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Oscar 2026: “Frankenstein” vence Melhor Figurino e Melhor Cabelo e Maquiagem e confirma força estética do filme

Visual gótico, próteses complexas e figurinos cheios de simbolismo ajudaram a criar um dos universos mais marcantes da temporada

15/03/2026 - 21h08min

A estética sombria e cuidadosamente construída de Frankenstein saiu consagrada no Academy Awards. O longa dirigido por Guillermo del Toro levou para casa duas das categorias mais visuais da noite: Melhor Figurino e Melhor Cabelo e Maquiagem.

A vitória confirma algo que já vinha sendo comentado desde a estreia: o filme não é apenas uma releitura da clássica história criada por Mary Shelley, mas também um espetáculo visual que transforma roupas, próteses e caracterização em parte essencial da narrativa.

Figurinos que contam história (literalmente)

O figurino do filme, assinado por Kate Hawley, mistura referências históricas do século XIX com uma liberdade criativa típica do cinema de Del Toro.

Em vez de apenas reproduzir roupas de época, a figurinista construiu uma identidade visual carregada de simbolismo. As cores profundas, vermelhos intensos, verdes luminosos e azuis densos, funcionam quase como pistas emocionais, refletindo o estado psicológico dos personagens.

Um dos grandes destaques é Elizabeth, interpretada por Mia Goth. Seus vestidos foram inspirados em elementos da natureza, especialmente insetos e estruturas orgânicas. Tecidos como seda, tafetá e damasco ajudam a criar peças com brilho iridescente, lembrando asas ou carapaças de besouros.

O resultado são figurinos que parecem quase pinturas em movimento, delicados, estranhos e hipnotizantes ao mesmo tempo.

O visual da Criatura: horas de maquiagem todos os dias

Se o figurino impressiona, o trabalho de maquiagem talvez seja ainda mais extremo.

Para transformar Jacob Elordi na Criatura, a equipe utilizou 42 próteses diferentes, aplicadas diariamente em um processo que podia levar cerca de 10 horas na cadeira de maquiagem.

O objetivo não era apenas criar um monstro assustador, mas um personagem capaz de provocar empatia. A aparência fragmentada, formada por partes de diferentes corpos, acompanha a construção emocional da criatura ao longo do filme.

Essa abordagem reforça a visão de Del Toro de apresentar um monstro mais humano e sensível, distante das versões violentas que marcaram muitas adaptações do passado.

Visual gótico como assinatura de Del Toro

O resultado final une maquiagem, figurino, direção de arte e fotografia em uma estética gótica marcante, algo que já virou assinatura de Guillermo del Toro em filmes como Labirinto do Fauno e A Forma da Água.

Em Frankenstein, esse cuidado visual ajuda a transformar o clássico literário em uma experiência sensorial completa, onde cada detalhe, da costura de um casaco à cicatriz no rosto da criatura, contribui para contar a história.

No fim das contas, o Oscar só confirmou o que muita gente já tinha percebido: neste filme, a estética não é só decoração, é narrativa. 


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