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Estilo boho: o que é, de onde vem e por que ele voltou com tudo em 2026

Da contracultura aos looks urbanos, o boho reaparece mais atual, versátil e cheio de identidade

24/04/2026 - 15h36min

Antes de virar tendência de passarela ou estética de Pinterest, o boho já era, essencialmente, um posicionamento. A palavra vem de “bohemian”, e carrega um histórico ligado a artistas, viajantes e pessoas que, sobretudo nos anos 60 e 70, decidiram viver fora das normas. Isso aparece diretamente na moda: roupas soltas, mistura de referências, pouca rigidez e muita personalidade.

O estilo boho nasce dessa ideia de liberdade. Ele ganhou força com os movimentos de contracultura, que questionavam padrões sociais, políticos e estéticos. A moda acompanha esse espírito com tecidos leves, caimentos fluidos, estampas orgânicas e uma estética que parecia, de propósito, não seguir regra nenhuma.

Ícones como Janis Joplin e Stevie Nicks ajudaram a transformar esse visual em símbolo cultural. Não era só roupa, era identidade, atitude, quase um manifesto visual.

Reprodução
Janis Joplin e Stevie Nicks nos anos 1970

Com o tempo, o boho nunca desapareceu completamente. Ele só foi mudando de intensidade. Em alguns momentos mais apagado, em outros voltando com força total, e é exatamente isso que está acontecendo agora.

O que é o estilo boho 

Se fosse pra resumir o boho em uma frase, seria: mistura com propósito. O estilo não segue regras rígidas, mas tem códigos visuais bem claros, e é isso que faz ele ser reconhecível mesmo com tantas variações.

Na prática, o boho se constrói a partir de alguns elementos-chave:

  • Fluidez e movimento: vestidos longos, saias amplas, batas soltas;
  • Materiais naturais: linho, algodão, couro, camurça;
  • Texturas artesanais: crochê, renda, tricô, bordados;
  • Paleta terrosa: marrom, bege, caramelo, ferrugem;
  • Estampas marcantes: florais, étnicas, paisley, tie-dye;
  • Acessórios com personalidade: colares em camadas, cintos largos, bolsas com textura, chapéus;

Mas mais importante que cada peça isolada é a forma como tudo se mistura. O boho não busca perfeição, ele funciona justamente por parecer espontâneo, quase como se o look tivesse sido montado sem esforço.

O boho em 2026

Se antes o boho era muito associado a festivais ou produções mais “fantasiadas”, hoje ele aparece mais editado. A estética continua livre, mas com intenção.

O que se vê nas ruas é um boho mais urbano. Ele mantém sua essência, com fluidez, mistura, textura, mas ganha praticidade. Sai o excesso, entra o equilíbrio.

Os elementos continuam familiares:

  • tecidos leves como renda, linho e viscose;
  • peças com movimento, como vestidos e saias amplas;
  • tons terrosos misturados a cores mais profundas;
  • detalhes artesanais, como crochê, bordados e franjas;

Mas tudo isso aparece de forma mais dosada. Um look não precisa ter “tudo ao mesmo tempo”. Às vezes, uma única peça já cria o efeito.

O boho chic

Foi nos anos 2000 que o boho passou por uma transformação importante. Ele deixou de ser apenas despojado e ganhou uma camada de sofisticação, surgia o boho chic.

Celebridades como Sienna Miller e Mary-Kate Olsen ajudaram a popularizar essa nova versão: ainda livre, mas com acabamento mais refinado, tecidos melhores e uma estética mais “pensada”.

Reprodução

O boho chic mantém a base do estilo original, mas organiza seu modelo incial. É como se pegasse aquela mistura aparentemente aleatória e transformasse em algo mais polido, sem perder a essência.

O boho chic virou tendência

O retorno do boho chic não acontece por acaso, ele responde diretamente ao momento da moda.

Depois de anos dominados por minimalismo extremo, estética clean e looks quase “padronizados”, surge uma vontade coletiva de voltar a se expressar de forma mais livre, e é ai que o boho entra.

Marcas como Chloé e Saint Laurent ajudaram a reacender esse movimento nas passarelas, trazendo versões atualizadas do estilo: mais sofisticadas, mais urbanas e com um pé no lifestyle contemporâneo.

Ao mesmo tempo, redes sociais impulsionam essa estética. O boho funciona bem visualmente, tem textura, movimento, camadas, ele chama atenção sem parecer forçado.

O mais interessante dessa volta é que o estilo não exige uma transformação completa do guarda-roupa. Ele entra aos poucos.

Um vestido mais fluido combinado com uma peça estruturada, uma jaqueta de camurça jogada por cima de um look básico, acessórios com cara artesanal quebrando a formalidade, tudo isso já constrói o visual.

E no meio de tantas tendências que vêm e vão rápido, ele segue ali, se reinventando, mas nunca sumindo de verdade.


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