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Por que as grandes empresas disputam profissionais especializados em IA e como essa habilidade virou diferencial no mercado de trabalho

A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta tecnológica e passou a ocupar espaço estratégico nas empresas, aumentando a procura por profissionais que saibam aplicar a tecnologia aos negócios.

08/09/2026 - 15h14min

Reprodução
Profissionais que combinam conhecimento de IA com habilidades de negócio estão ganhando espaço no mercado.

Há alguns anos, trabalhar com inteligência artificial parecia ser uma possibilidade restrita a profissionais de tecnologia, programação e ciência de dados. Em 2026, essa realidade mudou. A IA passou a fazer parte de áreas como marketing, finanças, atendimento, engenharia, recursos humanos e gestão.

Com isso, também aumentou a disputa por profissionais que conseguem entender a tecnologia e, principalmente, aplicá-la para resolver problemas reais.

No Brasil, a contratação de profissionais com competências relacionadas à IA quase triplicou entre 2024 e 2025. A participação dessas vagas no mercado passou de 1,1% para 3,6%, segundo o Barômetro de Empregos de IA 2026, da PwC.

As empresas não procuram apenas quem sabe usar uma ferramenta

Saber utilizar uma ferramenta de inteligência artificial pode ser útil, mas está longe de ser o único diferencial.

O mercado começa a valorizar profissionais capazes de combinar conhecimento tecnológico com entendimento do negócio. Isso significa saber identificar onde a IA pode economizar tempo, melhorar processos, analisar informações ou ajudar na tomada de decisões.

O levantamento de habilidades em alta do LinkedIn para 2026 aponta justamente essa combinação. Saber utilizar IA, transformar dados em decisões e liderar projetos complexos aparece ao lado de competências como comunicação, storytelling e gestão de stakeholders.

Na prática, não basta perguntar “como usar IA?”. O profissional precisa entender qual problema precisa ser resolvido e se a tecnologia realmente é a melhor solução.

A disputa acontece porque falta gente qualificada

Um dos motivos para a valorização desses profissionais é simples: a demanda está crescendo mais rápido do que a formação de pessoas preparadas para ocupar determinadas funções.

Uma pesquisa da AWS aponta que 48% das empresas brasileiras entrevistadas consideram a escassez de talentos qualificados uma barreira para a adoção de IA. O mesmo levantamento indica que metade das empresas no país já utiliza a tecnologia, embora apenas 15% esteja em estágio considerado avançado de adoção.

Isso cria uma espécie de corrida. As empresas querem implementar IA, mas precisam de pessoas que saibam escolher ferramentas, integrar sistemas, analisar resultados e lidar com os riscos envolvidos.

A habilidade vai além da programação

Isso também ajuda a explicar por que “profissional de IA” não significa necessariamente apenas programador.

Engenheiros de software, cientistas de dados e especialistas em machine learning continuam importantes, mas profissionais de outras áreas também podem se destacar ao desenvolver fluência em IA.

Um profissional de marketing que sabe analisar dados com ferramentas de IA, por exemplo, pode automatizar determinadas tarefas e dedicar mais tempo à estratégia. Na área financeira, a tecnologia pode auxiliar na análise de grandes volumes de informação. Em recursos humanos, pode apoiar processos que envolvem organização e análise de dados.

O diferencial está na combinação entre conhecimento da área e domínio tecnológico.

Por que as empresas estão dispostas a pagar mais por isso?

A resposta passa pela produtividade.

Segundo a PwC, empresas mais expostas à IA vêm registrando ganhos de produtividade superiores aos das menos expostas. O levantamento também aponta que os salários dos empregos mais profissionalizados pela IA estão crescendo mais rapidamente.

Para uma empresa, contratar alguém capaz de implementar uma solução de IA pode significar reduzir tarefas repetitivas, acelerar processos ou encontrar novas formas de gerar receita.

É por isso que o profissional especializado pode ser visto não apenas como alguém que “entende de tecnologia”, mas como alguém capaz de ajudar a empresa a aproveitar uma transformação que já está acontecendo.

O que isso significa para quem está começando a carreira?

A valorização da IA não significa que todo mundo precisa virar especialista em programação.

Para quem está entrando no mercado, pode ser mais interessante desenvolver uma combinação de habilidades: conhecer ferramentas de IA, entender os limites da tecnologia, saber analisar informações e manter competências como comunicação, criatividade e pensamento crítico.

Também é importante não transformar uma ferramenta específica em toda a carreira. A tecnologia muda rapidamente, e o que hoje é considerado avançado pode se tornar comum em poucos anos.

O próprio LinkedIn aponta que as competências relacionadas à IA estão deixando de ser diferenciais restritos a áreas técnicas e passando a fazer parte de diferentes funções profissionais.

No fim, a disputa das grandes empresas por profissionais de IA revela uma mudança maior no mercado de trabalho. O diferencial não está apenas em saber usar inteligência artificial, mas em entender como utilizar a tecnologia para tomar decisões melhores, resolver problemas e gerar resultados.


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