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Como fugir do vício em telas: Conheça "métodos analógicos" que podem ajudar a melhorar a concentração

O uso excessivo de aparelhos eletrônicos gera dependência digital e impacta o desenvolvimento emocional de crianças e adolescentes

25/02/2026 - 08h00min

Reprodução/Pexels
Métodos analógicos ajudam jovens a reduzir o tempo de uso de redes sociais.

O uso crescente de smartphones, redes sociais e jogos online tem gerado uma preocupação profunda entre especialistas em todo o mundo: o vício em telas. Dados indicam que jovens passam, em média, mais de sete horas por dia em frente a telas, o que compromete o desenvolvimento cerebral em uma fase crítica.

Essa hiperconectividade cria ciclos de vício alimentados por picos de dopamina, o "hormônio do prazer", desregulando o foco e a motivação natural. O fenômeno, muitas vezes chamado de "crise silenciosa", exige uma atenção imediata das famílias e educadores.

Entenda como a sobrecarga de dopamina gerada pelas telas afeta o cérebro jovem e de que maneira o resgate de dispositivos analógicos ajuda a restaurar a biologia do foco e a qualidade do sono.

O impacto biológico e emocional do vício digital

A sobrecarga de estímulos digitais interfere diretamente na regulação dos neurotransmissores, transformando o prazer momentâneo em comportamento compulsivo. Esse excesso pode levar a dificuldades de concentração, falta de motivação e até sintomas de depressão em jovens.

Além do fator biológico, observamos uma desconexão social significativa, onde relacionamentos reais são substituídos por interações virtuais contínuas. Essa ausência de vínculos afetivos saudáveis prejudica a formação emocional e facilita o surgimento de transtornos de ansiedade.

Vale considerar que o problema também afeta o desempenho acadêmico e a qualidade do sono. Estudos associam o uso problemático da internet a um aumento nos riscos de autolesão e ideação suicida entre adolescentes.

A "dieta digital" e o resgate do analógico

Para combater essa dependência, especialistas recomendam a implementação de estratégias de higiene digital e o resgate de hábitos físicos. O objetivo não é demonizar a tecnologia, mas orientar o uso equilibrado e supervisionado.

Nesse cenário, o retorno a aparelhos analógicos, como câmeras fotográficas e discos de vinil, tem ajudado jovens a reduzir a ansiedade. Essas atividades promovem a atenção plena e combatem a rapidez superficial imposta pelos algoritmos.

Por outro lado, medidas simples como substituir o despertador do celular por um modelo analógico podem ser o ponto de partida ideal. Criar zonas livres de tecnologia em casa, como quartos e banheiros, ajuda a preservar a saúde mental no dia a dia.

Estratégias práticas para recuperar o foco

Uma das técnicas mais eficazes para mitigar o cansaço visual e mental é a Regra 20-20-20, que combate a fadiga ocular e as dores de cabeça ao exigir que, a cada 20 minutos de uso de tela, o usuário olhe para um objeto a pelo menos 6 metros de distância por 20 segundos. Além disso, configurar as telas para o modo escala de cinza reduz o apelo visual e o desejo compulsivo de uso.

Outra dica, é estabelecer o "Pôr do Sol Digital", desligando aparelhos entre 30 e 90 minutos antes de dormir para proteger o sono. A substituição de aplicativos por hobbies manuais, como esporte, música e leitura física, fortalece a autoestima e a resiliência.

Outro ponto de atenção é a separação física entre dispositivos de trabalho e lazer para evitar o transbordamento de estresse. Estabelecer contratos sociais e momentos de qualidade em família são pilares essenciais para o sucesso dessa transição.

Diante desse cenário, fica claro que a discussão sobre vício em telas não é alarmismo, mas um chamado urgente ao equilíbrio. A tecnologia faz parte da vida contemporânea, e pode ser aliada, mas precisa ocupar o lugar certo na rotina.

No fim das contas, recuperar a atenção e o sono é também recuperar autonomia, presença e saúde emocional em uma geração que cresceu conectada, mas que precisa, mais do que nunca, reaprender a desconectar.


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