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Janeiro Branco

Como saber se você ou um amigo precisam de ajuda emocional?

Especialistas indicam sinais de alerta e estratégias para identificar quando buscar ajuda em saúde mental na adolescência

14/01/2026 - 09h00min

Janeiro Branco é uma campanha que foi criada em 2014 para convidar as pessoas a colocarem a saúde mental no centro das conversas. Algo que pode ser essencial quando falamos de adolescentes e jovens, para quem mudanças emocionais fazem parte do crescimento, mas nem sempre são fáceis de reconhecer.

Saber identificar quando o sofrimento deixa de ser passageiro e passa a interferir no dia a dia é um passo fundamental para cuidar de si e também de quem está por perto. Quanto mais cedo aprendemos isso, melhor nos conectamos com uma vida emocional mais equilibrada.

Conversamos com a psicóloga clínica Julia Steffen de Loureto, especialista em terapias cognitivo-comportamentais na infância e na adolescência e pesquisadora do Núcleo de Pesquisa e intervenção em Famílias com Bebês e Crianças (Nufabe), da UFRGS, para reunir umas dicas para que você fique atento a sinais de que possa estar passando por um momento que requer atenção ou até mesmo para ajudar um amigo.

1. Observe alterações no padrão, não apenas mudanças

Na adolescência, mudar é normal. O sinal de alerta aparece quando o comportamento fica muito diferente do que sempre foi. Ligue o alerta se você percebe que tem vontade de dormir demais ou o contrário – quase não dormir –, comer muito menos ou de forma desorganizada, anda se afastando de amigos ou perdendo interesse por coisas que antes gostava são exemplos importantes.

2. Preste atenção se é algo que está durando além do esperado

Todo mundo tem dias ruins. Mas quando um sentimento de que as coisas não vão bem duram semanas ou meses e não parecem passageiras, junto a um mal-estar que em vez de melhorar com o tempo apenas piora, vale pedir ajuda.

3. Avalie: está atrapalhando meu dia a dia?

Faça o exercício de perguntar a si mesmo (ou observe no amigo): o sofrimento está atrapalhando o sono, a alimentação, a escola ou os relacionamentos? Quando começa a afetar a rotina, é um sinal claro de atenção.

Outra coisa a ressaltar é que um comportamento isolado pode não significar muito. O alerta aumenta quando essas várias áreas da vida mudam ao mesmo tempo.

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Confie no que você percebe

4. Confie no que você percebe e se mostre disponível

Muitas vezes, o jovem não consegue dizer “não estou bem”. É natural, nessa fase, uma maior dificuldade de expressar o que sente. O sofrimento pode aparecer, então, no comportamento: isolamento, irritabilidade, desinteresse, atitudes de risco ou queixas físicas frequentes, como cansaço extremo e dores sem causa aparente.

Como um amigo pode ajudar? Em vez de confrontar ou pressionar, o melhor é se aproximar com cuidado. Pode ser apenas mostrando que você está disponível e presente. Isso já é uma forma de cuidado:
“Percebi que você anda diferente e fiquei preocupado.”
“Se quiser conversar, estou aqui.”


5. Procure ambientes de conexão e não de comparação

A adolescência já traz muita comparação. Procure amigos que te deixem confortável, em relações que você tenha espaço para ser imperfeito e acolhido. Evite ambientes que humilham, ridicularizam ou aumentam a sensação de inadequação, pois só pioram a saúde mental.

6. Lembre-se: autocuidado não é “estar bem o tempo todo”

Cuidar da saúde mental é manter uma rotina mínima de sono e alimentação, ter momentos de lazer, vínculos de confiança e aprender a reconhecer limites – mesmo quando a fase é difícil.

7. Pedir ajuda é um ato de coragem

Conversar com um amigo, um familiar, um professor ou outra pessoa de confiança pode ser o primeiro passo. E buscar ajuda profissional não é sinal de fraqueza – é cuidado consigo e com o outro.

Não espere que a situação chegue ao limite: quanto antes o cuidado começar, melhor.

Atenção:

Se você acha que não se sente confortável em falar sobre o que sente com alguém de seu círculo próximo, o Centro de Valorização da Vida (CVV) presta serviço voluntário e gratuito de apoio emocional para todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo e anonimato. O serviço funciona 24 horas por dia (inclusive aos feriados), pelo telefone 188, assim como por e-mail, chat e em alguns endereços. Visite o site cvv.org.br


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