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Crítica | Pânico 7 tenta resgatar a essência da franquia, mas tropeça no próprio legado

Com Kevin Williamson na direção e o retorno de velhos fantasmas da saga, novo capítulo recupera parte do suspense clássico, mas esbarra em escolhas que enfraquecem o impacto final.

06/03/2026 - 17h12min

Reprodução/Divulgação
Neve Campbell retorna em "Pânico 7" como Sydney Prescott.

Quase três décadas depois de redefinir o terror pop, a franquia Pânico (Scream) chega ao seu sétimo capítulo tentando equilibrar nostalgia, suspense e a pressão de um legado difícil de sustentar. Em Pânico 7, o grande diferencial está atrás das câmeras: quem assume a direção é Kevin Williamson, roteirista do primeiro filme e uma das mentes responsáveis por transformar o slasher em um jogo metalinguístico cheio de regras e reviravoltas.

Para quem acompanha a saga desde o início, especialmente desde os tempos do saudoso Wes Craven, os últimos filmes davam a sensação de que algo da essência havia se perdido no caminho. 

Com Williamson no comando, assistir a Pânico 7 traz um gosto diferente: o suspense volta a funcionar em vários momentos e a tensão é construída com mais cuidado, lembrando por que essa franquia se tornou um fenômeno cultural nos anos 1990.

Um dos movimentos mais ousados do roteiro é brincar com a possível volta de Stu Macher (Matthew Lillard), personagem clássico do primeiro filme. A ideia é interessante e funciona como combustível para boa parte do suspense, mas também acaba revelando um problema: em vários momentos, parece que um personagem do passado carrega o filme nas costas.

Enquanto isso, o coração emocional da história está na relação entre Sidney Prescott (Neve Campbell) e sua filha Tatum (Isabel May). O filme trabalha bem a mudança de postura de Sidney, que percebe que não pode controlar tudo na vida da filha, nem mesmo se haverá ou não um assassino mascarado à espreita.

O ponto mais tocante surge quando Sidney entende que a garota é mais parecida com ela do que imaginava. Não é uma trama revolucionária, mas toca em algo bastante universal: o medo quase instintivo de mães que tentam proteger suas filhas adolescentes do mundo.

Nem tudo, porém, funciona com a mesma força. O alívio cômico protagonizado pelos “estagiários gostosões” de Gale Weathers (Courteney Cox) acaba sendo fraco. Não por culpa dos atores, que são carismáticos e fazem o possível com o pouco tempo de tela que recebem. A impressão é que os personagens foram inseridos mais como tempero do que como parte essencial da trama.

As mortes também seguem uma linha mais exagerada, quase cartunesca em alguns momentos. Mas, nesse caso, a escolha parece consciente: os Ghostfaces deste capítulo são particularmente caóticos, e a violência acompanha esse tom.

O maior tropeço está no coração de qualquer Pânico: o mistério. O plot twist e a motivação por trás dos assassinos não se sustentam com a força necessária. A construção da parceria entre eles parece frágil e pouco convincente, o que enfraquece o impacto do terceiro ato. Em uma franquia conhecida justamente por suas reviravoltas afiadas, esse é um problema difícil de ignorar.

Há também a sensação de oportunidade perdida. Se Stu realmente estivesse vivo, o desfecho teria um peso muito maior. Até mesmo uma revelação envolvendo Gale poderia gerar um choque mais memorável.

No fim das contas, Pânico 7 consegue recuperar parte do clima que fez a franquia se tornar um clássico do terror, principalmente graças ao olhar de Williamson e ao retorno de um suspense mais bem dosado. Ainda assim, o filme parece preso ao próprio passado e não encontra uma forma realmente forte de expandir a história.

O resultado é um capítulo que entretém e mantém a tensão, mas acrescenta pouco ao universo da saga. No saldo final, o maior legado deixado pelo filme talvez seja mais um conjunto de traumas para a família Prescott/Evans. E, depois de tantos telefonemas ameaçadores e máscaras ensanguentadas, fica a sensação de que talvez seja hora de deixar essa história descansar.

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