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Deepfake eleitoral: como a IA está sendo usada para criar vídeos falsos de candidatos e o que o TSE está fazendo para coibir 

Novas regras da Justiça Eleitoral estabelecem proibição total de conteúdos manipulados para prejudicar candidatos e exigem transparência no uso de tecnologia 

12/05/2026 - 16h07min

Reprodução/Tribunal Superior Eleitoral
Uso de vídeos manipulados por inteligência artificial acende alerta sobre desinformação durante campanhas eleitorais.

O avanço da inteligência artificial trouxe ferramentas capazes de criar vídeos e áudios extremamente realistas, conhecidos como deepfakes, que podem confundir qualquer eleitor. No dia a dia, essa tecnologia já aparece em redes sociais e aplicativos de mensagens, tornando difícil distinguir o que é fato do que é uma montagem digital bem elaborada.

A preocupação com a integridade das eleições brasileiras levou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a agir de forma inédita para regulamentar o uso dessas inovações no campo político. O objetivo é evitar que a desinformação em massa comprometa o direito de escolha consciente de milhões de cidadãos durante o pleito.

Neste texto, nós vamos explicar os principais aspectos relacionados às restrições ao uso da IA e como a legislação busca proteger o processo democrático.

O que são deepfakes e por que são proibidas

As deepfakes são conteúdos gerados por IA que sintetizam imagens ou vozes para simular falas e ações de pessoas reais de maneira enganosa. Nas eleições, essa técnica tem sido usada para criar vídeos falsos de candidatos, o que pode destruir reputações em poucos minutos.

Por esse motivo, desde as eleições de 2024, o TSE determinou a proibição total do uso de deepfakes para a criação de conteúdos falsos ou difamatórios na propaganda eleitoral. A regra vale para qualquer tipo de montagem que tente enganar o eleitor quanto à veracidade do que está sendo assistido ou ouvido.

Nesse cenário, o uso de "avatares" ou vozes sintéticas para simular diálogos com o eleitor também sofreu restrições severas. A Justiça entende que a tecnologia não pode ser usada para personificar candidatos de forma artificial e sem o devido esclarecimento.

A obrigatoriedade de avisar sobre o uso de IA

Para os conteúdos que utilizam inteligência artificial de forma legítima, como em melhorias de áudio ou vídeo, o tribunal impôs a obrigação de um aviso explícito. Toda propaganda que utilizar IA deve informar claramente qual tecnologia foi empregada naquela peça específica.

Essa medida visa garantir que o eleitor saiba exatamente quando está diante de um material que passou por processamento tecnológico avançado. A transparência torna-se, portanto, a regra fundamental para partidos e coligações que desejam usar essas ferramentas.

Por outro lado, o descumprimento desse aviso pode levar à retirada imediata do conteúdo do ar e à aplicação de multas. O TSE busca, com isso, criar um ambiente digital mais honesto e menos suscetível a manipulações imperceptíveis.

Responsabilidades e punições para candidatos e plataformas

As novas diretrizes aumentaram significativamente a responsabilidade dos candidatos e dos provedores de conteúdo na internet. Candidatos que utilizarem deepfakes proibidas podem ter o registro de candidatura cassado ou até perder o mandato, caso sejam eleitos.

As plataformas digitais e redes sociais também passaram a ter obrigações mais rígidas de cuidado e remoção. Elas devem adotar planos de conformidade para prevenir a propagação de desinformação e agir rapidamente na retirada de conteúdos ilícitos apontados pela Justiça.

Vale considerar que o tribunal também estabeleceu restrições específicas para o período que antecede a votação, proibindo certas postagens modificadas em janelas críticas do pleito. A cooperação entre o sistema judiciário e as empresas de tecnologia é vista como essencial para conter abusos.

O papel do eleitor diante da tecnologia

Embora as leis e as punições sejam fundamentais, o enfrentamento às deepfakes também depende da capacidade crítica de quem consome a informação. O contexto atual exige que nós tenhamos um olhar mais atento e desconfiado diante de conteúdos que pareçam exagerados ou polêmicos demais.

Nesse sentido, a melhor forma de se proteger é buscar canais oficiais e veículos de imprensa profissionais para confirmar o que circula em redes sociais. A decisão sobre em quem votar deve ser baseada em fatos reais e propostas concretas, independentemente das facilidades trazidas pela tecnologia.

Em um ambiente digital cada vez mais acelerado e convincente, a confiança nas informações passa a depender não apenas das plataformas e da Justiça, mas também da capacidade coletiva de questionar conteúdos virais antes de compartilhá-los. O avanço das deepfakes transforma a educação midiática e a verificação de fatos em elementos cada vez mais importantes para a proteção do debate público


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