
Depois de anos cercada de mistério, a autora de “A Empregada” finalmente revelou sua verdadeira identidade. O nome por trás do pseudônimo Freida McFadden é Sara Cohen, médica especializada em lesões e distúrbios cerebrais.
A revelação aconteceu durante uma entrevista ao USA Today, publicada na última quinta-feira (8). A escritora explicou que manteve o segredo por mais de uma década, mesmo participando de eventos e concedendo entrevistas.
Para preservar o anonimato, ela recorria a perucas, maquiagem e diferentes armações de óculos. O disfarce funcionou tão bem que até colegas de trabalho e pessoas próximas não faziam ideia de que dividiam o dia a dia com uma das autoras mais vendidas da atualidade.
Uma vida dupla entre hospital e best-sellers
Enquanto seus livros dominavam listas de mais vendidos, Sara Cohen mantinha uma rotina paralela no hospital. Durante anos, ela conciliou a carreira literária com o trabalho como médica, sem que as duas realidades se cruzassem.
Segundo a autora, os óculos usados nas aparições públicas eram reais, mas o cabelo fazia parte do disfarce.
Cheguei a um ponto da minha carreira em que estou cansada de ter que manter isso em segredo. Estou cansada de as pessoas debaterem se sou uma pessoa real ou se sou três homens. Sou uma pessoa real, tenho uma identidade real e não tenho nada a esconder.
FREIDA MCFADDEN/SARA COHEN
Por que ela decidiu usar um pseudônimo
A escolha pelo pseudônimo foi estratégica. Cohen explicou que queria evitar que a carreira literária interferisse em sua atuação na medicina, além de preservar a privacidade no ambiente de trabalho.
Meu objetivo era manter segredo até que eu estivesse pronta para me afastar do meu trabalho como médica. Eu não queria que todos com quem trabalho descobrissem de repente e isso comprometesse minha capacidade de exercer minha função.
FREIDA MCFADDEN/SARA COHEN
Ela começou a reduzir a carga horária no hospital apenas no final de 2023, quando deixou de trabalhar em tempo integral para se dedicar mais à escrita.
De livro discreto a fenômeno editorial
Sara Cohen publicou seu primeiro livro, “O Diabo Veste Jaleco”, em 2013. No entanto, o grande salto de popularidade veio quase uma década depois, em 2022, com o lançamento de “A Empregada”, thriller psicológico que se tornou um fenômeno entre leitores e nas redes sociais.
Desde então, a autora emplacou vários sucessos e passou a figurar entre os nomes mais comentados da literatura de suspense contemporânea.
Curiosamente, os primeiros a descobrirem a verdade foram justamente os colegas do hospital.
Segundo Cohen, a reação foi positiva: muitos já eram fãs dos livros sem imaginar que trabalhavam ao lado da autora. Depois da revelação, ela passou até a levar exemplares autografados para o trabalho.
Após anos de anonimato cuidadosamente planejado, Freida McFadden, ou melhor, Sara Cohen, decidiu que era hora de abandonar o disfarce.
E a revelação mostrou que, por trás de alguns dos thrillers mais comentados da atualidade, estava alguém acostumado a lidar com o cérebro humano muito antes de transformar suas complexidades em suspense literário.

