O tênis está novamente no centro das atenções.
Enquanto João Fonseca faz história em Roland Garros aos 19 anos e se consolida como uma das grandes promessas do esporte mundial, Serena Williams volta a movimentar as conversas sobre o circuito internacional e anuncia seu retorno as quadras, lembrando por que se tornou uma das figuras mais importantes da história das quadras.
Os dois representam momentos diferentes da modalidade. João simboliza o futuro, Serena é um dos maiores legados já construídos no esporte. Mas existe algo que conecta esses nomes muito além das vitórias.
O tênis talvez seja a modalidade que mais conseguiu transformar atletas em referências de estilo.
Poucos esportes influenciaram tanto a forma como as pessoas se vestem. Da camisa polo ao tricô colegial, das saias plissadas ao tênis branco, muitos dos itens que hoje fazem parte do guarda-roupa cotidiano nasceram ou ganharam força dentro das quadras.
E o mais curioso é que essa relação não começou com o chamado tenniscore, nem com as redes sociais. Ela existe há mais de um século.
O esporte elegante
Antes de ser associado à performance, o tênis era associado ao status. Quando a modalidade começou a se popularizar na Inglaterra durante o século XIX, ela era praticada principalmente pelas classes mais privilegiadas da sociedade. Diferentemente de outros esportes da época, o tênis funcionava também como um espaço de convivência social. As roupas seguiam essa lógica.

Mulheres entravam em quadra usando vestidos longos, mangas estruturadas, chapéus e até espartilhos. Homens jogavam de camisa social, gravata, blazer e calças compridas.
O tradicional branco, que até hoje é obrigatório em Wimbledon, nasceu justamente desse contexto. A cor era considerada mais elegante e ajudava a disfarçar marcas de suor em uma época em que demonstrações físicas excessivas não eram vistas com bons olhos pelas elites. O resultado foi a construção de uma identidade visual única.

Enquanto outras modalidades se aproximavam do uniforme funcional, o tênis desenvolvia uma linguagem própria, marcada pela sofisticação e pelo cuidado com a aparência.
As mulheres que revolucionaram as quadras
Com o passar das décadas, algumas atletas começaram a desafiar os códigos rígidos do esporte. Entre elas, nenhuma teve impacto tão grande quanto Suzanne Lenglen.

Nos anos 1920, a francesa chocou o universo do tênis ao abandonar os vestidos pesados que limitavam os movimentos e adotar modelos mais leves, com barras mais curtas e mangas reduzidas.
Lenglen não apenas mudou a forma de jogar. Ela ajudou a redefinir a imagem da mulher atleta e mostrou que funcionalidade e estilo podiam caminhar juntos.
Seu impacto foi tão grande que influenciou estilistas, marcas e consumidoras muito além das quadras.
Décadas depois, outras tenistas continuariam esse movimento, transformando o uniforme esportivo em uma ferramenta de expressão pessoal.
René Lacoste e a peça que conquistou o mundo
Se existe um personagem capaz de explicar a relação entre moda e tênis, ele provavelmente é René Lacoste.
Sete vezes campeão de Grand Slam, o francês percebeu ainda nos anos 1920 que os uniformes tradicionais limitavam o desempenho dos atletas.
A solução foi criar uma camisa mais confortável, feita em algodão, com mangas curtas e colarinho flexível. Nascia ali a polo.

O que começou como uma inovação esportiva rapidamente ultrapassou os limites das quadras.
Décadas depois, a peça se tornaria um clássico do guarda-roupa masculino e feminino, atravessando tendências, gerações e estilos.
Serena Williams e a mudança de jogo
Se Suzanne Lenglen ajudou a reinventar o uniforme feminino no início do século XX, Serena Williams fez algo parecido para uma nova geração.
Ao longo da carreira, a americana transformou suas aparições em momentos culturais.
Vestidos assinados por grandes designers, conjuntos coloridos, estampas marcantes, tutus, recortes inesperados e o famoso macacão usado em Roland Garros em 2018 fizeram parte de uma trajetória que nunca se limitou ao resultado das partidas.

Serena mostrou que uma atleta poderia ser competitiva, influente e fashionista ao mesmo tempo.
Também ajudou a abrir espaço para discussões sobre diversidade, representatividade e liberdade de expressão em um ambiente historicamente associado às elites.
O efeito João Fonseca
Se Serena representa uma era consolidada, João Fonseca simboliza um novo capítulo.
A campanha histórica do brasileiro em Roland Garros coloca novamente o tênis no radar de milhões de pessoas. O esporte volta a ocupar manchetes, domina as redes sociais e desperta curiosidade em quem talvez nunca tivesse acompanhado um torneio.
Esse movimento costuma ter reflexos que vão muito além da audiência. Quando novos ídolos surgem, eles ajudam a impulsionar comportamentos, hábitos de consumo e tendências.
Foi assim com Gustavo Kuerten nos anos 1990. Agora, acontece novamente com João Fonseca.

Marcas de luxo em quadra
Hoje, o tênis é uma das modalidades mais desejadas pela indústria fashion. Jogadores se transformaram em embaixadores globais.
Carlos Alcaraz aparece em campanhas de luxo, Jannik Sinner se tornou um dos rostos mais valorizados da nova geração, Coco Gauff participa de colaborações disputadas e Lorenzo Musetti também integra esse movimento.

Diferentemente de esportes coletivos, o tênis coloca o atleta sozinho em cena durante horas. O uniforme ganha destaque. Os acessórios aparecem. A personalidade se torna parte do espetáculo.
Para as marcas, é uma vitrine poderosa.
Para o público, uma fonte constante de inspiração.
5 peças que saíram das quadras e foram parar no nosso guarda-roupa
A influência do tênis pode ser percebida em peças que muita gente usa diariamente sem sequer associá-las ao esporte.
1. Camisa polo
Poucas roupas representam tão bem a união entre esporte e moda. Criada para melhorar o desempenho dos jogadores, a polo virou sinônimo de elegância casual.
Ela atravessou décadas, passou pelos clubes esportivos, conquistou escritórios e hoje aparece em versões clássicas, oversized ou até reinterpretadas pelas passarelas.
2. Saia plissada
Uma das protagonistas do boom do tenniscore. Originalmente pensada para oferecer mobilidade às atletas, a saia plissada se tornou peça-chave do street style contemporâneo.
Ela aparece com camisetas amplas, camisas, tricôs, jaquetas e até produções mais urbanas.
3. Tricô de gola V
O famoso suéter usado sobre os ombros ou combinado com camisas sociais tem origem direta na estética dos clubes de tênis.
Com a ascensão do visual preppy e do chamado old money, ele voltou ao radar da moda e passou a fazer parte de produções muito além do ambiente esportivo.
4. Vestido esportivo
Confortável, versátil e fácil de usar. O vestido inspirado nos modelos de tênis ganhou espaço entre quem procura praticidade sem abrir mão de uma aparência mais arrumada.
Hoje ele aparece em viagens, passeios de fim de semana e até em produções urbanas.
5. Tênis branco
Talvez nenhum item represente tão bem a herança visual do esporte. Minimalista, funcional e atemporal, ele continua sendo uma das peças mais democráticas do guarda-roupa contemporâneo.
O crescimento do tenniscore também ajudou a ampliar essa influência. Nos últimos anos, o visual inspirado no esporte conquistou celebridades, influenciadores e grandes marcas.
O lançamento do filme "Rivais", estrelado por Zendaya, reforçou ainda mais esse movimento. Os figurinos inspirados nas quadras despertaram o interesse de uma nova geração e mostraram que a estética do tênis continua relevante.

Ao mesmo tempo, coleções de luxo passaram a revisitar elementos clássicos do esporte, como polos, saias plissadas, listras colegiais, tricôs e vestidos esportivos.
Das roupas usadas pela aristocracia britânica no século XIX às campanhas estreladas por atletas da nova geração, o esporte construiu uma identidade visual tão forte que ultrapassou os limites das quadras.
Agora, enquanto João Fonseca vive o momento mais importante da sua jovem carreira e Serena Williams volta a ocupar espaço nas conversas do esporte mundial, essa conexão ganha mais um capítulo.

