A Lua ganhou uma nova marca em sua superfície nesta quarta-feira (5). Um estágio de um foguete Falcon 9, da SpaceX, atingiu o satélite natural da Terra depois de permanecer mais de um ano à deriva no espaço. O impacto abriu uma cratera estimada em 18 metros de diâmetro, segundo informações atribuídas à NASA.
O episódio chama atenção não apenas pelo tamanho da estrutura formada, mas porque colisões de objetos produzidos pelo ser humano com a Lua são pouco comuns. E, para os cientistas, o impacto pode representar uma oportunidade de observar de perto como a superfície lunar reage a uma colisão desse tipo.

Como o foguete da SpaceX foi parar na Lua?
O objeto que atingiu a Lua era a etapa superior de um Falcon 9 utilizado em janeiro de 2025 para lançar uma missão lunar.
O foguete levou ao espaço os módulos Blue Ghost, da Firefly Aerospace, e Resilience, da empresa japonesa ispace. Depois de cumprir sua função, a etapa superior ficou sem combustível suficiente para retornar à Terra e continuou viajando pelo espaço.
Ao longo de mais de um ano, a trajetória do objeto foi alterada pela combinação de forças gravitacionais e atividade solar, até que ele acabou direcionado para a Lua.
O impacto do foguete abriu uma cratera na Lua
A colisão aconteceu em uma região próxima ao cratera Einstein, na área que fica próxima ao limite entre o lado visível e o lado oculto da Lua.
Antes do impacto, estimativas de astrônomos indicavam que o choque poderia produzir uma cratera com dezenas de metros de diâmetro. O impacto também poderia espalhar material lunar pela região.
A diferença em relação a um impacto de meteoro é justamente a possibilidade de os pesquisadores conhecerem previamente características importantes do objeto, como massa, velocidade e trajetória. Isso permite comparar as previsões com o resultado observado.
Por que cientistas estão interessados no impacto?
Pode parecer estranho comemorar a queda de um pedaço de foguete na Lua, mas o episódio oferece uma oportunidade científica rara.
Ao estudar a cratera e o material expelido durante a colisão, pesquisadores podem obter informações sobre o regolito, nome dado à camada de poeira, fragmentos de rochas e outros materiais que recobre a superfície lunar.
A colisão também pode ajudar a aprimorar modelos usados para compreender como crateras são formadas e como o solo lunar se comporta diante de impactos.
O foguete poderia atingir a Terra?
Não.
Apesar de ter permanecido à deriva por mais de um ano, a etapa do Falcon 9 não representava risco de colisão com a Terra. A trajetória que levou o objeto à Lua foi resultado das forças gravitacionais e da atividade solar.
O caso, porém, chama atenção para um problema que vai além dessa colisão específica: o aumento da quantidade de detritos espaciais conforme crescem as missões privadas e governamentais para além da órbita terrestre.
Não é a primeira vez que um objeto humano atinge a Lua
Embora seja incomum, o episódio não é inédito.
Em 2022, um objeto espacial fora de controle também atingiu a Lua. Inicialmente, acreditava-se que poderia ser um foguete Falcon, mas análises posteriores indicaram que se tratava de um artefato chinês lançado em 2014.
A colisão foi considerada a primeira vez em que um objeto construído pelo ser humano atingiu acidentalmente a superfície lunar.
O que acontece agora?
A cratera deixada pelo Falcon 9 poderá ser estudada por sondas que observam a superfície lunar. Como os pesquisadores conhecem diversos parâmetros do impacto, o episódio pode funcionar como uma espécie de experimento natural para compreender melhor as consequências de uma colisão controlada apenas pelas condições do espaço.
E o assunto ganha ainda mais importância em um momento em que diferentes países e empresas privadas planejam ampliar a presença humana e robótica na Lua. A NASA, por exemplo, trabalha para levar novamente astronautas ao satélite dentro do programa Artemis.

