Influenciadores mirins precisarão de autorização da Justiça para ganhar dinheiro nas redes sociais
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Influenciadores mirins precisarão de autorização da Justiça para ganhar dinheiro nas redes sociais

Nova regra do ECA Digital exige alvará judicial para conteúdos monetizados com participação habitual de crianças e adolescentes em plataformas como Instagram, TikTok e YouTube.

20/06/2026 - 09h00min

A rotina dos influenciadores mirins brasileiros acaba de passar por uma mudança importante. A partir de agora, crianças e adolescentes que participam de conteúdos monetizados nas redes sociais precisarão de autorização judicial para atuar de forma remunerada na internet.

A exigência faz parte do Decreto nº 12.880/2026, que regulamenta o chamado ECA Digital e estabelece novas regras para a proteção de menores de idade no ambiente online. A medida vale para conteúdos que utilizem de forma habitual a imagem ou a rotina de crianças e adolescentes com finalidade econômica.

Pablo Alejandro e Rafael Teodoro/ECA Digital/ Reprodução

O que muda para influenciadores mirins?

Na prática, pais e responsáveis deverão solicitar um alvará junto à Vara da Infância e da Juventude para que menores possam participar de conteúdos monetizados ou impulsionados nas plataformas digitais.

A autorização deverá apresentar informações como:

  • tipo de atividade realizada;
  • formato da participação da criança ou adolescente;
  • existência de remuneração;
  • condições da atividade;
  • detalhes sobre campanhas publicitárias, quando houver.

As plataformas também passam a ter responsabilidade nesse processo, devendo exigir a comprovação da autorização judicial em situações previstas pela regulamentação.

A regra já existia fora da internet

Embora a novidade tenha chamado atenção nas redes sociais, a exigência de alvará para atividades remuneradas envolvendo menores não é exatamente nova.

Há décadas, crianças e adolescentes que trabalham em produções artísticas, como novelas, filmes, programas de televisão, peças teatrais e campanhas publicitárias, precisam de autorização judicial específica.

O que muda agora é que a lógica passa a ser aplicada também ao ambiente digital, reconhecendo a atuação de influenciadores mirins como uma atividade com potencial econômico semelhante a outras formas de trabalho artístico.

Justiça poderá impor limites

Ao analisar os pedidos, o juiz poderá estabelecer condições específicas para proteger o desenvolvimento da criança ou do adolescente.

Entre os aspectos que podem ser considerados estão:

  • tempo de exposição nas redes;
  • frequência das gravações;
  • horários de participação;
  • formato dos conteúdos publicados;
  • impactos na saúde física, mental e emocional.

O objetivo é evitar situações de exploração econômica e garantir que a atividade digital não prejudique o desenvolvimento dos menores.


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