Antes de virar estética de TikTok, referência de Pinterest ou tendência nas passarelas, o preppy já existia como símbolo de status. O termo vem de “prep school”, nome dado às escolas preparatórias frequentadas pela elite americana antes da entrada em universidades tradicionais como Harvard, Yale e Princeton.
O estilo preppy nasce dentro desse universo acadêmico e esportivo: peças alinhadas, visual impecável, referências universitárias e um toque constante de sofisticação casual. Tudo parecia muito calculado, mas sem esforço aparente.
Camisas polo, suéteres amarrados nos ombros, saias plissadas, loafers, gravatas listradas, cardigãs e blazers estruturados fazem parte desse imaginário há décadas. Mais do que uma estética, o preppy sempre funcionou quase como uma linguagem visual de pertencimento.
E mesmo que tenha começado dentro de um ambiente extremamente elitista, a moda fez o que sempre faz: reinterpretou tudo.
Com o tempo, o estilo saiu dos corredores das universidades americanas e ganhou novas leituras na cultura pop, no streetwear e até no hip-hop dos anos 90. De “As Patricinhas de Beverly Hills” até “Gossip Girl”, passando por referências mais recentes como “Saltburn”, o preppy nunca desapareceu completamente, ele só mudava de forma.

O que é o estilo preppy
Se fosse pra resumir o preppy em uma frase, seria algo como: clássico com atitude.
O estilo mistura referências acadêmicas, esportivas e tradicionais, mas sempre com uma aparência mais arrumada e polida. Só que diferente da versão antiga, extremamente certinha, o preppy atual trabalha justamente na desconstrução desses códigos.
Na prática, o estilo se constrói a partir de alguns elementos bem característicos:
- peças de alfaiataria mais clássicas;
- camisas oxford e polos;
- saias plissadas e bermudas estruturadas;
- suéteres, tricôs e cardigãs;
- gravatas, brasões e referências universitárias;
- loafers, docksides e mocassins;
- estampas como xadrez, listras e argyle;
- paleta em azul marinho, vinho, bege, verde-musgo e branco;
- sobreposições estratégicas e styling mais descontraído.
Mas o mais importante no preppy atual não é parecer impecável o tempo inteiro. É justamente quebrar a formalidade.
O blazer aparece com jeans largo. A gravata vem combinada com camiseta. O suéter é jogado no ombro quase sem preocupação. O visual continua sofisticado, mas menos rígido.
O preppy em 2026
O retorno do preppy acontece em um momento em que a moda parece cansada do minimalismo extremo e dos looks “perfeitamente neutros”.
Depois de anos dominados pelo clean girl, quiet luxury e estética básica, começa a surgir uma vontade de trazer mais personalidade para as roupas, mas sem abandonar completamente a elegância. E é exatamente aí que o preppy entra.
O chamado “new preppy” mistura a base clássica do estilo com elementos mais urbanos, esportivos e até irônicos. O resultado é um visual menos “country club” e muito mais street style.
As peças continuam familiares:
- polos listradas;
- suéteres de gola V;
- saias colegiais;
- camisas oversized;
- blazers estruturados;
- meias aparentes;
- jaquetas college;
Mas tudo ganha novas proporções, combinações inesperadas e uma estética mais espontânea.
É o tipo de tendência que funciona porque parece acessível. Você não precisa montar um figurino completo de série adolescente americana para entrar nela. Às vezes, só uma camisa listrada ou um tricô amarrado nos ombros já entrega a referência.
O preppy chic
Assim como aconteceu com o boho, o preppy também passou por versões mais sofisticadas ao longo dos anos.
Nos anos 80 e 90, marcas como Ralph Lauren, Tommy Hilfiger e Lacoste ajudaram a consolidar esse visual mais aspiracional, ligado ao lifestyle da elite americana. Tudo parecia extremamente alinhado, elegante e quase “uniformizado”.

Mas a versão atual organiza isso de outro jeito.
O preppy chic de 2026 mantém a estética clássica, mas adiciona informação de moda. Ele mistura alfaiataria com streetwear, traz sobreposições menos óbvias e aceita até um certo ar bagunçado.
O preppy virou tendência de novo
O retorno do preppy não acontece sozinho. Ele conversa diretamente com outras tendências que já estavam crescendo, como o old money, o tenniscore e a estética college.
As passarelas também ajudaram a impulsionar isso.
Marcas como Dior, Celine, Miu Miu e Ralph Lauren trouxeram releituras recentes do estilo, misturando referências acadêmicas com modelagens oversized, camadas, acessórios esportivos e um visual mais descontraído.
O preppy funciona muito bem visualmente: tem textura, camadas, peças reconhecíveis e uma estética que mistura nostalgia com modernidade. Ele chama atenção sem parecer exagerado.
No meio de tantas tendências rápidas, o preppy entrega uma sensação de familiaridade.

