A nova tendência das Câmeras digitais compactas dos anos 2000 são a nova febre da Geração Z
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Câmeras digitais estão de volta: por que a Geração Z resgatou as “digicams” dos anos 2000

Com fotos menos perfeitas, flash estourado e estética Y2K, modelos que pareciam aposentados pelos smartphones voltaram a virar objeto de desejo entre os jovens

12/08/2026 - 19h25min

Se você viveu os anos 2000, provavelmente já viu uma delas. Pequena, geralmente prateada, com uma lente que aparecia quando a câmera era ligada e um visor LCD na parte de trás. Talvez você tenha uma guardada em alguma gaveta da casa dos seus pais.

Agora, pode ser uma boa hora para procurar de novo.

As câmeras digitais compactas, também chamadas de digicams, voltaram a circular entre os jovens e ganharam um novo status nas redes sociais. Modelos antigos, como as famosas Sony Cyber-shot, que pareciam ter sido aposentados definitivamente pelos smartphones, estão sendo resgatados pela Geração Z.

E o mais curioso é que ninguém está necessariamente procurando a foto mais nítida possível.

A graça está justamente naquilo que, há alguns anos, seria considerado um defeito: flash forte, granulação, cores saturadas, foco nem sempre perfeito e aquela aparência de foto de festa dos anos 2000.

@tinydeskbra/Instagram
Foto de divulgação do episódio da IZA no Tiny Desk Brasil

Por que as câmeras digitais voltaram à moda?

A história parece um pouco contraditória.

Durante anos, os celulares fizeram as câmeras compactas perderem espaço. Afinal, por que carregar outro aparelho se o smartphone já fotografa, filma, edita e publica tudo no mesmo lugar?

Mas é justamente aí que está parte do motivo para o retorno das digicams.

Em um universo dominado por imagens extremamente nítidas, HDR, filtros, inteligência artificial e edição automática, as câmeras antigas oferecem uma estética que parece mais espontânea e imperfeita.

Reprodução/Pinterest
Câmeras digitais compactas dos anos 2000 voltam a ser tendência entre a Geração Z.

É a famosa lógica do “não precisa ficar perfeito”.

Fotos com flash direto no rosto, olhos vermelhos, movimento congelado de maneira estranha e cores que não parecem exatamente reais passaram de defeitos a características desejadas.

A tendência também conversa diretamente com o retorno da estética Y2K, que recupera referências visuais e culturais do final dos anos 1990 e começo dos anos 2000.

A Gen Z quer uma foto que não pareça de celular

Mais do que uma questão tecnológica, a volta das câmeras compactas tem relação com a maneira como os jovens querem registrar os próprios momentos.

No celular, tirar uma foto geralmente significa também ter acesso imediato a notificações, redes sociais, mensagens e aplicativos.

Com uma câmera digital separada, o processo muda.

Reprodução/Pinterest
Câmeras digitais compactas dos anos 2000 voltam a ser tendência entre a Geração Z.

Você fotografa e continua vivendo o momento. Depois, quando chega em casa, transfere os arquivos para o computador ou celular e finalmente descobre como ficaram as imagens.

É justamente essa experiência que alguns jovens apontam como parte da graça da tendência. Em relatos reunidos pelo Diário do Comércio, usuários destacam a possibilidade de deixar o celular de lado durante festas e encontros e só conferir as fotos posteriormente.

Ou seja: a câmera virou quase uma pequena máquina do tempo.

E por que as fotos “ruins” ficaram bonitas?

Porque a estética mudou. Durante muito tempo, uma boa câmera era aquela capaz de produzir uma imagem cada vez mais limpa, detalhada e fiel à realidade.

Agora, uma fotografia com granulação, flash marcado, baixa resolução ou pequenas imperfeições pode transmitir exatamente a sensação que o usuário procura.

É uma estética que lembra festas, viagens e encontros registrados antes de todo mundo carregar um smartphone no bolso.

E existe ainda um elemento de surpresa.

Você não consegue olhar a foto imediatamente e decidir se vai apagar. Em vez disso, precisa esperar para descobrir o resultado.

A imagem deixa de ser apenas um registro e ganha um pouco daquela expectativa de quando as fotografias precisavam ser reveladas.

A tendência também virou acessório

As câmeras compactas não estão aparecendo apenas nas fotos. Elas também passaram a fazer parte do look.

Modelos pequenos podem ser carregados em bolsas, mochilas ou até presos à roupa. Em festas e festivais, é cada vez mais comum encontrar jovens levando uma câmera compacta para registrar a experiência.

Segundo o Diário do Comércio, modelos antigos da Sony, Canon, Fujifilm e Nikon voltaram a aparecer em lojas de equipamentos usados e recondicionados.

É a tecnologia fazendo o caminho inverso: algo que já foi considerado ultrapassado agora virou objeto de desejo justamente por parecer ultrapassado.


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