a fórmula da era anterior não fazia sentido para ela. “Se eu tivesse feito outro álbum com uma pegada mais dançante, teria sido muito difícil, muito triste”, disse a artista.
Embora o título sugira uma ruptura total, “Rock Music” não abandona completamente o DNA da cantora. O single aposta em guitarras e em uma estética mais analógica, mas continua carregando a ironia e o humor que sempre fizeram parte da assinatura de Charli.
Uma nova era, uma nova estética
A mudança não ficou restrita ao som. O minimalismo neon e o icônico “verde Brat” deram lugar a uma identidade visual mais obscura, gótica e fortemente conectada ao universo da moda.
O clipe de “SS26”, por exemplo, mergulha em referências fashion e no imaginário clássico das estrelas do rock.
Já o de “Rock Music”, traz cenas de caos performático, headbanging, mosh, cigarros e televisões arremessadas pela janela, imagens que lembram o estereótipo de “rockstar” em conjunto com o sarcasmo característico da cantora.
A própria aparência de Charli também acompanhou essa transição. A artista adotou uma estética mais glam rock e maximalista, sem abandonar completamente o aspecto propositalmente despretensioso que marcou fases anteriores.
O perfil “b.sides” e o verdadeiro “lado B” da nova era
Parte importante desse novo momento está acontecendo fora das plataformas tradicionais.
O perfil “b.sides” vem sendo usado por Charli como espaço para divulgar músicas que, por algum motivo, ficaram de fora do álbum. Mas a proposta vai além de simplesmente compartilhar sobras de estúdio: a conta funciona quase como um diário criativo, onde a cantora divide pensamentos, processos e ideias relacionadas ao projeto.
Em um vídeo publicado recentemente, a artista explicou o conceito por trás dessas faixas:
Os lados B ficam meio que pareados com algumas das músicas que vão saindo antes do álbum”, disse. “O motivo de essas duas músicas estarem juntas é porque, em certos aspectos, elas são totalmente opostas uma à outra — e esse é justamente o ponto principal. É meio que um espelho… existem elementos sonoros bem específicos que são extremamente opostos a ‘SS26’, e acho que foi isso que fez dela um bom lado B, um bom par.
CHARLI XCX
A primeira dessas faixas foi “i keep on thinking bout you every single day and night”, apresentada como o lado B do lead single “Rock Music”.
Já “Playboy Bunny” surge como complemento de “SS26”. Segundo Charli, o vídeo dessa última foi gravado um dia após as filmagens do clipe principal, e ela brincou na legenda dizendo que estava “muito de ressaca”.
Música fora do streaming divide fãs
Outro aspecto que tem movimentado a conversa entre fãs é a estratégia de lançamento.
As músicas do “lado B” não serão disponibilizadas em plataformas de streaming. Até o momento, a única maneira de ouvi-las é pelo Instagram ou por meio das edições limitadas em vinil.
A recepção, naturalmente, tem sido mista. Nas redes sociais, especialmente no TikTok e em fóruns dedicados à cantora, surgiram interpretações distintas sobre a nova fase. Alguns enxergam Rock Music como uma “purificação do fandom” e um retorno às raízes criativas da artista, enquanto outros demonstram resistência ao abandono da estética dançante que marcou Brat.
Ainda assim, a movimentação confirma algo recorrente na trajetória da britânica: Charli raramente escolhe o caminho mais previsível.

