Porto Alegre já apareceu muitas vezes no cinema. Em diversos filmes gaúchos, a cidade virou quase um dos personagens da história.
Da Cidade Baixa ao Bom Fim, passando pelo Centro Histórico, pela Redenção e pelas ruas abafadas do verão porto-alegrense, diferentes diretores transformaram a capital em cenário para romances, dramas, thrillers e até distopias.
E talvez o mais interessante seja justamente perceber como cada filme mostra uma Porto Alegre diferente: às vezes melancólica, às vezes caótica, boêmia, quente, silenciosa ou completamente surreal.
Confira sete filmes que foram gravados em Porto Alegre que talvez você não conheça:
O Homem que Copiava (2003)
Provavelmente o filme mais lembrado quando o assunto é Porto Alegre no cinema. Dirigido por Jorge Furtado, o longa acompanha André, um jovem que trabalha em uma fotocopiadora e vive observando a rotina da cidade enquanto tenta conquistar Silvia, sua vizinha. O filme percorre vários pontos da capital gaúcha e captura muito da atmosfera porto-alegrense dos anos 2000, principalmente aquela sensação de cotidiano simples, urbano e meio melancólico.
Além de virar clássico do cinema brasileiro, o longa também ajudou a consolidar a Casa de Cinema de Porto Alegre como um dos polos audiovisuais mais importantes do país.

Ainda Orangotangos (2008)
Um dos filmes mais experimentais já feitos na cidade. Dirigido por Gustavo Spolidoro, o longa foi gravado inteiro em um único plano-sequência de cerca de 80 minutos. A câmera atravessa ruas, bares, prédios e bairros de Porto Alegre acompanhando diferentes personagens durante um dia extremamente quente de verão. O resultado funciona quase como um retrato vivo da cidade, especialmente do Bom Fim e da Cidade Baixa, mostrando a correria, o calor e o caos urbano porto-alegrense em tempo real.
A Nuvem Rosa (2021)
Filmado em Porto Alegre pouco antes da pandemia, o longa dirigido por Iuli Gerbase acompanha Giovana e Yago, dois desconhecidos que passam a noite juntos e acordam presos dentro de casa após uma misteriosa nuvem tóxica obrigar toda a população a permanecer isolada. O filme ganhou repercussão internacional justamente porque foi lançado durante a pandemia da Covid-19 e parecia prever o isolamento social vivido no mundo real.
Mesmo grande parte da história acontecendo dentro de apartamentos, Porto Alegre aparece constantemente através das janelas, da atmosfera cinzenta e da sensação de confinamento urbano.

Nós Duas Descendo a Escada (2015)
Dirigido por Fabiano de Souza, o filme acompanha o encontro entre duas mulheres cujas trajetórias acabam se cruzando pelas ruas de Porto Alegre.
Adri é uma jovem recém formada na faculdade de artes que divide seu tempo entre o único amigo, o emprego e a terapia. Quebrando a monotonia de sua vida, um dia ela conhece Mona, uma arquiteta bem relacionada e com dinheiro. Na escada de um prédio em Porto Alegre, nasce uma paixão de duas pessoas muito diferentes.
O longa usa músicas clássicas do rock gaúcho como parte essencial da narrativa e transforma a cidade em um espaço melancólico, noturno e extremamente musical.

Filme sobre um Bom Fim (2015)
Mais do que um documentário sobre um bairro, o filme dirigido por Boca Migotto funciona quase como uma homenagem à história cultural do Bom Fim. O longa reúne depoimentos de músicos, artistas, jornalistas e personagens históricos ligados ao bairro que virou símbolo da vida cultural porto-alegrense durante décadas.
Ao longo da narrativa, aparecem bares, ruas, esquinas e espaços que ajudaram a construir a identidade artística da cidade.

Antes que o Mundo Acabe (2009)
Dirigido por Ana Luiza Azevedo, o longa acompanha Daniel, um adolescente que começa a receber cartas do pai que nunca conheceu.
Misturando drama familiar, juventude e descobertas pessoais, o filme mostra uma Porto Alegre mais tranquila e afetiva, distante do caos urbano de outros filmes gaúchos.
É também um dos exemplos mais conhecidos do cinema coming-of-age produzido no Rio Grande do Sul.


