
Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Central da Catalunha, na Espanha, em parceria com a Universidade Nove de Julho, no Brasil, identificou diferenças no processo de envelhecimento funcional entre brasileiros e europeus.
Publicado nesta quarta-feira (5/8) na revista PLOS One, o trabalho aponta que o declínio da capacidade de realizar atividades do dia a dia com autonomia começa, em média, cerca de 10 anos mais cedo entre brasileiros.
Segundo a pesquisa, a perda funcional começa por volta dos 70 anos no Brasil, enquanto entre os europeus ocorre, em média, a partir dos 80 anos.
Para chegar aos resultados, os pesquisadores analisaram dados de aproximadamente 5 mil brasileiros e 25 mil idosos europeus. A avaliação considerou aspectos como mobilidade, cognição, vitalidade, saúde mental e funções sensoriais.
Os pesquisadores também observaram a capacidade dos participantes de realizar atividades básicas, como tomar banho e se alimentar, além de tarefas que exigem maior autonomia, como administrar dinheiro, fazer compras e utilizar meios de transporte.
Desigualdades podem influenciar o envelhecimento
De acordo com os autores, os resultados não significam simplesmente que brasileiros envelhecem biologicamente mais rápido. A análise aponta uma relação importante entre o envelhecimento funcional e as condições sociais, econômicas e de saúde ao longo da vida.
Entre os fatores associados estão escolaridade, renda, acesso aos serviços de saúde e oportunidades de prevenção de doenças.
Enquanto os idosos europeus analisados apresentaram uma perda funcional mais gradual, os brasileiros tiveram uma trajetória considerada mais precoce e acelerada.
Para os especialistas, os resultados reforçam a importância de estratégias de prevenção e cuidado que considerem as desigualdades existentes entre diferentes populações

