
Muitos estudantes chegam à universidade com a dúvida sobre como preencher a lacuna de experiência profissional antes do primeiro emprego. Nesse cenário, as empresas juniores surgem como associações geridas por alunos que prestam serviços reais ao mercado sob supervisão docente.
A relevância desse movimento cresce à medida que o mercado de trabalho exige competências que vão além dos livros e das salas de aula tradicionais. Participar de uma organização desse tipo permite que o discente vivencie a rotina empresarial antes mesmo de se formar.
A seguir, nós mostramos os fatores que ajudam a entender se essa escolha faz sentido para a sua realidade e como ela é percebida pelas empresas contratantes.
O que define uma empresa júnior
Uma empresa júnior (EJ) é uma associação sem fins lucrativos, organizada e administrada por graduandos de diversos cursos superiores. Segundo a Lei nº 13.267/2016, seu objetivo é o desenvolvimento acadêmico, profissional e a capacitação para o empreendedorismo.
O lucro gerado por essas entidades não é distribuído entre os membros, mas obrigatoriamente reinvestido na estrutura da própria EJ e na formação dos estudantes. É um modelo que nasceu na França em 1967 e chegou ao Brasil em 1987, consolidando-se como uma ferramenta de educação prática.
O impacto nas habilidades e no perfil
Participar de uma EJ desenvolve o que chamamos de perfil empreendedor, impactando características como liderança, planejamento e sociabilidade. Estudos indicam que essa vivência influencia mais o desenvolvimento do perfil do estudante do que apenas sua intenção de abrir um negócio.
Além disso, o aluno ganha autonomia para atuar em diversas áreas da carreira escolhida, o que muitas vezes oferece mais liberdade do que um estágio convencional. É perceptível que habilidades como gestão de tempo e comunicação com clientes são as mais beneficiadas nesse processo.
Validação como estágio e reconhecimento
Uma dúvida comum é se a atuação na EJ pode substituir o estágio obrigatório da faculdade. Isso é possível, desde que o trabalho esteja relacionado à área de formação e siga as normas internas da instituição de ensino.
Documentos como relatórios de desempenho e planos de atividades são essenciais para essa formalização acadêmica. Vale considerar que essa experiência, quando bem apresentada, é um diferencial que pode acelerar a conquista do primeiro emprego efetivo.
A visão dos recrutadores de RH
Para os profissionais de Recursos Humanos, a vivência em empresa júnior é vista como um diferencial significativo em processos seletivos de trainee e estágio. Ela demonstra iniciativa, proatividade e um amadurecimento profissional precoce.
Especialistas sugerem que o candidato destaque resultados concretos e números alcançados durante sua gestão para impressionar os selecionadores. Em um mercado competitivo, ter passado por uma EJ indica que o jovem já conhece os códigos de conduta e a rotina de uma organização real.
