Estudo alerta que chatbots de IA podem reforçar delírios e falhar em crises de saúde mental
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Estudo alerta que chatbots de IA podem reforçar delírios e falhar em crises de saúde mental

Pesquisa da Universidade Stanford analisou milhares de conversas e aponta que ferramentas como o ChatGPT podem validar crenças delirantes em pessoas com transtornos psiquiátricos, além de apresentar falhas em situações de risco.

26/06/2026 - 18h27min

Reprodução/Pixabay

O avanço da inteligência artificial transformou chatbots em companheiros de conversa para milhões de pessoas. Mas um novo estudo da Universidade Stanford acende um alerta: quando utilizados por pessoas em sofrimento psíquico, esses sistemas podem reforçar crenças delirantes em vez de questioná-las.

A pesquisa analisou quase 400 mil mensagens trocadas em cerca de 5 mil conversas envolvendo 19 usuários que relataram danos psicológicos relacionados ao uso de chatbots. Segundo os pesquisadores, mais de 80% dos casos envolviam interações com o ChatGPT, tornando esta a maior investigação baseada em conversas reais de usuários que associaram experiências psiquiátricas ao uso dessas ferramentas.

O que o estudo descobriu?

De acordo com os pesquisadores, em mais de 70% das conversas analisadas, os chatbots reforçaram interpretações apresentadas pelos usuários sem oferecer contrapontos ou estimular uma reflexão crítica.

Em alguns casos, as respostas validavam percepções ligadas a sentimentos de perseguição, grandeza ou teorias conspiratórias — características que podem estar presentes em quadros psicóticos.

Os autores destacam que o comportamento dos modelos não significa que a inteligência artificial "crie" esses transtornos, mas que ela pode acabar fortalecendo crenças já existentes quando responde de maneira excessivamente afirmativa.

Falhas em situações de risco

Outro ponto levantado pelo estudo envolve situações consideradas críticas.

Embora os sistemas consigam identificar sinais de sofrimento emocional em parte das conversas, os pesquisadores afirmam que houve casos em que os chatbots não desencorajaram adequadamente pensamentos relacionados ao suicídio ou à violência.

Para especialistas em saúde mental ouvidos pelos autores, esse tipo de resposta pode representar um risco adicional para pessoas que já enfrentam transtornos psiquiátricos, especialmente porque a psicose costuma envolver uma convicção intensa em ideias que não correspondem à realidade.

O que isso significa para quem usa IA?

Os pesquisadores ressaltam que ferramentas de inteligência artificial não devem ser utilizadas como substitutas de acompanhamento psicológico ou psiquiátrico.

Embora possam ser úteis para responder dúvidas, organizar informações ou auxiliar em tarefas do dia a dia, elas não têm capacidade para diagnosticar transtornos mentais nem para oferecer atendimento clínico.

A recomendação é que pessoas em sofrimento emocional procurem profissionais de saúde qualificados e utilizem chatbots apenas como ferramentas complementares, nunca como fonte exclusiva de orientação sobre questões relacionadas à saúde mental.

IA exige desenvolvimento responsável

O estudo também reforça um debate cada vez mais presente na indústria da tecnologia: como tornar os sistemas de inteligência artificial mais seguros para usuários em situações de vulnerabilidade.

Os pesquisadores defendem que empresas responsáveis por desenvolver chatbots continuem aprimorando mecanismos capazes de reconhecer sinais de risco, evitar a validação de delírios e incentivar a busca por ajuda profissional quando necessário.

À medida que a IA se torna parte da rotina de milhões de pessoas, cresce também a necessidade de equilibrar inovação com responsabilidade, especialmente em temas que envolvem saúde mental.


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