Burnout não é apenas excesso de trabalho e a pressão constante também está mudando a relação com a vida profissional | Atlântida
logo atlântida

AO VIVO

Vida Adulta

VIDA ADULTA

Burnout não é apenas excesso de trabalho e a pressão constante também está mudando a relação com a vida profissional

A síndrome está relacionada ao estresse crônico no ambiente profissional e coloca em discussão uma cultura de trabalho marcada por pressão, disponibilidade constante e dificuldade de desconectar.

10/09/2026 - 17h19min

Reprodução/Pexels
Burnout está relacionado ao estresse crônico no trabalho e vai além da quantidade de horas trabalhadas.

Durante muito tempo, falar em burnout significava pensar em jornadas longas, excesso de tarefas e poucas horas de descanso. Embora a sobrecarga faça parte desse cenário, a discussão atual é mais ampla: o problema também está relacionado à maneira como o trabalho é organizado e ao estresse que se mantém ao longo do tempo.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define o burnout como uma síndrome resultante do estresse crônico no trabalho que não foi administrado com sucesso. Ela é caracterizada por exaustão, distanciamento mental ou sentimentos negativos em relação ao trabalho e redução da eficácia profissional.

Quando o trabalho continua mesmo depois do expediente

A tecnologia tornou mais fácil trabalhar de praticamente qualquer lugar. Mensagens, reuniões virtuais e plataformas corporativas permitem que uma demanda chegue fora do horário tradicional, criando uma sensação de que é preciso estar sempre disponível.

Nesse contexto, a pressão não está necessariamente apenas na quantidade de tarefas. A falta de autonomia, cobranças constantes, conflitos, assédio, insegurança profissional e dificuldade para estabelecer limites também podem contribuir para um ambiente de estresse.

Essa preocupação já aparece nas discussões sobre segurança e saúde no trabalho. A atualização das normas brasileiras passou a considerar fatores de risco psicossociais, como estresse, assédio e sobrecarga mental, dentro da gestão de saúde e segurança das empresas.

O problema também revela uma mudança na relação com a carreira

O crescimento dos problemas relacionados à saúde mental no trabalho mostra que a discussão deixou de ser apenas individual. Em 2024, o Brasil registrou 472.328 afastamentos por transtornos mentais, segundo dados do Ministério da Previdência Social divulgados pela Fundacentro. O número representou aumento de 68% em relação ao ano anterior.

Isso ajuda a explicar por que temas como equilíbrio entre vida pessoal e profissional, limites de disponibilidade e qualidade do ambiente de trabalho ganharam espaço nas conversas sobre carreira.

A própria OMS reforça que burnout é um fenômeno específico do contexto ocupacional. Ou seja, nem todo cansaço ou dificuldade emocional deve ser chamado de burnout. A identificação e o acompanhamento de problemas de saúde devem ser feitos por profissionais especializados.

No fim, discutir burnout é também discutir que tipo de relação as pessoas querem construir com o trabalho. Mais do que contar horas diante de uma tela, a questão envolve entender se o ambiente profissional permite descanso, limites e condições sustentáveis para continuar trabalhando.


MAIS SOBRE