Quem é Tamara Klink, autora de “Bom dia, inverno”, que pediu para leitores não comprarem seu livro
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Tamara Klink: quem é a navegadora por trás de “Bom dia, inverno”, livro que virou alvo de polêmica

Autora pediu que leitores parassem de comprar a obra e estimulou uma corrente de troca entre quem já tinha adquirido o livro; após repercussão, ela se retratou

10/08/2026 - 20h13min

Um livro sobre solidão, liberdade e vida no Ártico acabou colocando a navegadora e escritora Tamara Klink no centro de uma discussão sobre literatura, consumo e mercado editorial.

Autora de Bom dia, inverno, Tamara publicou nos últimos dias um vídeo em que pediu aos seguidores que não comprassem seu livro. A ideia era incentivar quem já tinha um exemplar a emprestá-lo ou repassá-lo para outra pessoa interessada em ler, em uma espécie de corrente de troca.

A proposta, porém, não foi recebida apenas como uma iniciativa de incentivo à leitura. A fala provocou críticas nas redes sociais e também repercussão no mercado editorial. Depois da reação, Tamara voltou às redes para se retratar e reconheceu que havia cometido um erro.

Mas, afinal, quem é Tamara Klink, por que Bom dia, inverno está entre os livros mais vendidos e o que exatamente ela propôs?

Reprodução/Instagram
Tamara Klink, navegadora e autora do livro 'Bom dia, inverno'.

Quem é Tamara Klink?

Tamara Klink é navegadora, escritora e arquiteta. Filha do também navegador Amyr Klink, ela cresceu em contato com o universo das viagens marítimas e começou a construir sua própria trajetória no mar ainda jovem.

Aos 23 anos, realizou uma travessia entre a Noruega e a França. No ano seguinte, atravessou o Atlântico em solitário, navegando da França até o Recife. A jornada fez dela a brasileira mais jovem a realizar a travessia do Atlântico sozinha.

Formada em Arquitetura pela Universidade de São Paulo e especializada em arquitetura naval na França, Tamara também transformou as experiências no mar em conteúdo para livros e redes sociais. Em entrevistas, costuma falar sobre temas como solidão, medo, liberdade, autonomia e os desafios de navegar sozinha.

Nos últimos anos, ela ganhou uma grande audiência nas redes sociais justamente ao compartilhar os bastidores das expedições e da vida no mar.

O que aconteceu com “Bom dia, inverno”?

Lançado em maio de 2026 pela Companhia das Letras, Bom dia, inverno se tornou um dos livros de não ficção de maior destaque nas listas de vendas do país.

O levantamento Nielsen-PublishNews, que monitora as vendas de livros físicos no varejo brasileiro, registrou a obra entre os mais vendidos em diferentes semanas. Em uma das listas recentes, o livro apareceu na 18ª posição do ranking geral, com mais de 19 mil exemplares contabilizados no acumulado apresentado pela lista.

A repercussão do livro também ajuda a explicar por que o pedido de Tamara chamou tanta atenção.

Em um vídeo publicado nas redes sociais, a autora sugeriu que os leitores que já tinham comprado Bom dia, inverno não adquirissem novos exemplares e, em vez disso, compartilhassem os que já possuíam.

A proposta era estimular uma espécie de corrente: quem já havia lido poderia emprestar ou presentear o livro a alguém que quisesse conhecê-lo.

A intenção estava relacionada ao desejo de ampliar o acesso à leitura, mas a sugestão acabou provocando críticas. Parte das reações apontou justamente para o impacto que uma campanha desse tipo pode ter sobre a cadeia do livro, que envolve autores, editoras, livrarias e outros profissionais.

Após a repercussão, Tamara reconheceu que errou na forma como apresentou a ideia e se retratou publicamente.

Por que o pedido gerou tanta discussão?

A polêmica acabou colocando duas ideias em choque: o incentivo à circulação de livros e a importância da venda de exemplares para o mercado editorial.

A lógica de Tamara era relativamente simples: se uma pessoa já comprou o livro, pode compartilhá-lo com outra em vez de incentivar uma nova compra. Assim, mais pessoas poderiam ter acesso à obra sem necessariamente gastar dinheiro com ela.

O problema é que o mercado editorial depende justamente da comercialização dos livros.

Uma obra que vende bem gera receita para uma cadeia que inclui editora, autores, distribuidores, livrarias e outros profissionais. Por isso, o sucesso de um título nas listas de mais vendidos é considerado relevante para a sustentabilidade do setor.

A discussão ganhou ainda mais força porque Bom dia, inverno vinha aparecendo com frequência entre os livros mais vendidos.

Sobre o que é “Bom dia, inverno”?

Antes de virar assunto nas redes sociais, Bom dia, inverno já tinha uma história bastante curiosa por trás.

O livro nasceu da experiência de Tamara Klink durante oito meses de isolamento em um pequeno veleiro preso no mar congelado do Ártico Groenlandês.

A expedição aconteceu durante o inverno polar, período em que as condições climáticas tornam a região especialmente extrema. Tamara passou meses praticamente sozinha em um fiorde, cercada pelo gelo e enfrentando longos períodos sem luz solar.

A aventura não era apenas uma viagem de barco.

Em Bom dia, inverno, a navegadora transforma a experiência em uma reflexão sobre solidão, liberdade, medo, natureza, mudanças climáticas e as escolhas que fazemos para viver.

A paisagem também ganha protagonismo. Auroras boreais, raposas, focas e outros animais aparecem na narrativa enquanto Tamara relata os desafios e descobertas de permanecer isolada em um dos ambientes mais extremos do planeta.

O livro tem 256 páginas e foi publicado pela Companhia das Letras em 2026.

A aventura que virou livro

Bom dia, inverno não é a primeira experiência de Tamara Klink transformada em literatura.

Antes dele, a navegadora publicou Nós: o Atlântico em solitário, sobre a travessia do Oceano Atlântico que realizou sozinha.

A relação entre navegação e escrita acompanha sua trajetória. Em entrevista ao Goethe-Institut, Tamara contou que mantém diários desde a infância e que suas viagens acabaram se transformando também em livros.

No caso de Bom dia, inverno, a proposta foi registrar não apenas o que aconteceu durante a expedição, mas também aquilo que o isolamento provocou internamente.

Afinal, passar oito meses praticamente sozinha em um barco congelado é uma experiência que vai muito além de simplesmente chegar a um destino.


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