
O Festival de Cannes 2026 começou oficialmente nesta semana e, como acontece todos os anos, a seleção já está movimentando o cinema autoral, e também as primeiras apostas para a corrida do Oscar 2027.
A edição deste ano vem sendo descrita como uma das mais fortes dos últimos tempos para o cinema internacional, reunindo novos filmes de diretores como Pedro Almodóvar, Asghar Farhadi, Hirokazu Kore-eda e Paweł Pawlikowski.
Ao mesmo tempo, o festival também traz projetos estrelados por nomes como Rami Malek, Sandra Hüller, Léa Seydoux, Kristen Stewart, Michael Fassbender e Florence Pugh.
Confira alguns títulos que já chegaram em Cannes com status de “filmes para ficar de olho”:
Bitter Christmas
Depois de conquistar o Leão de Ouro com A Sala ao Lado, Pedro Almodóvar retorna ao cinema espanhol com Bitter Christmas, um drama sobre luto, arte e bloqueio criativo.
O filme acompanha Elsa, uma diretora de comerciais extremamente bem-sucedida que tenta lidar com a morte da mãe mergulhando obsessivamente no trabalho. Durante uma viagem para Lanzarote, ela começa a transformar as tragédias pessoais de seus amigos em material para escrita, confundindo realidade, memória e criação artística.
Como já virou marca do diretor, o longa promete visual extremamente estilizado, fotografia saturada e personagens emocionalmente intensos.
Hope
Um dos filmes mais misteriosos da competição deste ano, Hope mistura suspense psicológico, ficção científica e horror. A trama se passa em uma pequena vila próxima à fronteira entre Coreia do Sul e Coreia do Norte, onde moradores começam a entrar em pânico após relatos sobre um tigre estranho circulando pela região. Aos poucos, a situação revela algo muito mais perturbador e inexplicável.
O elenco reúne Michael Fassbender, Alicia Vikander, Taylor Russell e Hoyeon, estrela de Round 6. O diretor Na Hong-jin já é conhecido por filmes extremamente tensos como O Caçador e O Lamento.

Teenage Sex and Death at Camp Miasma
Jane Schoenbrun, diretora de Eu Vi o Brilho da TV, retorna com um terror descrito como uma mistura de slasher, obsessão psicológica e fantasia queer. O filme acompanha uma cineasta contratada para reviver uma franquia de terror decadente, mas que acaba desenvolvendo uma relação obsessiva com a atriz que interpretou a “final girl” do longa original.
A produção vem sendo comparada a uma versão surrealista de Sexta-Feira 13, mas com forte foco emocional e psicológico. Gillian Anderson e Hannah Einbinder lideram o elenco.
Fatherland
Sandra Hüller estrela o novo filme de Paweł Pawlikowski, vencedor do Oscar por Ida. Em Fatherland, ela interpreta Erika Mann, filha do escritor Thomas Mann, durante uma viagem pela Alemanha após décadas vivendo nos Estados Unidos. Enquanto percorrem um país devastado pela guerra e dividido politicamente, pai e filha revisitam traumas familiares e memórias ligadas ao nazismo.
O longa já aparece entre os favoritos para a Palma de Ouro graças ao histórico do diretor e à força dramática da premissa.
The Man I Love
Único filme americano na competição principal deste ano, The Man I Love acompanha um ator veterano da cena teatral de Nova York nos anos 80 que tenta montar o espetáculo mais importante da carreira enquanto enfrenta o envelhecimento e relações pessoais cada vez mais instáveis.
Dirigido por Ira Sachs, o drama mistura bastidores do teatro, música e crises existenciais em uma narrativa intimista sobre fama, amor e solidão.
O elenco reúne Rami Malek, Rebecca Hall e Tom Sturridge, e o longa já vem sendo apontado como possível candidato às premiações da próxima temporada.

Parallel Tales
Asghar Farhadi retorna ao Festival de Cannes com um drama ambientado em Paris após os ataques terroristas de 2015. Parallel Tales acompanha diferentes personagens tentando reconstruir suas vidas após serem afetados direta ou indiretamente pelos atentados, explorando culpa, trauma coletivo e relações humanas fragilizadas pela tragédia.
O elenco impressiona com Isabelle Huppert, Catherine Deneuve, Vincent Cassel e Virginie Efira. Como já virou marca do diretor iraniano, o longa aposta em conflitos morais intensos e personagens emocionalmente complexos.
Sheep in the Box
Hirokazu Kore-eda mistura drama familiar e ficção científica em Sheep in the Box, filme que acompanha um casal devastado pela morte do filho pequeno. Incapazes de lidar com o luto, os dois decidem substituir a criança por um humanoide desenvolvido com inteligência artificial e criado à imagem do menino. Conforme o relacionamento com a máquina se intensifica, o casal começa a questionar os próprios limites emocionais e éticos.
A produção já vem sendo tratada como uma das ficções científicas mais emocionais e delicadas desta edição de Cannes.
Her Private Hell
Depois de quase dez anos longe do cinema, Nicolas Winding Refn retorna com Her Private Hell, thriller neon ambientado em um Tóquio futurista dominado por violência, sexo e paranoia.
A trama acompanha uma jovem envolvida em uma rede clandestina de entretenimento enquanto uma presença misteriosa começa a provocar mortes brutais pela cidade. O elenco reúne Sophie Thatcher, Charles Melton e Diego Calva.
O filme já chamou atenção em Cannes pelo visual estilizado e pela promessa de um retorno radical do diretor ao cinema provocativo que marcou Drive e Demônio de Neon.
Full Phil
Descrito pelo próprio Quentin Dupieux como “Emily em Paris no inferno”, Full Phil acompanha um empresário americano milionário tentando reconstruir a relação com a filha adolescente durante uma viagem completamente caótica pela França. O que começa como uma tentativa de aproximação familiar rapidamente se transforma em uma sequência absurda de situações envolvendo hotéis estranhos, artistas excêntricos e crises psicológicas.
Woody Harrelson e Kristen Stewart lideram o elenco da comédia surrealista, que já aparece entre os filmes mais curiosos e imprevisíveis do festival.

Avedon
Ron Howard dirige o documentário oficial sobre Richard Avedon, um dos fotógrafos mais importantes da história da moda, da música e da cultura pop. O longa promete mostrar bastidores inéditos de ensaios históricos, arquivos pessoais do fotógrafo e entrevistas com artistas, modelos e celebridades retratadas por ele ao longo da carreira.
Além de revisitar algumas das imagens mais icônicas do século XX, o documentário também pretende explorar o impacto de Avedon na fotografia contemporânea e na construção da estética das celebridades modernas.


