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Thiago Lacerda fala sobre teatro, autonomia e sua relação com o RS para a ATL

Espetáculo reúne monólogos de Hamlet, Ângelo e Macbeth, criado durante a pandemia e adaptado para apresentações presenciais

18/02/2026 - 10h24min

Sob direção do encenador cariocaRon Daniels, o ator Thiago Lacerda esteve em Porto Alegre na semana passada com o espetáculo “Quem está aí?”, e conversou com a reportagem da Rede Atlântida sobre trajetória, teatro, novelas e sua relação especial com o público gaúcho.

A montagem reúne momentos da intimidade de três personagens centrais de William Shakespeare: Hamlet, Ângelo e Macbeth, costurando monólogos das peças Hamlet, Medida por Medida e Macbeth. No palco, Lacerda alterna trechos emblemáticos com narrações que ajudam a contextualizar o público, criando uma experiência que nasceu no ambiente online durante a pandemia e ganhou nova dimensão presencial.

Uma conexão que atravessa o tempo

À Atlântida, Lacerda falou sobre uma pergunta que costuma ouvir sempre que vem ao estado: afinal, qual é sua relação com o Rio Grande do Sul?

A minha relação com o estado é antiga, é profunda. É uma troca bastante honesta de acolhimento, respeito, carinho

THIAGO LACERDA

Segundo ele, esse vínculo foi cultivado ao longo dos anos e voltar a Porto Alegre é, de certa forma, voltar para casa. “É um lugar em que eu me sinto muitíssimo bem, de verdade acolhido".

O ator destacou que percebe diferenças na forma como o público gaúcho se conecta com seus personagens. Para ele, existe uma relação que passa pela cultura e pela história do próprio povo. “É uma conexão que vem de um lugar original, de história pessoal”, disse. Estar no estado, especialmente em setembro, tem um significado especial.

Teatro como território

Na conversa com a ATL, Lacerda também analisou os rumos recentes da carreira. Ele concluiu recentemente a gravação de um filme, mas reconhece que o teatro voltou a ocupar o centro de sua trajetória.

São lugares completamente diferentes. A gente consegue fazer a mesma coisa por caminhos completamente distintos.

THIAGO LACERDA

Ao comparar o teatro, o cinema e a televisão

Ele define o palco como a origem do ofício, enquanto a televisão tem um caráter popular e de grande alcance. Após sua saída da emissora Globo, onde atuou por anos, as novelas ficaram fora dos planos imediatos. “Essencialmente voltei para o palco”, resumiu. Cinema e streaming seguem presentes, mas o teatro é hoje seu principal território artístico.

Sobre autonomia, foi direto: “No teatro a gente tem uma autonomia mais concreta.” Diferentemente do cinema, onde produtores conduzem decisões, e da televisão, guiada por autores e diretores, o palco oferece ao ator maior poder sobre escolhas e caminhos criativos.

“Quem está aí?”

À redação, Lacerda contou que o espetáculo surgiu na pandemia, quando o formato online virou alternativa para manter o contato com o público. Como já tinha montado “Hamlet” em 2012 e “Macbeth” e “Medida por Medida” em 2015, a reunião dos monólogos aconteceu de forma natural.

“Era quase um exercício de ator diante do texto”, explicou. A narração inserida entre os trechos nasceu para ambientar o público que não conhece as peças e permanece até hoje como marca daquele período. O resultado é uma travessia pelas angústias, ambições e dilemas morais de Hamlet, Ângelo e Macbeth, e também uma reflexão sobre a própria jornada do intérprete.

Novelas, memória afetiva e autocrítica

Com uma de suas novelas sendo reexibida agora no “Vale a Pena Ver de Novo”, "Terra Nostra", Lacerda contou à Atlântida que percebe uma nova geração descobrindo a trama, enquanto outra revive memórias afetivas.

“As pessoas falam muito da avó, da mãe, da reunião da família”, relatou. Para ele, a repercussão comprova a força da história e do elenco.

Apesar disso, confessou que não tem o hábito de rever seus trabalhos. “Eu sou muito exigente”, admitiu em voz baixa. Quando se vê em cena, a primeira reação é crítica: poderia ter feito diferente, ajustado uma pausa, explorado melhor um momento. “Primeiro eu critico, depois normalmente eu gosto”, disse, rindo.

Entre Shakespeare e a memória das novelas, entre o palco e a tela, Thiago Lacerda mostrou à Atlântida que sua trajetória segue em movimento, guiada pela pergunta que dá nome ao espetáculo: quem está aí? Talvez a resposta esteja justamente no encontro constante com o público.


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