Morar longe ou perto da faculdade?: a matemática entre pagar aluguel mais caro ou gastar horas no transporte público
logo atlântida

AO VIVO

Papo Reto

VEJA QUAL A MELHOR OPÇÃO

Morar longe ou perto da faculdade?: a matemática entre pagar aluguel mais caro ou gastar horas no transporte público

Entenda como o equilíbrio entre custos de moradia e tempo de deslocamento impacta o desempenho acadêmico e a qualidade de vida dos estudantes

31/01/2026 - 10h00min

Morar longe ou perto da faculdade?: a matemática entre pagar aluguel mais caro ou gastar horas no transporte público / Reprodução

A escolha de onde morar durante a graduação é uma das decisões financeiras e logísticas mais importantes na vida de um universitário. Encontrar o equilíbrio entre o orçamento disponível e a proximidade do campus gera dúvidas frequentes entre estudantes e suas famílias, exigindo uma análise cuidadosa das prioridades.

Enquanto viver perto oferece conveniência e acesso facilitado aos recursos da instituição, o deslocamento diário pode representar uma economia financeira imediata no aluguel, mas carrega custos ocultos para a saúde e o rendimento. A decisão envolve pesar gastos tangíveis contra fatores intangíveis, como o bem-estar mental.

A seguir, detalhamos os prós e contras de cada escolha para ajudar você a tomar a decisão mais acertada.

O impacto do tempo no desempenho acadêmico

Estudos recentes indicam que morar muito longe da universidade pode prejudicar as notas. Pesquisadores identificaram que alunos que vivem a até 20 minutos do campus tendem a ter um desempenho acadêmico superior, com notas mais altas em comparação aos que enfrentam longos trajetos.

Ao ultrapassar esse limite de tempo, esse "bônus" desaparece. A pesquisa sugere que, fora desse raio de proximidade, o estudante perde a vantagem competitiva de estar perto, independentemente se o trajeto leva 30 minutos ou uma hora. Sem a facilidade do acesso rápido, o tempo gasto no trânsito passa a competir diretamente com as horas que deveriam ser dedicadas ao descanso, à revisão de conteúdos e às atividades extracurriculares.

Além disso, a exaustão física e mental causada por horas em transporte público lotado afeta a capacidade de concentração durante as aulas, gerando um efeito negativo direto no aprendizado. Alunos que moram longe relatam dificuldades em manter a atenção devido à preocupação com o horário de retorno para casa.

Colocando os custos na ponta do lápis

Morar no campus ou em bairros vizinhos costuma ter um preço de aluguel mais elevado devido à valorização da localização e à alta demanda estudantil. No entanto, essa opção elimina ou reduz drasticamente gastos com combustível, manutenção de veículos e passagens de transporte público.

Por outro lado, viver mais longe permite acessar imóveis maiores ou mais baratos, mas exige um orçamento dedicado ao deslocamento diário, que pode incluir gastos imprevisíveis. Em cidades maiores, o custo acumulado do transporte pode diminuir a vantagem inicial de um aluguel mais baixo.

É fundamental considerar também os "custos ocultos" de cada escolha. Morar no campus pode envolver a obrigatoriedade de planos de alimentação caros, enquanto viver fora exige a compra de mobília e o pagamento de contas de consumo separadas, como luz e internet.

Saúde mental e qualidade de vida

Enfrentar o trânsito diariamente não consome apenas tempo, mas também energia mental. Relatos de estudantes e pesquisas apontam que longos deslocamentos aumentam os riscos de estresse crônico, ansiedade e sensação de isolamento social, reduzindo a satisfação com a vida.

Morar próximo à faculdade oferece a vantagem de poder voltar para casa nos intervalos, alimentar-se de forma mais saudável e participar mais ativamente da vida social e de eventos universitários. Essa proximidade facilita a criação de laços e reduz a sensação de solidão.

Contudo, a realidade do transporte público, muitas vezes marcado por superlotação e imprevisibilidade, pode transformar o trajeto em uma fonte constante de frustração. Para mulheres, há ainda o agravante da insegurança e do medo de assédio, o que gera um desgaste psicológico adicional antes mesmo de sair de casa.

Vale a pena calcular não apenas o dinheiro gasto, mas também o valor do tempo economizado e o impacto na saúde mental, garantindo uma escolha que sustente o bem-estar e o aprendizado ao longo do curso.



MAIS SOBRE